Categoria: Investimento imobiliário

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  • Estes são os produtos de rendimento fixo mais bem avaliados

    Estes são os produtos de rendimento fixo mais bem avaliados

    O rendimento fixo continua a ser uma opção atrativa para os investidores que procuram estabilidade e retornos previsíveis. Em 2024, com uma crescente incerteza económica, os produtos de rendimento fixo ganharam popularidade devido à sua capacidade de oferecer rendimentos regulares e um perfil de risco controlado. Desde obrigações corporativas a Bilhetes do Tesouro, existem vários instrumentos de rendimento fixo no mercado espanhol que apresentam vantagens interessantes. Neste artigo, destacamos alguns dos produtos de rendimento fixo mais bem avaliados atualmente e analisamos como se podem adequar a diferentes perfis de investidores. 

    O que é o rendimento fixo e por que escolhê-lo?

    O rendimento fixo refere-se a instrumentos financeiros que prometem pagamentos regulares, geralmente sob a forma de juros, até ao vencimento do produto, altura em que o capital inicial investido é devolvido. Ao contrário dos investimentos em ações (rendimento variável), os produtos de rendimento fixo são menos voláteis e considerados investimentos mais seguros. Este tipo de ativo pode ser uma boa alternativa para diversificar um portefólio e minimizar a exposição ao risco. 

    No contexto atual, os investidores têm demonstrado um interesse crescente nestes produtos devido a vários fatores, como as elevadas taxas de juro na Europa e a relativa estabilidade que oferecem face à volatilidade dos mercados acionistas. Entre as suas vantagens destacam-se a diversificação do risco, preservação do capital, geração de rendimentos regulares e o facto de que alguns fundos de rendimento fixo podem oferecer rendibilidades mais elevadas. Seguem-se os produtos de rendimento fixo mais populares e a sua adequação a diferentes necessidades de investimento. 

    1. Obrigações do Estado: segurança e rentabilidade moderada

    As obrigações do Estado espanhol são uma das opções de rendimento fixo mais tradicionais e seguras. Estes títulos de dívida pública, emitidos pelo Tesouro espanhol, são garantidos pelo governo, o que os torna um investimento de baixo risco. O preço da obrigação não é fixo, podendo flutuar, dependendo em grande parte das variações nas taxas de juro. Em 2024, a rentabilidade destas obrigações melhorou ligeiramente devido aos aumentos das taxas de juro promovidos pelo Banco Central Europeu, atraindo investidores conservadores que procuram proteger o capital sem abrir mão de alguma rendibilidade. 

    As obrigações do Estado são emitidas com diferentes prazos, como 3, 5, 10 e 15 anos, permitindo aos investidores escolher o período que melhor se adapta aos seus objetivos financeiros. Com uma rentabilidade na ordem dos 3-4% em 2024, este produto é adequado para quem procura estabilidade a longo prazo e está disposto a manter o investimento até ao vencimento.

    2. Bilhetes do Tesouro: oportunidades a curto prazo

    Os Bilhetes do Tesouro ganharam popularidade entre os investidores que preferem um investimento a curto prazo.Emitidos pelo governo com prazos entre 3 e 18 meses, os bilhetes são adquiridos a um preço inferior ao seu valor nominal e oferecem uma rentabilidade atrativa num período relativamente curto. Este ano, os bilhetes de curto prazo atingiram rendibilidades na ordem dos 3%, tornando-se uma alternativa competitiva face aos depósitos bancários e contas de poupança. 

    Uma vantagem importante dos Bilhetes do Tesouro é o seu baixo risco de duração, o que significa que o seu valor é menos sensível a variações nas taxas de juro. Isto torna-os uma opção adequada para quem deseja manter liquidez no curto prazo, sem comprometer a rendibilidade. 

    3. Obrigações corporativas: maior rentabilidade com maior risco

    As obrigações corporativas são outra alternativa de rendimento fixo que geralmente oferecem um retorno superior às obrigações do Estado. Estas obrigações são emitidas por empresas em vez de governos, pelo que o risco de crédito é mais elevado. Em 2024, várias empresas espanholas e internacionais lançaram obrigações com taxas de juro superiores a 5% ao ano, o que é atrativo para quem está disposto a assumir um risco moderado em troca de uma maior rendibilidade. 

    Dentro das obrigações corporativas, encontram-se opções com diferentes níveis de risco, desde obrigações com alta notação de crédito até obrigações “high yield” ou de alto rendimento. Os investidores que procuram melhorar o retorno e podem assumir um maior risco encontram frequentemente atrativas estas obrigações, especialmente se escolherem emissões de empresas de alta solvência.

    Conclusão: Escolher o produto de rendimento fixo adequado

    A variedade de produtos de rendimento fixo no mercado espanhol em 2024 permite aos investidores escolher opções que se ajustem ao seu perfil e objetivos. As obrigações do Estado e os Bilhetes do Tesouro destacam-se como alternativas seguras e estáveis, enquanto as obrigações corporativas oferecem maior rendibilidade para quem pode assumir um risco adicional. 

    Num contexto de elevada inflação e taxas de juro elevadas, o rendimento fixo apresenta-se como uma ferramenta estratégica para investidores que procuram estabilidade e rendimento constante. A escolha de um produto dependerá, em última análise, do perfil de risco e dos objetivos individuais de cada investidor.

  • Perspectivas económicas e o seu impacto na logística

    Perspectivas económicas e o seu impacto na logística

    O setor industrial e logístico tem-se consolidado como um dos mais atrativos para os investidores nos últimos anos. Em 2024, esta área experimentou um crescimento significativo em comparação com o ano anterior, atraindo o interesse de investidores e empresas que procuram aproveitar as oportunidades que oferece. De acordo com dados recolhidos pela Colliers, o investimento neste setor atingiu os 461 milhões de euros no terceiro trimestre deste ano, um aumento no final que demonstrou a estabilidade deste setor.

    Este crescimento corrobora uma tendência ascendente que tem sido particularmente evidente no último ano, com um total de 1.110 milhões de euros no setor industrial e logístico, ou seja, um aumento de 87,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A seguir, neste artigo, vamos analisar os fatores que impulsionaram este crescimento.

    A expansão da procura logística

    A procura de espaços logísticos em Espanha continua a mostrar níveis elevados de absorção, com a Zona Centro e a Catalunha como líderes na contratação. No terceiro trimestre de 2024, a Zona Centro registou uma absorção de 202.000 m², atingindo um total de 680.000 m² contratados até setembro. A Catalunha, por sua vez, experienciou a melhor contratação dos últimos sete trimestres, com 253.000 m² no mesmo período, e Valência manteve-se em linha com o trimestre anterior, alcançando os 51.000 m², com uma taxa de disponibilidade abaixo de 2%.

    Estas cifras evidenciam uma tendência estável na contratação de espaços, acompanhada de uma procura sustentada ao longo do tempo. A isto junta-se o facto de, de forma geral, a disponibilidade nestas áreas ser bastante baixa, o que reforça a capacidade do setor de atrair investimento, especialmente num contexto em que a logística continua a ser essencial para o comércio e a distribuição na Europa.

    Atratividade do investimento e situação das rendas

    Em termos de investimento, o setor logístico manteve níveis elevados de atividade em 2024. Embora as rendas tenham estabilizado neste trimestre após aumentos observados no início do ano, as previsões indicam novamente uma tendência de crescimento nos próximos meses devido ao aumento contínuo da procura e à oferta limitada em mercados chave, especialmente em Madrid e Barcelona.

    A isto soma-se o interesse de investidores que procuram diversificação e rentabilidade num ambiente de investimento em que os rendimentos em outros ativos, como os títulos soberanos, diminuíram. Com este panorama, o setor logístico posiciona-se como uma opção atrativa, não só pelo potencial de crescimento das rendas, mas também pela estabilidade da sua procura a longo prazo.

    Perspectivas económicas e o seu impacto na logística

    De acordo com a Colliers, Madrid, Barcelona e Valência foram as áreas mais destacadas em investimento logístico em 2024, atraindo mais de 90% das operações deste terceiro trimestre. Madrid posicionou-se como a cidade líder, acumulando 67% da quota total de investimento (311 milhões de euros) no trimestre. Por sua vez, Barcelona e Valência captaram cada uma 13% do total, com montantes de 60 milhões e 62 milhões de euros, respetivamente.

    As condições macroeconómicas na Europa e nos Estados Unidos também influenciam a dinâmica deste setor. A recente decisão de política monetária do Banco Central Europeu e da Reserva Federal dos EUA de reduzir gradualmente as taxas de juro beneficiou o investimento em ativos logísticos, uma vez que reduzem os custos de financiamento e aumentam as expectativas de rentabilidade. Na zona euro, a taxa de referência foi reduzida para 3,65%, enquanto nos EUA as taxas situam-se em 5%. Estas quedas influenciaram o setor logístico, permitindo que mais investidores acedam ao financiamento de aquisições logísticas e ajudando a que os ativos logísticos com alta procura se mantenham como um investimento sólido ao longo do tempo.

    Além disso, com uma inflação mais controlada em Espanha, as previsões de taxas mais baixas e menores custos financeiros beneficiam o interesse dos investidores na logística. Isto traduz-se em maiores probabilidades de estabilidade e crescimento para o setor nos próximos anos, especialmente num contexto em que a procura continua a ser elevada e a oferta de novos desenvolvimentos é limitada em localizações de alto valor.

    Conclusão

    O setor logístico em Espanha continua a destacar-se em 2024 como uma oportunidade de investimento sólida, impulsionada por uma alta procura de espaços e uma localização estratégica no contexto europeu. A estabilização das rendas, juntamente com as condições económicas favoráveis, reforça a ideia de que o setor industrial e logístico continuará a crescer nos próximos anos.

    As perspetivas indicam que, com uma procura em aumento e uma oferta limitada, a atratividade do setor não só se manterá, como poderá ampliar-se, especialmente se as políticas monetárias continuarem a tendência de queda das taxas de juro. Portanto, este setor representa uma aposta estratégica para aqueles investidores que procuram diversificar a sua carteira com ativos num setor estabilizado e numa das áreas mais promissoras do mercado imobiliário atual.

  • Investimento imobiliário em… País Basco

    Investimento imobiliário em… País Basco

    O País Basco, graças à sua economia sólida, infraestrutura moderna, alta qualidade de vida e localização estratégica no norte de Espanha, consolidou-se como um polo de atração para o investimento imobiliário. A região oferece uma ampla gama de oportunidades para os investidores, especialmente em setores chave como os segmentos residencial e industrial e logístico.
    Entre 2021 e o primeiro trimestre de 2024, o País Basco representou 2,6% do total do investimento nacional, conforme avançado pela CBRE em um encontro que reuniu em Bilbao os principais representantes do setor imobiliário para analisar as tendências que estão a definir a evolução do mercado na região.
    Em concreto, em 2023, o investimento atingiu os 325 milhões de euros, com o segmento residencial a liderar com 154 milhões de euros, seguido pelo setor industrial, que acumulou 86 milhões de euros. Os dados do primeiro trimestre de 2024 indicam um volume de 53 milhões de euros, destacando-se a atividade nos setores industrial e hoteleiro.

    A evolução do setor industrial e logístico

    O País Basco consolidou-se como um pólo logístico de referência na Península Ibérica. Em 2023, foi alcançado um recorde de contratação com 150.000 m² de superfície logística. O investimento neste mercado somou 98 milhões de euros, incluindo tanto terrenos destinados a construção como armazéns concluídos, o que representa um aumento de 46% em relação ao ano anterior, apesar do contexto macroeconómico desafiador. Esta tendência positiva manteve-se em 2024.
    Por outro lado, a sua rede de transportes eficiente, que inclui portos como o de Bilbao e ligações ferroviárias com a Europa, facilita o comércio internacional. A zona industrial de Júndiz, em Vitoria-Gasteiz, e o porto de Bilbao são pontos estratégicos para armazéns e centros de distribuição. Empresas como a Amazon escolheram esta região para instalar os seus centros logísticos, aumentando assim a atratividade para os investidores em imóveis industriais.

    Varejo e setor hoteleiro em ascensão

    O setor de varejo também tem um peso importante no mercado imobiliário basco. Embora o crescimento do comércio eletrónico tenha mudado a dinâmica do consumo, os centros comerciais e as ruas principais de cidades como Bilbao e San Sebastián continuam a ser pontos de grande procura. Concretamente, a Gran Vía de Bilbao é uma das zonas mais caras e procuradas para espaços comerciais em Espanha, de acordo com a 34ª edição do relatório global Main Streets Across the World da Cushman & Wakefield.
    Por sua vez, o setor hoteleiro está a expandir-se com investimentos centrados em hotéis urbanos de alta qualidade nas principais cidades bascas, respondendo à crescente procura turística na região.

    Residencial: habitação e novos espaços residenciais

    No que diz respeito ao mercado residencial, embora os preços da habitação no País Basco sejam superiores aos de outras regiões de Espanha, a forte procura e o crescimento sustentado do mercado imobiliário tornam a região uma opção de investimento atrativa e com alta rentabilidade.
    Segundo dados do relatório IMIE Mercados Locais elaborado pela sociedade de avaliação Tinsa e recolhidos pelo jornal Norte Exprés, o preço médio da habitação nova e usada no País Basco aumentou 2,6% durante o quarto trimestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este aumento é inferior à média nacional de 4,4%. Entre os territórios bascos, Gipuzkoa registou o maior aumento interanual, com 4%, seguido de Álava (2,7%) e Bizkaia (2,2%).
    Entre as capitais bascas, San Sebastián liderou o crescimento com um aumento de 3,9%, enquanto Vitoria seguiu de perto com 3,8%, e Bilbao registou um aumento de 2,5%. San Sebastián destaca-se, em particular, como a cidade com o preço por metro quadrado mais alto de Espanha, devido à sua atratividade turística e à limitada disponibilidade de terrenos para novas construções. De acordo com um relatório recente do portal imobiliário Pisos.com, Donostia, com 6.483 euros por metro quadrado, é a capital de província mais cara de Espanha.
    Por outro lado, Bilbao aposta na regeneração urbana com projetos como Zorrotzaurre, que transformará uma antiga zona industrial numa moderna área residencial e empresarial. Esta iniciativa cria oportunidades tanto para habitação nova como para arrendamento, com uma crescente procura por parte de jovens profissionais e estudantes.

    Desequilíbrio entre oferta e procura no setor residencial

    O relatório “Radiografia do mercado de habitação no País Basco em 2024“, elaborado pela Fotocasa Research, revela um notável desequilíbrio entre oferta e procura. Embora 23% dos bascos deseje mudar de habitação, apenas 5% colocou algum imóvel à venda no último ano. Esta tendência é semelhante à média nacional, onde a proporção de demandantes também é de 23%, contra 6% de ofertantes.
    Durante o último ano, 28% dos bascos participou em operações imobiliárias, superando em um ponto percentual a média nacional (27%). O segmento de compra e venda foi o mais dinâmico, com 17% de participação, três pontos acima da média nacional. No entanto, grande parte desta atividade não se concretizou: 13% procurou adquirir uma habitação sem sucesso, enquanto apenas 4% conseguiu fechar uma compra.
    Em relação ao arrendamento, o mercado está menos ativo. 10% dos bascos participou neste segmento, abaixo da média nacional de 12%. Desses, 4% conseguiram arrendar uma habitação, outros 4% não tiveram sucesso, e 2% procuraram sem sucesso um quarto numa casa partilhada. Apenas 2% da população colocou a sua habitação para arrendamento no último ano.
    Sobre a evolução dos preços, María Matos, diretora de Estudos e porta-voz da Fotocasa, destacou que a procura de habitação no País Basco é cinco vezes superior à oferta, o que poderá gerar um aumento de preços tanto na compra e venda como no arrendamento. Além disso, o mercado basco atribui maior protagonismo à compra e venda em comparação com o arrendamento, mais do que o resto do país. Estas particularidades tornam crucial acompanhar de perto a evolução deste mercado nos próximos meses.

  • Investimento alternativo em 2025: tendências e perspetivas para um mercado em transformação

    Investimento alternativo em 2025: tendências e perspetivas para um mercado em transformação

    Os mercados de investimento alternativo estão a viver um crescimento exponencial como nunca se tinha visto. Os investidores colocaram o foco neste tipo de ativos à procura de novos mercados, mais rentabilidade e diversificação. Neste sentido, e segundo a consultora KPMG, espera-se um crescimento anual global do investimento alternativo de 8,4%, podendo fechar este 2024 com um volume de ativos de 16.000 milhões de euros e alcançar até 24.500 milhões para 2028. A evolução destes mercados verá a sua consolidação em 2025, num ano que se espera ser chave para os ativos alternativos. O contexto económico global vive um momento de incerteza alimentado pelas tensões geopolíticas, derivadas tanto pela guerra entre a Ucrânia e a Rússia, que impulsionou a inflação devido ao aumento dos preços da energia; pelo conflito no Oriente Médio e, entre outras causas, pelo regresso de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e a sua agressiva política de tarifas. Esta situação global, somada a perspetivas macroeconómicas fracas, antecipa um crescimento lento dos mercados para o ano de 2025. Neste sentido, os investidores são obrigados a procurar novas fórmulas de rentabilidade e os mercados alternativos posicionam-se como uma boa opção. Estamos perante uma vasta gama de setores e ativos em que investir, que ajudam a diversificar carteiras e a maximizar rentabilidades:

    • Infraestruturas: prevê-se que os ativos mundiais em infraestruturas não cotadas atinjam os 2,4 biliões de dólares em 2029, segundo a consultora especializada em análise de dados Preqin. A incidência desta estratégia de mercado na transição energética multiplicará a captação de fundos e operações.
    • Mercados privados: as estratégias alinhadas com megatendências a longo prazo, como a IA ou a descarbonização, serão especialmente atraentes para investidores, de acordo com a Schroders. Por outro lado, a estabilização das taxas de juro também impulsionará o investimento em dívida privada.
    • Capital de risco: neste âmbito, a Preqin também prevê um crescimento anualizado de 11,1% até 2029. A inteligência artificial será um dos principais fatores do impulso.
    • Ativos digitais: ganharão protagonismo pelo seu potencial de diversificar as carteiras de investimento com oportunidades de alto crescimento, incluindo soluções inovadoras em setores que vão além do âmbito financeiro. Por exemplo, permitindo fracionar ativos ilíquidos em tokens digitais, favorecendo a sua liquidez.
    • Real estate: a previsão da consultora de dados é que os ativos imobiliários privados continuem o seu crescimento constante até atingir os 2,7 biliões de dólares em 2029.

    A aparição de novos players

    O investimento alternativo também tem vindo a experimentar mudanças com as quais os processos se adaptam ao desenvolvimento tecnológico e às novas tendências de mercado, atuando como motor de crescimento. A presença das fintechs como a Urbanitae no mercado também multiplicou as soluções de investimento a partir de diferentes perspetivas. Em concreto, para o setor imobiliário, impulsionou e facilitou a busca e gestão de imóveis, graças a plataformas onde se facilitam as operações; soluções de pagamentos digitais, agilizando os processos contratuais; análise de dados e um valor acrescentado de análise ágil e fiável graças ao uso de big data e soluções tecnológicas avançadas.

    Novas tendências em investimento alternativo: crowdlending imobiliário e tokenização de ativos

    As regras do jogo no investimento imobiliário em Espanha mudaram: se antes a abordagem era através da compra e venda de imóveis, agora surgem novas e diferentes opções de investimento alternativo que permitem obter altas rentabilidades com menor risco e esforço. Uma das principais é o crowdlending, uma estratégia baseada na financiamento coletivo via empréstimo de um projeto que permite aos investidores participar com pequenas quantidades de dinheiro em operações de grande dimensão. Na Urbanitae, esta estratégia representou perto de metade dos nossos projetos financiados em 2024, permitindo aos nossos clientes investir no mercado imobiliário com um valor mínimo de entrada de 500 euros. Esta modalidade de financiamento alternativo tem vindo a crescer nos últimos anos apoiada pela inovação tecnológica através da tokenização de ativos digitais, que incide diretamente na forma como os investidores acedem a este produto financeiro. Neste sentido, algumas plataformas de crowdlending estão a impulsionar os tokens com o objetivo de representar as participações dos seus investidores, registando os seus direitos e rendimentos através de blockchain. A tokenização aumentaria a liquidez deste tipo de investimentos, embora não seja imprescindível para estabelecer mercados secundários onde vender ou trocar as suas participações antes do final do projeto, caso assim o desejem.

    Desafios e oportunidades para o próximo ano

    O crescimento constante do mercado de investimentos alternativos apresenta desafios importantes aos quais é necessário dar resposta para impulsionar e consolidar a maturidade de um setor que ainda tem um grande espaço para se desenvolver. Entre eles, encontramos a importância da educação financeira, apostando no conhecimento profundo dos pequenos e médios investidores como uma das bases sobre as quais aumentar o negócio. Por outro lado, a regulação também desempenhará um papel relevante pela necessidade de encontrar uma maior segurança jurídica e uma estrutura legal robusta que proteja tanto investidores como instituições. Os avanços em segurança, com uma forte aposta na inovação em cibersegurança e o apoio do blockchain, impulsionarão e facilitarão a proteção dos ativos, permitirão a transparência das transações e trarão um valor acrescentado como a rastreabilidade das operações. Por outro lado, a sustentabilidade continuará a consolidar-se como uma das grandes macrotendências nas decisões de investimento, tanto para investidores particulares como institucionais, apesar das correntes anti-ESG que surgem de países como os Estados Unidos. Para o setor imobiliário, as novas regulamentações estão a transformar a forma como se constroem e gerem os edifícios, procurando maximizar o valor dos ativos e dar resposta às exigências dos consumidores. Na Urbanitae acreditamos ser fundamental compreender as tendências em sustentabilidade e adaptar a nossa estratégia aos padrões que não só ofereçam retornos financeiros atraentes, mas que contribuam para descarbonizar o parque habitacional espanhol: até à data, temos impulsionado o desenvolvimento de mais de 5.000 habitações novas em Espanha e Portugal. Porque a sustentabilidade veio para ficar.

  • Estas são as 12 medidas do Governo para melhorar o acesso à habitação em Espanha

    Estas são as 12 medidas do Governo para melhorar o acesso à habitação em Espanha

    O acesso à habitação é um dos grandes desafios atuais em Espanha. O mercado imobiliário encontra-se numa situação de grande tensão devido à significativa falta de habitação face ao nível atual de procura, com um nível de construção de habitação nova que não é capaz de satisfazer a procura resultante do notável crescimento da população e dos agregados familiares que se verificou em Espanha, particularmente nos últimos três anos.

    Fatores como o aumento dos custos de construção, a subida das taxas de juro dos empréstimos hipotecários, a escassez de terrenos urbanizáveis e as dificuldades administrativas para desenvolver novos projetos têm contribuído para uma crescente dificuldade no acesso a habitações a preços acessíveis. Além disso, o mercado de arrendamento continua a sofrer uma importante subida de preços, devido ao forte desequilíbrio entre a oferta e a procura, especialmente em zonas de elevada tensão como Madrid ou Barcelona.

    O debate não é alheio à agenda política, e a habitação tornou-se num dos temas principais e mais discutidos, sendo objeto, por parte dos diferentes partidos, de propostas para garantir um acesso mais acessível, com um importante foco na população mais jovem. Neste contexto, o Governo de Espanha, liderado por Pedro Sánchez, apresentou um pacote de 12 medidas com as quais pretende aliviar a crise da habitação e equilibrar o mercado. Na Urbanitae, analisámos detalhadamente cada uma destas iniciativas:

    1. Transferência de habitações e terrenos à Empresa Pública de Habitação

    Esta medida procura aumentar o parque de habitação pública destinado ao arrendamento social. Com a cedência de mais de 3.300 habitações e dois milhões de metros quadrados de terreno, pretende-se garantir um acesso mais acessível à habitação e fomentar a construção de novos imóveis com fins sociais.

    Sobre esta medida, José María Gómez-Acebo, diretor de Clientes Institucionais da Urbanitae, considera “essenciais os mecanismos de colaboração público-privada, dado que os orçamentos públicos, por si só, não poderão suportar o nível de investimento necessário. O sucesso dessa colaboração exigirá que a fixação de preços e custos seja realista, para que o setor privado opte por investir num ambiente de segurança jurídica e garantia suficiente de recuperação do seu investimento”.

    2. Incorporação de habitações da Sareb (ou banco mau)

    A gestão de 13.000 habitações, que passarão imediatamente a fazer parte do parque público, juntamente com outras 17.000 previstas, tem como objetivo aumentar significativamente a oferta de arrendamento social. Este movimento procura aproveitar os ativos em mãos da Sareb para dar resposta à elevada procura de habitação acessível.

    3. Prioridade na aquisição de terrenos e habitações

    A empresa pública de habitação terá preferência na compra de terrenos e habitações, com o objetivo de facilitar uma gestão estratégica e ágil para desenvolver projetos de habitação destinados ao arrendamento acessível, promovendo um uso eficiente dos recursos.

    4. Reforma da lei do solo

    Com esta reforma, procura-se eliminar entraves administrativos e burocráticos para agilizar a promoção de habitações. A medida pretende acelerar a construção de novos imóveis e responder à crescente procura, especialmente nas zonas de maior tensão imobiliária. “É importante lembrar a importância que a diligência e agilidade na tramitação de licenças têm: 12 meses de atraso na concessão de uma licença aumentam o custo da habitação em cerca de 5%, porque o comprador do terreno exige um maior retorno pelo seu capital”, salienta Gómez-Acebo.

    5. Lançamento de um PERTE para a construção modular

    Este Projeto Estratégico para a Recuperação e Transformação Económica (PERTE) pretende fomentar a construção modular e industrializada, uma alternativa mais rápida e económica aos métodos tradicionais, permitindo reduzir significativamente os tempos de construção e os custos associados. Um PERTE que têm intenção de centralizar em Valência, com o objetivo de impulsionar o tecido económico das zonas afetadas pela DANA. Como valoriza Gómez-Acebo, “É uma medida que vai na direção certa. O custo de construir habitação aumentou significativamente após a crise das cadeias de abastecimento, surgida com a guerra na Ucrânia; ao forte aumento no preço dos materiais, que não se reverteu, junta-se uma preocupante ausência de mão de obra no setor da construção, situação que se agravará no momento em que se colocarem mais habitações em carga. Portanto, a construção modular e industrializada é o caminho para construir mais rápido e mais barato, atenuando essa crescente ausência de profissionais e ofícios de obra”.

    6. Reabilitação de habitações vazias para arrendamento acessível

    O objetivo desta iniciativa é revitalizar o parque de habitações desocupadas e destiná-las ao arrendamento acessível durante pelo menos cinco anos. Para isso, serão implementados programas de reabilitação que melhorarão a qualidade das habitações enquanto se aumenta a oferta disponível.

    7. Isenção fiscal de 100% no IRS para certos arrendamentos

    Com esta medida, o Governo tem como objetivo incentivar os proprietários a oferecer arrendamentos a preços razoáveis, alinhados com o índice de preços de referência da lei da habitação. Esta isenção procura equilibrar o mercado de arrendamento e proteger os inquilinos de preços abusivos.

    8. Limitação à compra de habitações por estrangeiros não residentes

    Com o fim de travar o que o Governo considera especulação imobiliária, estabelece restrições para que os estrangeiros não residentes não possam adquirir imóveis em determinadas zonas de elevada tensão, dando prioridade ao acesso dos cidadãos locais.

    Neste sentido, José María Gómez-Acebo assinala uma chamativa desigualdade no tratamento fiscal neste âmbito: “A fiscalidade para um comprador estrangeiro que adquire uma segunda residência em Espanha é, em essência, a mesma que para um comprador espanhol de primeira residência, apesar de se tratar de um bem de primeira necessidade“.

    9. Blindagem da habitação protegida de titularidade pública

    Esta medida quer assegurar que as habitações de proteção oficial permaneçam em mãos públicas e não sejam vendidas no mercado livre, garantindo a sua disponibilidade como recurso para quem mais precisa a longo prazo.

    10. Consideração de habitações turísticas como atividade económica sujeita ao IVA

    Ao qualificar o arrendamento turístico como uma atividade económica sujeita ao IVA, o Governo procura equilibrar o mercado imobiliário, incentivando o uso residencial face ao turístico e regulando esta prática que afeta a disponibilidade de habitações habituais.

    11. Condição dos benefícios fiscais das socimis

    As socimis, entidades-chave no mercado de arrendamento, deverão ajustar-se a novos critérios que as obriguem a promover arrendamentos acessíveis se desejarem manter as suas vantagens fiscais. Esta medida foi recebida por alguns atores do setor como um “castigo” àquelas socimis centradas no setor residencial, embora se admita que o impacto poderia ter sido mais severo, já que não afeta aquelas entidades que se dedicam a outros ativos como centros de dados, escritórios ou logística, que são a maioria.

    12. Novo Plano Estatal de Habitação

    Previsto para 2026, este plano priorizará os grupos vulneráveis, jovens e idosos, oferecendo apoios adaptados às suas necessidades e condições. Procura atender aos desafios estruturais do mercado imobiliário, fomentando a inclusão e a acessibilidade.

    Estas medidas representam um esforço integral para enfrentar a crise da habitação em Espanha. No entanto, segundo o especialista da Urbanitae “é necessário que os maiores esforços se concentrem em aumentar o parque de habitações nos principais polos de procura, dando maior agilidade administrativa para fabricar solo de uso residencial, conceder licenças com mais rapidez e reduzir os entraves ao sistema financeiro (tanto bancos como alternativo) para que acompanhe com recursos económicos a importante quantidade de habitações que precisam de ser construídas; e para que os compradores possam aceder à compra, outra medida pode ser reduzir os impostos para a compra da primeira habitação”.

  • O ‘residencial de neve’ atrai o interesse dos investidores

    O ‘residencial de neve’ atrai o interesse dos investidores

    O mercado imobiliário em zonas próximas de estações de esqui goza de boa saúde. A uma alta procura no período invernal, junta-se o seu crescente atrativo como destino turístico fora desta temporada, pelas possibilidades que oferece o ambiente natural da alta montanha.

    Em locais como Aspen, no estado norte-americano do Colorado, o preço médio das habitações ultrapassa os 29.000 euros por metro quadrado, podendo atingir os 114.000 euros no caso das habitações mais luxuosas. Destinos de luxo europeus, como St. Moritz, na Suíça, também chegam a ultrapassar os 100.000 euros por metro quadrado.

    Embora em Espanha ainda não nos encontremos nestes níveis, a procura e o valor destes ativos imobiliários aumentaram consideravelmente. De facto, em algumas zonas, o custo por metro quadrado chega a equiparar-se ao de bairros centrais de Madrid, como Chamberí ou Chamartín, segundo um estudo do portal Idealista para o Expansión.

    Quais são as estações de esqui mais procuradas pelos investidores?

    Baqueira Beret. No topo do ranking encontra-se esta estação do Pirineu catalão, com um preço médio de 5.589 euros por metro quadrado. A escassez da oferta e uma forte presença de capital estrangeiro são duas das razões para a sua alta cotação.

    Formigal. Para além de contar com uma vasta extensão de pistas, esta estação tem vindo a experimentar um importante desenvolvimento turístico nos seus arredores. O custo médio do metro quadrado é de 3.647 euros, tornando-se na zona mais cara da província de Huesca.

    Sierra Nevada. Dependendo da localização, a estação granadina oferece diferentes possibilidades: desde os 3.165 euros o m² na chamada “zona baixa”, núcleo da estação; passando pelos 2.589 euros m² da “zona alta”, mais tranquila e residencial; até à mais acessível “zona média”, onde o preço é de 2.582 euros m².

    Cerler. No quarto lugar da lista encontra-se esta estação onde o residencial tem um custo médio de 3.059 euros por m². Um local familiar, cada vez mais presente nos objetivos dos investidores, atraídos pelo encanto da zona e pela sua integração na natureza.

    Candanchú. A terceira estação de Huesca que aparece no ranking tem ativos com um preço médio de 2.213 euros por metro quadrado. A união com a estação de Astún está a revitalizar a zona, que até agora se nutria de visitantes habituais e agora atrai a atenção de novos investidores.

    Copropriedade em estações de esqui

    A compra de um imóvel completo não é a única fórmula para investir em áreas de neve e alta montanha. A copropiedade tem-se consolidado como uma alternativa muito interessante para quem procura este tipo de segunda habitação. A empresa Vivla já gere 10 habitações de luxo sob este regime em Baqueira Beret, com preços que variam entre os 65.000 e os 175.000 euros por fração.

    A proposta da Vivla permite adquirir uma oitava parte destas residências, o que garante mais de 42 dias de uso por ano com todas as comodidades de uma casa própria, mas sem os custos e complicações habituais.

    Investir a partir de 500 euros

    O crowdfunding também chegou ao residencial de esqui. Um bom exemplo disso é o projeto de financiamento participativo lançado pela Urbanitae para a última fase da promoção Pleta Arriu, desenvolvida pela Avintia Inmobiliaria numa das zonas mais exclusivas do vale de Arán. Com um investimento mínimo a partir de 500 euros, centenas de pequenos investidores puderam beneficiar de uma rentabilidade total de 14,9% (21 meses).

    Quer seja como segunda residência ou pela interessante rentabilidade que oferece durante a temporada de neve e como destino de turismo rural, esta tipologia de ativos consolidou-se como uma excelente oportunidade de investimento imobiliário. E, segundo os especialistas, continuará em ascensão nos próximos anos.

  • Propósitos de ano novo: onde investir com os tipos de juros em descida

    Propósitos de ano novo: onde investir com os tipos de juros em descida

    Começar o ano novo com objetivos claros pode fazer a diferença na sua economia. No entanto, para que esses objetivos não fiquem pelo caminho, é necessária alguma planificação. Um dos objetivos mais comuns, embora muitas vezes esquecido, é melhorar as finanças pessoais. Para quem deseja fazer crescer o seu património e procurar oportunidades de investimento, 2025 chega com incertezas, mas também com opções interessantes.

    Inflação controlada e redução dos tipos de juros

    O contexto macroeconómico mundial encontra-se num momento turbulento. O regresso de Donald Trump à Casa Branca deveria impulsionar os mercados financeiros. No entanto, o perigo de uma guerra comercial, não só com a China, mas também com outras economias, como a europeia, devido à imposição de novas tarifas, ou a nova ameaça da intervenção no Canal do Panamá, pode ter repercussões negativas nas economias globais e resultar num aumento da inflação, que o Banco Central Europeu (BCE) considerava já controlada após fechar 2024 em 2,4%.

    Embora os especialistas peçam cautela, a realidade é que esta estabilização resultou numa aceleração da descida dos tipos de juros na Europa, que se espera que atinjam este ano os 2%, 50 pontos percentuais abaixo do nível neutro.

    Neste quadro, cheio de inquietações, surge uma questão chave: onde é melhor investir o nosso dinheiro para não perder com a inflação?

    Na hora de escolher onde investir o nosso capital, é necessário considerar muitos aspetos. Apostar apenas num único setor pode ser um erro, ou apostar apenas num tipo de ativo pode não ser benéfico. Em períodos de incerteza política e económica, construir um portfólio diversificado e equilibrado é fundamental para mitigar os riscos que cada investidor pode assumir.

    Vale a pena começar a investir em obrigações?

    Para o investidor de retalho, a descida dos juros teve um impacto significativo na perda de interesse pelos produtos de obrigações, com pouco risco, oferecidos pelos bancos, como contas remuneradas ou depósitos, que dificilmente superaram, mesmo nos seus melhores momentos, os títulos do governo, como as letras do Tesouro em Espanha.

    No entanto, fora destes produtos básicos, e com base nas futuras descidas previstas pelo Banco Central Europeu (BCE), a Schroders prevê, no seu relatório sobre Obrigações 2025, um ano promissor para este tipo de ativos, especialmente as obrigações corporativas, que agora se posicionam nos portfólios não só pelo seu atrativo potencial de gerar rendimentos com risco praticamente nulo, mas também pelas suas oportunidades de valorização de capital e a sua capacidade de atuar como um ativo diversificador face a outros ativos cíclicos.

    E as ações?

    Com este novo cenário de juros baixos, as ações afirmam-se como um dos cavalos vencedores de 2025 para os investidores com maior tolerância ao risco. Nesse sentido, as principais gestoras de fundos indicam as ações, sobretudo das empresas norte-americanas, como um dos ativos com maior potencial de rentabilidade e ao qual se deveria atribuir maior peso nos portfólios.

    Além disso, a já mencionada vitória de Trump, firme defensor dos ativos digitais, fez disparar o valor de criptomoedas como o Bitcoin, que alcançou máximos históricos em dezembro do ano passado. Graças a este novo horizonte, BlackRock, Fidelity e Morgan Stanley começaram a aumentar a sua exposição aos criptoativos, com alocações entre 1% e 3%. Outras entidades, como Franklin Templeton, estão a dar um passo além com o lançamento de ETFs combinados de Bitcoin e Ethereum. Precisamente, o relatório Crypto Market Outlook 2025, realizado pela Sygnum, o primeiro banco de ativos digitais do mundo, considera o lançamento deste tipo de veículos de investimento como um dos grandes impulsionadores das criptomoedas, que viram a sua procura aumentar substancialmente.

    A regulamentação deste tipo de ativos, antes muito escassa, também será um motor de mudança durante 2025 com a chegada do MiCA, o primeiro quadro regulador do mundo que introduzirá requisitos mais rigorosos para os fornecedores de serviços de criptoativos, incluindo licenças, prevenção de abusos de mercado e controlo contra o branqueamento de capitais.

    Mercado imobiliário: um investimento de baixo risco e rentabilidade a dois dígitos

    Para os investidores mais conservadores, que não querem assumir riscos, mas também não querem perder rentabilidade, ainda existem algumas alternativas atraentes com os juros em descida: o mercado imobiliário.

    Dentro das oportunidades que o Real Estate oferece fora do circuito habitual de compra e venda, destaca-se o crowdfunding imobiliário, que permite aos investidores de retalho investir em projetos imobiliários de nova construção com pouco dinheiro, ao ter um valor mínimo de entrada a partir de 500 euros, e com uma rentabilidade significativa através de diferentes fórmulas como o crowdlending ou dívida, equity ou rendas.

    Assim, os projetos da Urbanitae oferecem uma rentabilidade média de 17% em prazos médios (de 1 a 3 anos) e colocam um foco importante no impulso de projetos não só residenciais, mas também de outros tipos de construções como arrumos, habitações turísticas ou locais comerciais, entre outros. A consultora CBRE já apontava no seu relatório sobre Tendências em Avaliações de Ativos Imobiliários 2024 os ativos que continuarão a ser chave no investimento, como logística, residências de estudantes e build-to-rent. As cidades mais beneficiadas são Madrid, Barcelona, Valência e Saragoça, com uma evolução de 6% durante 2024. Além disso, o relatório mostra números valiosos relativamente ao solo da zona cantábrica da Galiza, Levante e Costa do Sol, com uma evolução média de 5,50% no ano passado.

  • Madrid é a segunda capital europeia mais atrativa para o investimento imobiliário

    Madrid é a segunda capital europeia mais atrativa para o investimento imobiliário

    Com um crescimento imparável, Madrid posiciona-se como uma das referências no panorama imobiliário europeu. A capital espanhola subiu várias posições com força, tornando-se a segunda cidade mais atrativa do continente, superada apenas por Londres, de acordo com o relatório Emerging Trends in Real Estate Europe 2025” da PwC e Urban Land Institute (ULI). Esta evolução reflete o crescente interesse que Madrid desperta entre os investidores, graças ao seu sólido crescimento económico e à sua qualidade de vida.

    Madrid subiu seis lugares desde 2020, alcançando o seu melhor resultado histórico nesta 23ª edição do relatório. Entre as dez principais cidades, é a única a melhorar a sua posição em relação ao ano anterior.

    Atractivos em relação a outras cidades

    A capital de Espanha apresenta-se como uma cidade cheia de oportunidades para quem pretende investir no setor imobiliário. A sua estabilidade económica e política, combinada com uma população crescente, torna-a um ambiente seguro e estimulante. Além disso, a sua capacidade de atrair turistas, estudantes internacionais e imigrantes reforça a sua posição como uma das cidades mais dinâmicas da Europa, como é refletido no relatório. Os investidores também valorizam outros aspectos cotidianos, como a elevada qualidade de vida que oferece.

    O ‘Top 10’ imobiliário na Europa

    Apesar do ascenso de Madrid, Londres continua no topo do ranking. A sua resiliência e capacidade de atrair capital mantêm-na como o mercado mais forte da Europa. Paris, embora tenha cedido a sua posição a Madrid, continua a ser um mercado de relevo, enquanto Berlim ocupa o quarto lugar. Entretanto, outras cidades alemãs como Munique, Frankfurt e Hamburgo mostram sinais de recuperação após um período de incerteza económica. Estas cidades subiram posições, consolidando-se no ‘Top 10’ juntamente com cidades como Amesterdão (6ª), Milão (7ª) e Lisboa (10ª), seguidas de outras como Barcelona, Varsóvia, Viena e Bruxelas.

    Madrid vs. Barcelona

    Enquanto Madrid se consolida como um destino de referência, Barcelona cede o 10º lugar a Lisboa e passa para o 11º posto. Este retrocesso é atribuído às restrições no investimento estrangeiro e às políticas habitacionais menos favoráveis na Catalunha.

    Em contraste, Madrid soube posicionar-se como um centro estratégico graças à sua abertura ao capital internacional e ao seu foco no desenvolvimento sustentável.

    Crescimento do setor residencial e de luxo na capital

    Madrid também se tornou uma referência internacional no segmento premium, competindo com grandes rivais como Londres e Nova Iorque. Em parte, isso deve-se ao aumento das branded residences e ao interesse, principalmente, das grandes fortunas estrangeiras (maioritariamente latino-americanas), a ponto de se atingirem preços nunca vistos. Segundo dados da Idealista, o preço por metro quadrado na capital espanhola alcançou os 25.000 euros em algumas promoções exclusivas. No entanto, Madrid continua a oferecer propriedades de alta gama a preços mais acessíveis do que outras capitais europeias.

    Como é sublinhado pela imobiliária K&N Elite no Fotocasa, “a capital espanhola oferece oportunidades excecionais para quem procura um mercado seguro e com um grande potencial de crescimento a longo prazo.” Em 2024, cerca de 50% das habitações adquiridas na Comunidade de Madrid estarão localizadas na capital, e 7% destas serão adquiridas por investidores internacionais. Este crescente interesse, principalmente proveniente de compradores da América Latina e dos Estados Unidos, consolidou Madrid como um dos cinco mercados mais atrativos da Europa para o investimento em imóveis de luxo, especialmente em bairros emblemáticos como Salamanca, Almagro e Chamberí.

    Otimismo para 2025

    Espera-se que o investimento imobiliário em Madrid continue a crescer, impulsionado por setores como o hoteleiro, o desenvolvimento de habitação, as residências e alojamentos para estudantes, bem como os centros de dados (a cidade lidera este mercado na Europa, com um crescimento projetado de 54% na capacidade até 2024). A possível estabilização e redução das taxas de juro facilitarão também o financiamento de grandes operações, consolidando ainda mais Madrid como um epicentro de oportunidades imobiliárias na Europa, de acordo com as previsões da PwC e Urban Land Institute (ULI).

    Com o crescente afluxo de investidores internacionais e o desenvolvimento dos projetos imobiliários previstos para 2025, o futuro de Madrid no setor imobiliário parece muito promissor.

  • A realidade do mercado de construção nova em Espanha

    A realidade do mercado de construção nova em Espanha

    O mercado de construção nova em Espanha está repleto de desafios e oportunidades. Todos os anos, milhares de compradores consideram a aquisição de uma habitação nova pelas suas vantagens em termos de eficiência energética, personalização e modernidade. No entanto, as barreiras económicas e a falta de oferta disponível continuam a afectar o sector. O relatório anual do Fotocasa revela dados-chave sobre as preferências, limitações e tendências que definem o panorama actual.

    Apesar das dificuldades, a procura por construção nova continua a ser motivada por razões pessoais e financeiras. Entre os compradores, a principal motivação é melhorar a habitação actual, além de considerar o investimento imobiliário como uma aposta segura a longo prazo. Contudo, a falta de oferta e os problemas estruturais, como a escassez de terrenos, a lentidão burocrática e o aumento dos custos dos materiais, continuam a ser desafios significativos para o mercado de construção nova.

    A procura por construção nova: expectativas e realidade

    65% dos compradores particulares consideraram adquirir uma habitação de construção nova nos últimos 12 meses, mas apenas 45% concretizaram a compra, enquanto 54% optaram por habitações em segunda mão. A principal razão para descartar a construção nova é o preço elevado, um factor que ganhou ainda mais relevância em 2024.

    A falta de oferta disponível é a segunda razão mais mencionada por aqueles que acabam por abandonar a construção nova, representando 36% dos casos. Além disso, 17% dos compradores indicaram que as condições de pagamento e os custos iniciais constituem uma barreira importante, enquanto 14% referem que as poupanças esperadas não se concretizam.

    María Matos, directora de Estudos e porta-voz do Fotocasa, sublinha que a escassez de oferta de habitação nova aumenta os preços e que a solução não é simples. A construção de habitações enfrenta vários obstáculos, como a dificuldade dos promotores em obter financiamento e adquirir terrenos, a burocracia, o aumento dos custos dos materiais e a falta de mão-de-obra qualificada. Esta combinação de factores levou a uma baixa produção de habitações que persiste há mais de quinze anos, desacelerando o desenvolvimento urbanístico.

    Razões para escolher construção nova

    Apesar das barreiras, muitas pessoas continuam a ver a habitação nova como um investimento a longo prazo, embora esta percentagem tenha diminuído em relação aos anos anteriores. Esta abordagem baseia-se na ideia de que os imóveis podem oferecer uma rentabilidade estável, especialmente em comparação com outros produtos financeiros. Um dado positivo é que a eficiência energética continua a ser um factor atractivo, sobretudo para os jovens compradores entre os 25 e os 34 anos. A procura por habitações energeticamente eficientes reflete tanto uma preocupação ambiental como a necessidade de reduzir os custos a longo prazo.

    Em termos de qualidade, as habitações novas oferecem certas vantagens valorizadas pelos compradores, como melhores acabamentos, materiais de construção actualizados e tecnologias integradas que respondem às exigências modernas de sustentabilidade e conforto.

    Desafios do sector e futuro do mercado de construção nova

    O mercado de construção nova em Espanha enfrenta um problema estrutural de falta de oferta devido a uma combinação de factores, que vão desde a dificuldade em obter financiamento até à escassez de mão-de-obra qualificada. A crise da construção durante os anos de recessão deixou uma marca profunda no sector, que demorou mais de uma década a começar a recuperar. Actualmente, os promotores enfrentam a lentidão burocrática na obtenção de licenças, o aumento dos custos dos materiais de construção e a dificuldade em aceder a terrenos urbanizáveis, o que desacelerou significativamente a produção de novas habitações.

    No aspecto financeiro, o aumento das taxas de juro também reduziu a capacidade de compra de muitas pessoas,obrigando os promotores a ajustar as suas estratégias. A isto soma-se a crescente procura por habitação em áreas urbanas como Madrid, Barcelona e outras cidades turísticas, que concentraram um défice de habitação nova de 50% do total nos últimos anos, segundo dados do Banco de Espanha.

    O mercado de construção nova em Espanha é um cenário complexo onde convergem diferentes factores, desde os preços e a falta de oferta até às expectativas dos compradores e aos desafios do sector da construção. Embora os dados mostrem que a procura por construção nova continua a ser considerável, as barreiras de acesso limitam o seu crescimento. É necessário um enfoque integrado que inclua a redução dos custos de produção, a melhoria da eficiência energética e a agilização dos processos administrativos para promover um desenvolvimento equilibrado e sustentável neste sector.

    O mercado de construção nova deverá consolidar-se como uma opção viável para quem procura melhorar a sua habitação actual ou investir a longo prazo. A chave será encontrar o equilíbrio entre as necessidades dos compradores e as limitações do sector, para oferecer soluções acessíveis e de qualidade para todos.

  • Tendências de investimento imobiliário 2025

    Tendências de investimento imobiliário 2025

    O setor imobiliário prepara-se para um ano chave em 2025, marcado pela recuperação e novas oportunidades de investimento a nível global. De acordo com o relatório anual Global Investor Outlook 2025 da Colliers, o próximo ano promete ser um período de otimismo sustentado por condições de mercado mais sólidas. Este relatório detalha as tendências, riscos e oportunidades mais relevantes que irão definir o panorama do investimento imobiliário na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África).

    Entre as principais projeções para 2025, a Colliers destaca uma melhoria significativa da liquidez do mercado, impulsionada pela esperada redução das taxas de juro. Esta diminuição, combinada com o aumento do interesse por ativos de alta qualidade e com critérios ESG (ambientais, sociais e de governação), posiciona a Europa como um destino preferencial para os investidores globais. Além disso, o relatório sublinha a importância de adaptar-se a um ambiente em mudança, onde as estratégias de investimento em ativos alternativos e a renovação de espaços tradicionais irão desempenhar um papel essencial.

    EMEA lidera a recuperação

    O setor imobiliário na região EMEA prepara-se para uma recuperação gradual em 2025, sustentada por condições de mercado mais estáveis e por um interesse crescente em ativos de alta qualidade. Esta recuperação reflete-se no aumento de investimentos destinados à renovação e reconversão de escritórios, com cerca de 20% das aquisições recentes focadas na melhoria da sua funcionalidade ou na adaptação do seu uso. Esta abordagem sublinha a flexibilidade do setor em ajustar-se às necessidades atuais.

    Adicionalmente, prevê-se que a redução das taxas de juro facilite uma maior liquidez no mercado, colmatando as lacunas entre oferta e procura e estimulando a atividade em setores chave como escritórios, indústria/logística (I&L) e residencial. Estes melhoramentos prometem aliviar as tensões financeiras observadas nos últimos anos, criando um ambiente mais favorável para as transações imobiliárias.

    Foco em ativos sustentáveis e alternativos

    Um dos eixos centrais para 2025 será o interesse por ativos de alta qualidade que cumpram os critérios ESG. Em particular, os mercados de escritórios, I&L e residencial estão a atrair investimentos significativos. As estratégias de renovação para melhorar a qualidade dos ativos ou para os converter em novos usos estão a ganhar força na Europa, consolidando a sua relevância no mercado.

    Outro segmento em crescimento é o dos ativos alternativos, como os centros de dados, impulsionados pela crescente procura por armazenamento digital e pela consolidação da inteligência artificial. No entanto, desafios como a regulamentação e o fornecimento de energia podem limitar o crescimento em alguns mercados, beneficiando aqueles com maior capacidade de adaptação.

    Impulso aos ativos residenciais

    O investimento em ativos residenciais, especialmente em habitação para estudantes e idosos, continua a ganhar força. Este segmento beneficia das tendências demográficas e do desequilíbrio entre oferta e procura, oferecendo rendimentos estáveis a longo prazo. Cidades universitárias chave como Madrid, Barcelona, Milão e Paris são pontos de interesse prioritários para os investidores.

    Por outro lado, o mercado de Senior Living está a experienciar um crescimento significativo, sustentado pelo envelhecimento da população na Europa. Esta situação está a criar oportunidades atraentes para investidores interessados em ativos com grande procura e perspetivas de rendimentos estáveis.

    Perspetivas para a Espanha

    No contexto europeu, a Espanha posiciona-se como um dos mercados mais atractivos para o investimento imobiliário em 2025. O seu baixo nível de endividamento, o desajustamento entre oferta e procura e a sua liderança como destino turístico global consolidam a sua posição como um destino chave para o capital internacional.

    A atratividade da Espanha também se deve à sua posição como líder mundial em turismo, o que favorece os investimentos em setores como hotéis, centros comerciais e habitação turística. Este potencial, combinado com uma maior liquidez no mercado, promete estimular o apetite dos investidores nos próximos anos.

    Conclusão

    O relatório Global Investor Outlook 2025 da Colliers apresenta um panorama encorajador para os investimentos imobiliários, com a Europa e, em particular, a Espanha, como protagonistas chave. A combinação de condições de mercado mais favoráveis, um foco renovado na sustentabilidade e a crescente procura por ativos residenciais e alternativos promete um ano de oportunidades estratégicas para os investidores.

    No entanto, é necessário lembrar a importância de uma regulamentação adequada para a compra de imóveis em Espanha com fins de investimento. Apesar de ter uma posição favorável devido ao fluxo económico e ao turismo, a situação atual do mercado imobiliário em Espanha apresenta um desafio iminente para os seus residentes. Uma resposta coordenada é necessária para que o investimento estrangeiro seja visto como vantajoso e não como um agravamento do défice existente entre oferta e procura.

  • Oportunidades no setor imobiliário europeu para 2025

    Oportunidades no setor imobiliário europeu para 2025

    O setor imobiliário na Europa entra em 2025 com um renovado otimismo, de acordo com o último relatório da Cushman & Wakefield. As previsões destacam um crescimento significativo em vários segmentos chave, como escritórios, retalho e logística, enquanto setores como a habitação enfrentam desafios persistentes. A consultora antecipa um período de recuperação e expansão impulsionado pela melhoria das condições macroeconómicas e pela maior confiança empresarial e do consumidor. Embora existam alguns desafios no setor residencial, as boas perspectivas em outros segmentos abrem um leque de oportunidades para investidores à procura de ativos estratégicos.

    Escritórios: crescimento sustentado das rendas

    O segmento de escritórios surge como um dos motores do setor em 2025. Entre janeiro e setembro de 2024, foram arrendados 7,4 milhões de metros quadrados de espaço para escritórios na Europa, um aumento de 3% em relação ao mesmo período de 2023. A Cushman & Wakefield prevê um aumento médio das rendas de 1,9% em 2025, destacando Lisboa, Barcelona e outras capitais europeias como Londres e Bruxelas como mercados chave.

    Em Madrid, o arrendamento de escritórios atingiu um recorde de 190.000 metros quadrados no terceiro trimestre, impulsionado pela procura por espaços prime, apesar da oferta limitada, com preços superiores a 41 €/m². A escassez no centro da cidade deslocou a procura para a periferia, onde a atividade aumentou. Em contraste, Barcelona registou um crescimento de 50% no mesmo período, embora com um volume inferior de 61.000 m².

    No que diz respeito aos preços, durante o terceiro trimestre de 2024, Madrid superou Barcelona no preço médio de arrendamento de escritórios, segundo um relatório da consultora MVGM. O estudo destaca que o preço médio do arrendamento na capital portuguesa é de 24 euros por metro quadrado, em comparação com os 19,6 euros registados em Barcelona.

    Retalho: o renascimento dos parques de médias superfícies

    No setor de retalho, os ativos de alta qualidade prometem consolidar-se como uma opção de investimento atraente. Os parques de médias superfícies destacam-se face aos centros comerciais tradicionais e às lojas na rua (high street), segundo a Cushman & Wakefield. Esta recuperação é favorecida por uma inflação mais controlada e pela melhoria das perspetivas económicas na Europa.

    Entre 2021 e o primeiro semestre de 2024, a moda liderou as transações imobiliárias no retalho, representando 29% do total, seguida de alimentos e bebidas (16%) e artigos pessoais (14%). Em 2025, espera-se que a diversificação nas categorias de consumo continue a atrair investidores, embora a incerteza em mercados como Polónia, Alemanha e Reino Unido possa limitar um crescimento mais acelerado.

    Logística: um ponto de viragem

    O mercado logístico, que tem mostrado estabilidade durante 2024, encontra-se num momento chave. Os indicadores sugerem que 2025 será o ano de um aumento da atividade, impulsionado pela maior confiança económica e empresarial. A absorção logística superou consistentemente os 30 milhões de metros quadrados por trimestre durante 2024. Apesar dos desafios, como as taxas de desocupação mais altas em mercados como Barcelona, espera-se uma recuperação gradual, graças à procura sustentada de ativos logísticos modernos e bem localizados.

    Habitação: desafios estruturais

    O setor residencial continua a ser o “calcanhar de Aquiles” do mercado imobiliário europeu. A Cushman & Wakefield salienta que não se vislumbram soluções imediatas para equilibrar a oferta e a procura. A conclusão de obras em 2024 não atingiu as expectativas, e os indicadores futuros, como o início de novas construções e os licenciamentos de obras, refletem uma situação desigual para 2025.

    Em Portugal, por exemplo, a população está projetada para crescer 4% nos próximos 15 anos, segundo as projeções da Moody’s Analytics, que são também citadas pela Cushman & Wakefield, o que aumentará a pressão sobre um mercado residencial já limitado. O investimento no segmento Living em Europa atingiu os 40.000 milhões de euros em 2024, mas ainda é insuficiente para enfrentar os desafios estruturais do setor.

    Hotéis: entre a recuperação e a expansão

    O setor hoteleiro, por sua vez, está a deixar para trás os anos de recuperação para entrar numa fase de expansão. A oferta de hotéis de luxo na Europa crescerá até 7% em 2025 em relação a 2023, enquanto as categorias gerais continuarão a apresentar aumentos moderados.

    Lisboa e Barcelona destacam-se no panorama português, com a oferta hoteleira prevista para crescer 1% em 2024 e 3% em 2025. A melhoria no desempenho e uma crescente atividade transacional impulsionarão a consolidação deste segmento como uma opção interessante para os investidores.

  • Financiamento alternativo: chave para o setor imobiliário nos próximos três anos

    Financiamento alternativo: chave para o setor imobiliário nos próximos três anos

    72 mil milhões de euros. Este é o volume de financiamento que o setor imobiliário necessitará nos próximos três anos, de acordo com o relatório “The Lending Property Telescope”, elaborado pela consultora EY. Deste montante, 56 mil milhões de euros serão direcionados para projetos “geradores de rendimento”, enquanto os 16 mil milhões restantes serão destinados à promoção de habitações para venda a retalho.

    As dificuldades no acesso ao capital num contexto de taxas de juro elevadas têm sido uma constante ao longo de 2024. Este contexto, segundo a análise, beneficiou os fundos de dívida, que agora representam 21% do volume (2,3 mil milhões de euros).

    No entanto, os bancos espanhóis mantiveram um papel relevante na concessão de crédito. Mais de 6,8 mil milhões de euros (excluindo hipotecas para particulares e promotores) conferem-lhes uma quota de mercado de 63% e uma exposição total de 35 mil milhões de euros em dívida. A atividade da banca internacional manteve-se ao mesmo nível do ano anterior, uma estabilização que se deve, em grande parte, à ausência de operações “core”.

    Em que diferem os empréstimos dos fundos de dívida daqueles concedidos pelos bancos?

    O relatório da EY indica que o prazo médio dos empréstimos bancários ronda os seis anos, enquanto os concedidos por fundos de dívida têm uma duração inferior a três anos. Isto deve-se à sua natureza “Value Added”, que consiste em apoiar os investidores nas fases iniciais do plano de negócios até alcançar a estabilização, com um fator de risco associado à natureza do projeto. O contexto regulamentar, muito mais exigente para os bancos, também influencia esta diferença.

    Este prazo médio mais curto tem levado, nos últimos anos, a uma maior dinamização do crédito, aumentando a concorrência e melhorando as condições para os investidores. O desenvolvimento de produtos cada vez mais inovadores, bem como a colaboração entre financiadores tradicionais e alternativos, é outra consequência deste novo cenário de financiamento.

    Financiamento alternativo: o crescimento do crowdfunding imobiliário

    Neste cenário, o financiamento alternativo continua a ganhar terreno, a ponto de os especialistas preverem que será fundamental nos próximos três anos. Durante este período, a dívida necessária para o desenvolvimento ou renovação de projetos atingirá 20,7 mil milhões de euros (37% do total estimado de 56 mil milhões de euros).

    No âmbito do financiamento alternativo, o crowdfunding está cada vez mais consolidado e continua a crescer.

    De acordo com uma análise realizada pela Urbanitae, com base em informações públicas das principais plataformas de financiamento coletivo que operam em Espanha, o volume financiado registou um crescimento de 71% em termos anuais entre janeiro e agosto de 2024. Esta tendência positiva dá continuidade à evolução do ano anterior, que registou um aumento de 84% em relação a 2022.

    Esta tendência também se verifica na Europa. Embora os dados finais de 2024 ainda não estejam disponíveis, o Relatório de Crowdfunding Imobiliário 2023, elaborado pelo Politécnico de Milão e pela Walliance, indica que este setor atingiu, em 2023, um financiamento acumulado de 52,7 mil milhões de euros a nível global. Na Europa, as principais plataformas angariaram mais de 12,4 mil milhões de euros, destacando-se mercados em forte crescimento como França, Alemanha e Itália.

  • Flex living: a tendência do alojamento flexível avança em Espanha

    Flex living: a tendência do alojamento flexível avança em Espanha

    Nos últimos anos, o flex living tem ganhado popularidade em Espanha como uma solução inovadora face à crise habitacional e à crescente procura por flexibilidade. Este modelo, que combina a flexibilidade de estadias curtas com as necessidades em constante mudança da sociedade atual, responde às limitações do mercado imobiliário tradicional e começa a desempenhar um papel fundamental nas grandes cidades. Neste artigo, explicamos o que esta tendência realmente implica, como está a evoluir em Espanha e as novas oportunidades que podem surgir para investidores e promotores.

    O que é o flex living e por que está a crescer?

    O termo flex living refere-se a um conjunto de alternativas residenciais que oferecem soluções temporárias ou flexíveis para diferentes tipos de utilizadores. Estas incluem arrendamentos a curto prazo, residências para estudantes, coliving, build-to-rent e outras opções que combinam os benefícios da habitação com a flexibilidade que é especialmente procurada por jovens profissionais e nómadas digitais.

    A recente expansão do flex living em Espanha deve-se a vários fatores. Um dos mais importantes é o aumento do custo da habitação, especialmente nas grandes cidades, onde a compra de uma propriedade ou até o arrendamento a longo prazo se tornaram inacessíveis para muitos. Para além disso, a pandemia acelerou uma tendência de teletrabalho que já estava a ser normalizada em alguns setores e que se consolidou nos anos seguintes.

    O desafio do financiamento e o papel do crédito alternativo

    Uma das barreiras que o flex living tem enfrentado em Espanha é o acesso ao financiamento tradicional. Visto que este modelo é relativamente novo, os bancos comerciais têm adotado uma postura cautelosa, exigindo métricas e um histórico que ainda está em desenvolvimento. De acordo com um relatório recente da Colliers, o financiamento alternativo tem sido a principal fonte de apoio para estes projetos emergentes. Atualmente, representa cerca de 10% do mercado imobiliário espanhol.

    A consolidação do financiamento alternativo tem permitido aos promotores aceder a níveis mais elevados de alavancagem financeira, embora com um custo superior, que em alguns casos se aproxima de dois dígitos. No entanto, dado que os rendimentos podem ultrapassar os 15% nestes projetos, muitos investidores optam por assumir esses custos. À medida que o flex living continua a crescer, espera-se que o mercado forneça as métricas necessárias para que os bancos tradicionais possam oferecer um financiamento mais estruturado e a um custo mais baixo.

    Um exemplo da aposta neste modelo de negócios é Oceánika, um projeto promovido pela Urbanitae em Torremolinos (Málaga). Localizado numa área de alta procura, este projeto transformou um antigo hotel em um flex living, ou seja, um complexo de 180 quartos com uma zona comercial e várias comodidades. O objetivo deste projeto, financiado pela Urbanitae, é atrair tanto nómadas digitais como jovens profissionais que procuram uma alternativa moderna aos arrendamentos tradicionais. Esta iniciativa demonstra não só a capacidade de inovação do setor, mas também o seu apelo para os investidores.

    Perspetivas e desafios do alojamento flexível

    Embora as perspetivas para o flex living sejam otimistas, o setor ainda enfrenta vários desafios. O acesso ao financiamento é um dos mais relevantes. No entanto, à medida que os projetos em curso provarem a sua viabilidade comercial, espera-se que os bancos flexibilizem os seus requisitos e aumentem o acesso ao crédito com custos mais baixos e um efeito de alavancagem mais atrativo.

    Além disso, a falta de uma regulamentação específica para o flex living tem-se tornado uma barreira, principalmente no que diz respeito ao seu desenvolvimento em terrenos destinados a uso terciário. A incerteza jurídica tem sido um desafio para muitos promotores que tentam adaptar espaços não residenciais a este modelo.

    Apesar desses desafios, é importante notar que Madrid acumula grande parte da oferta, com mais de 6.000 camas disponíveis e quase 16.000 em projeto. Barcelona, por sua vez, tem 2.200 camas e nos próximos anos prevê-se a adição de 2.600 novas camas. Outros centros urbanos com maior oferta são Valência, Guipúzcoa, Málaga e Vizcaya.

    Em resumo, o flex living emergiu como uma resposta inovadora e versátil à crise habitacional em Espanha. Apesar dos desafios em termos de financiamento e regulamentação, o seu crescimento está a tornar-se cada vez mais evidente, impulsionado pela procura de soluções habitacionais flexíveis e acessíveis.

    Projetos como Oceánika demonstram como este modelo pode oferecer rendimentos atrativos para os investidores, enquanto satisfaz as necessidades de uma nova geração de residentes urbanos. Num futuro próximo, é provável que vejamos uma maior consolidação desta nova forma de habitação, com uma oferta financeira mais estruturada e uma regulamentação mais clara que facilite a sua expansão.

  • Porque é que as empresas apostam nos escritórios flexíveis?

    Porque é que as empresas apostam nos escritórios flexíveis?

    Os escritórios flexíveis referem-se a espaços de trabalho que permitem aos empregados escolher quando e onde trabalhar, num ambiente partilhado e adaptável. Isto pode incluir desde postos de trabalho “hot-desk” (secretárias partilhadas usadas por turnos) até salas de reuniões temporárias e espaços de trabalho colaborativo. O importante é que estes espaços possam ser configurados conforme as necessidades do momento, promovendo um ambiente dinâmico que vai muito além da estrutura tradicional.

    A transformação dos espaços de trabalho nos últimos anos tem sido notável e, com a crescente procura por flexibilidade após a pandemia, o conceito de escritórios flexíveis emergiu como uma alternativa cada vez mais valorizada por empresas de diversos setores. Desde startups a empresas consolidadas, os escritórios flexíveis são vistos como uma solução moderna que se adapta às suas necessidades em constante mudança. Mas quem está a aderir a esta tendência e porque é que ela é relevante para o futuro do mercado imobiliário?

    Expansão e perspetivas de crescimento

    Os escritórios flexíveis têm registado uma expansão contínua nos últimos anos. De acordo com dados do novo relatório da JLL e ProWorkSpaces, em Madrid e Barcelona, a área total dedicada a estes espaços atingiu os 643.438 metros quadrados no primeiro semestre do ano, representando um aumento médio anual de 12% nos últimos cinco anos. As estimativas indicam que, até 2030, os espaços flexíveis representarão até 8% da área total de escritórios em ambas as cidades, marcando uma evolução significativa face aos 3% atuais em Barcelona e 2,3% em Madrid.

    A pandemia teve um impacto relevante nesta tendência, com mais de 200.000 metros quadrados introduzidos no mercado desde 2020, impulsionados pela necessidade de se adaptar a novos modelos de trabalho. A procura por estes espaços cresce especialmente entre empresas que procuram reduzir compromissos a longo prazo e garantir localizações estratégicas em áreas centrais.

    Este fenómeno é particularmente visível em Madrid, onde o distrito financeiro e o centro da cidade representam 84% da área total de escritórios flexíveis, enquanto em Barcelona o distrito 22@ — conhecido como o polo tecnológico e de inovação — alberga 43% destes espaços na cidade. Adicionalmente, encontram-se espaços flexíveis noutras cidades espanholas, como Saragoça, Logronho, Pamplona, Valência, Sevilha e Málaga, onde a ocupação está a crescer significativamente.

    Perfis das empresas: quem utiliza os escritórios flexíveis?

    Inicialmente, os escritórios flexíveis estavam sobretudo associados a empresas tecnológicas, atraídas pela possibilidade de escalabilidade e por um ambiente que favorece a colaboração e a inovação. Contudo, atualmente há uma maior diversificação nos perfis das empresas que optam por este modelo. Hoje em dia, embora as empresas tecnológicas continuem a liderar a ocupação, o setor financeiro tem ganho terreno, representando 23% das contratações de grandes escritórios em Madrid e Barcelona.

    Nas áreas mais periféricas, espaços mais pequenos são amplamente utilizados para atividades profissionais, como consultoria, serviços jurídicos e marketing, setores com uma forte presença de PMEs e trabalhadores independentes. A combinação de flexibilidade e custo competitivo alinha-se com as necessidades destas empresas, que valorizam a possibilidade de operar num ambiente profissional sem os custos e compromissos de um escritório convencional.

    Uma tendência que se consolida

    Para muitas empresas, a localização e a flexibilidade têm sido os fatores-chave na escolha de escritórios flexíveis. Em geral, os utilizadores destes espaços destacam que a proximidade aos centros urbanos é o principal atrativo. Além disso, os modelos de pagamento por utilização e a externalização de serviços como a limpeza e a manutenção têm ganho popularidade, facilitando às empresas o foco na sua atividade principal sem preocupações com a gestão operacional.

    Esta tendência não se limita a Espanha: escritórios flexíveis estão também a emergir noutros países europeus. As cidades no topo do ranking incluem, atualmente, Amesterdão e Utrecht, seguidas por Barcelona, Varsóvia, Milão e Madrid. Outras cidades no top 10 incluem Berlim, Praga, Lisboa e Paris.

    Conclusão

    O crescimento dos escritórios flexíveis em Espanha reflete uma crescente procura empresarial por maior flexibilidade e eficiência de custos. Com projeções de crescimento que apontam para uma quota significativa do mercado de escritórios até 2030, é evidente que estes espaços continuarão a transformar o panorama corporativo.

    A chave para as empresas está em analisar cuidadosamente as suas necessidades e escolher espaços que ofereçam tanto uma localização estratégica quanto a flexibilidade operacional necessária para se adaptarem a um mundo laboral em constante mudança. Nesse sentido, os escritórios flexíveis não são apenas uma resposta às necessidades atuais, mas também um investimento no futuro do trabalho.

  • Libelium, o IoT espanhol que está a conectar o mundo

    Libelium, o IoT espanhol que está a conectar o mundo

    Em 2006, o desenvolvimento da internet das coisas (IoT) ainda estava numa fase inicial. Alicia Asín e o seu sócio David Gascón estavam convencidos de que podiam fazer algo grande neste campo e lançaram a Libelium. A ambição dos primeiros tempos foi acompanhada de muita ilusão e uma certa dose de inconsciencia. Mas o resultado não poderia ter sido melhor, e hoje a empresa é um referente internacional e trabalha em mais de 120 países. Um dos domínios em que tem mais experiência são as smart cities, cidades conectadas que permitem monitorizar todo o tipo de parâmetros e nos ajudam a melhorar a gestão e a qualidade de vida. Alicia Asín, CEO e cofundadora da Libelium, fala-nos sobre tudo isso nesta entrevista.

    De um spin-off da Universidade de Saragoça a trabalhar em mais de 120 países. A Libelium representa o sonho de muitos empreendedores. Qual é a história desta empresa que hoje é um referente mundial no setor IoT?

    Nasceu em 2006 como um spin-off da Universidade de Saragoça, fruto da curiosidade e paixão pela tecnologia que partilhávamos, o cofundador David Gascón e eu, colegas de classe em Engenharia Informática. O nosso ponto de partida foi um projeto de fim de curso baseado em redes de sensores sem fios. Foi então que vimos um enorme potencial no IoT. Ninguém estava a fazer grandes coisas e acreditámos que podíamos ser esse referente internacional. Lançámos-nos mais com ilusão e inconsciencia, sem dúvida. Pensávamos que gerir uma empresa seria algo fácil e nada mais longe da realidade. Recomendaram-nos que nos especializássemos num nicho, nos concentrássemos em exportar para alguns países focos e em desenhar soluções proprietárias para preservar o nosso know-how. Pois bem, não fizemos nada disso. Não quero dizer que os conselhos não devessem ser tidos em conta, mas quando algo é tão inovador como era o IoT em 2006, devemos seguir o nosso próprio caminho e ir ajustando-nos às mudanças conforme elas surgem. No final, não nos correu mal, não?

    As soluções IoT são uma das principais tecnologias sobre as quais as smart cities estão a ser desenvolvidas. Até que ponto avançámos neste sentido?

    Quando começámos com o projeto Smart Santander em 2013, considerada uma das primeiras smart cities de Espanha, estávamos a dar os primeiros passos para criar uma cidade conectada. Instalámos uma rede de 1.125 dispositivos para monitorizar parâmetros como temperatura, ruído, luminosidade e qualidade do ar. Era uma prova de conceito (PoC) para demonstrar que os dados podiam ajudar-nos a compreender e a gerir melhor as nossas cidades.

    Aquilo era o que chamávamos o IoT 1.0; o que recolhia dados. Já veríamos o que faríamos depois, mas o principal era digitalizar as cidades para obter a maior quantidade de dados possível. Posteriormente, chegou o IoT 2.0. Agora que tínhamos os dados, tínhamos de decidir o que podíamos fazer com eles. Foi a época do big data e de superar o desafio da interoperabilidade: como fazer com que dados de fontes diferentes se entendessem entre si. Começámos a aplicar os primeiros modelos algorítmicos e a solidificar a ideia de que as diferentes câmaras municipais não deveriam operar como silos de dados: assim como para fazer políticas não se faz sem a consulta de outras áreas da câmara, os dados também devem estar disponíveis numa única plataforma-cidade.

    Na Libelium, gostamos de falar de “datocracia”: tomar decisões baseadas em dados para questões que devem ser técnicas e objetivas.”

    Agora estamos imersos na era da inteligência artificial (IA) para dar sentido a todos esses dados e poder, não só tomar decisões a posteriori, mas também prever e prevenir cenários futuros para evitar, por exemplo, engarrafamentos em datas específicas, picos de poluição em horas concretas ou situações de risco em infraestruturas críticas.

    A aplicação do IoT abrange múltiplas áreas da gestão urbana cotidiana e também representa uma oportunidade para resolver alguns dos seus principais desafios, como o caso da poluição. Qual é a proposta da Libelium neste campo?

    Hoje, uma década depois daquele Smart Santander, passámos de medir e recolher dados para tomar decisões informadas e automatizadas graças à combinação do IoT com tecnologias como a IA e a análise preditiva com gémeos digitais. Um exemplo claro é a Zona de Baixas Emissões (ZBE) de Cartagena, onde utilizamos a nossa solução envair360 para desenhar e gerir uma ZBE baseada em dados hiperlocais sobre poluição, ruído e mobilidade.

    Uma zona de baixas emissões é sempre algo controverso porque implica restrições à cidadania. Seja por exceder o limite ou por não o cumprir, a câmara municipal que a aplica vai receber críticas. Este é um dos motivos pelos quais em Espanha está a demorar tanto a implementação das ZBE, além da sua complexidade técnica, claro.

    A nossa solução baseada em dados, modelos algorítmicos e gémeos digitais permite jogar num ambiente virtual com diferentes cenários de restrições para ver qual é o mais eficiente no objetivo de reduzir as emissões de CO2. Na Libelium, gostamos de falar de “datocracia”: tomar decisões baseadas em dados para questões que devem ser técnicas e objetivas, como a gestão de uma Zona de Baixas Emissões, evitando que fatores ideológicos interfiram em soluções que visam o bem-estar comum.

    A gestão inteligente da água e da energia também representa uma oportunidade de melhoria no contexto das smart cities. Que ações estão a ser realizadas?

    Estamos num momento em que os recursos são cada vez mais limitados e as exigências urbanas mais altas, por isso, precisamos de passar de uma gestão tradicional e reativa para uma gestão baseada em dados e proativa.

    Quanto à água, o desafio não é só garantir a sua disponibilidade, mas também assegurar a sua qualidade e uso eficiente. As cidades precisam de infraestruturas capazes de detetar fugas, monitorizar a qualidade em tempo real e adaptar-se aos efeitos das mudanças climáticas, como períodos de seca ou chuvas torrenciais. A recolha e análise de dados permite-nos antecipar riscos e tomar decisões informadas para proteger este recurso essencial.

    Por exemplo, ao utilizar dados em tempo real, podemos prever possíveis inundações e agir antes que se tornem em desastres. Também podemos otimizar o consumo de água em parques e jardins públicos, adaptando a irrigação às condições climáticas e ao estado do solo.

    No setor da energia, existe um grande desafio com a injeção de nova energia proveniente de fontes sustentáveis como a solar ou a eólica numa infraestrutura já existente. Criar novas linhas de alta tensão ou ampliar as já existentes é muito custoso, tanto a nível económico como logístico, por isso, muita dessa nova energia não pode ser transportada pela infraestrutura atual sem risco de colapso. Por isso, por um lado, está-se a apostar na descentralização desse transporte e na criação de maneiras de armazenar a energia, e por outro, em tirar o máximo proveito da infraestrutura atual. Com a Red Eléctrica de España e a Telefónica colaborámos num projeto que permite criar um gémeo digital do ambiente das linhas de alta tensão para saber em que momento é seguro e ótimo injetar energia e aproveitar ao máximo o seu potencial.

    Num país como a Espanha, onde o turismo é um dos principais motores económicos, o que pode aportar o IoT?

    O turismo é um pilar económico fundamental no nosso país, mas o seu impacto nem sempre se estende a toda a cidadania. À medida que cresce o número de visitantes, as cidades encontram-se numa balança delicada entre promover o desenvolvimento económico e proteger a sua identidade cultural e os seus recursos naturais.

    O desafio é evidente: como continuar a atrair turistas sem sacrificar a qualidade de vida dos residentes e o património que precisamente atrai esses visitantes? Mais uma vez, recorremos aos dados. Na Libelium acreditamos que os dados são a nova linguagem de comunicação entre a administração pública, as empresas privadas e os cidadãos, permitindo-lhes criar impactos positivos na sua cidade.

    “Se pudermos prever um futuro provável, também podemos desenhar as ações necessárias para evitar os problemas.”

    A Libelium está a ajudar destinos turísticos a serem mais inteligentes e a transformar o turismo em Espanha num modelo de negócio rentável, respeitador do seu entorno e dos seus cidadãos, e sustentável. Monitorizamos em tempo real a qualidade do ar, o que permite às autoridades locais implementar medidas para proteger a saúde pública e melhorar a experiência dos visitantes. Também oferecemos um conhecimento detalhado da afluência de pessoas em pontos de interesse, ajudando a evitar a aglomeração em determinados espaços, bem como a dinamizar bairros menos visitados, por exemplo.

    As nossas soluções também contribuem para a preservação do património arquitetónico, monitorizando o impacto da qualidade do ar e das condições climáticas em monumentos e edifícios históricos. Da mesma forma, aplicamos sensores ambientais e de qualidade da água para proteger o património natural, otimizando o uso de recursos e minimizando o impacto ambiental em ambientes sensíveis, como praias, recifes ou parques naturais.

    Depois de 18 anos, para onde se dirige a Libelium? Desde o início, sabíamos que vivíamos num ambiente de constante inovação, e é nisso que vamos continuar focados nos próximos anos, tal como fizemos até agora. Olhar para trás dá vertigem ao ver de onde viemos e onde chegámos. A velocidade com que a tecnologia avança torna impossível adivinhar onde nos levará. No entanto, na Libelium temos três ancoragens que nos ajudam a não perder o rumo: o valor dos dados para tomar decisões melhor informadas, a inovação ao serviço da sustentabilidade e o compromisso com as pessoas e o nosso entorno.

    E as cidades, como serão dentro de 10 anos? As cidades dentro de 10 anos dependerão, mais do que da tecnologia disponível, da nossa capacidade de tomar decisões corajosas e de aplicar soluções de forma eficiente. A tecnologia avança a uma velocidade tão vertiginosa que, por vezes, custa-nos imaginar como será o futuro ou adaptar-nos às mudanças. Mas existem previsões muito claras que mostram os desafios que estão a chegar.

    Por exemplo, estima-se que, até 2050, a procura por ares condicionados triplicará devido ao aquecimento global e ao crescimento económico. Embora isso possa ser positivo para os fabricantes, hoje em dia já representa 3% das emissões de gases de efeito estufa e 7% do consumo energético mundial. Sabemos que este problema se avizinha, mas falta-nos a vontade de o resolver. Por isso, na Libelium insistimos na importância de uma datocracia: usar os dados e a tecnologia para planear e tomar decisões informadas. Se pudermos prever um futuro provável, também podemos desenhar as ações necessárias para evitar os problemas. Muitas cidades europeias estabeleceram o objetivo de se tornarem neutras em carbono até 2030, mas poucas têm um plano real para o alcançar. Não falhamos nas previsões, falhamos na execução.

    Dentro de 10 anos, as cidades podem ser mais limpas, sustentáveis e habitáveis, mas apenas se trabalharmos em conjunto – cidadania, tecnologia e autoridades – e aplicarmos as soluções que já temos para resolver os desafios reais que já conhecemos. A chave não é esperar que a tecnologia faça o trabalho por nós, mas usá-la de forma estratégica e com vontade de mudança.

  • Chaves do mercado de supermercados 2024

    Chaves do mercado de supermercados 2024

    O mercado de supermercados em Espanha tem passado por transformações significativas nos últimos anos, impulsionadas tanto pela tecnologia como pelas mudanças nos hábitos de consumo. Desde um aumento na procura de produtos biológicos e de marcas brancas até ao uso da inteligência artificial na gestão de inventário, o setor enfrenta novas necessidades e avanços.

    O panorama dos supermercados em Espanha em 2024 prevê a expansão das grandes cadeias, sustentada por estratégias de expansão omnicanal, enquanto o atrativo para os investidores permanece devido ao perfil defensivo destes ativos. Abaixo, analisaremos as principais tendências e chaves de crescimento do setor para este ano.

    Expansão das marcas brancas e novas preferências dos consumidores

    As marcas brancas ganharam terreno em Espanha, o que demonstra uma tendência de consumo impulsionada pelo desejo de poupança. As promoções e descontos aumentaram para captar um consumidor cada vez mais atento aos seus gastos. Nesse sentido, a presença das marcas brancas nos supermercados representa 81,9% do total na Lidl, e 74,5% do negócio na Mercadona com a sua própria marca Hacendado, abrangendo ambas um terço do mercado em Espanha. Este modelo também é fundamental na Aldi, com uma quota de 61,1% de marcas brancas, e na Dia, onde chega aos 56,3%.

    Por outro lado, os produtos biológicos, apesar de mais caros, mostraram uma resiliência surpreendente, o que indica que os consumidores valorizam a sustentabilidade mesmo face ao aumento dos preços. Além disso, a omnicanalidade consolidou-se no setor, com os supermercados a oferecerem opções presenciais e digitais. Os métodos de pagamento também se diversificaram: os pagamentos em prestações, cada vez mais populares, permitem ao consumidor gerir melhor o seu orçamento e facilitam o acesso a produtos essenciais sem comprometer a liquidez imediata.

    Inovação e tecnologia: IA e distribuição eficiente

    De acordo com dados recolhidos pela Savills, a inteligência artificial está a transformar as operações internas dos supermercados, otimizando a gestão de inventários e melhorando a personalização das ofertas para se adaptarem às preferências individuais. O uso da IA permite antecipar a procura e ajustar o stock em tempo real, minimizando o desperdício e reduzindo os custos operacionais.

    Por outro lado, as lojas físicas estão a ser aproveitadas como pontos de recolha para encomendas online, e os serviços de entrega colaborativa estão a ganhar relevância. Esta combinação de estratégias não só melhora a eficiência logística, como também contribui para reduzir a pegada de carbono do setor.

    Espaços físicos: menos estabelecimentos, mais superfície

    O setor ajustou o seu modelo de negócios físico: embora a área total destinada à alimentação tenha aumentado 7% em comparação com 2019, o número de estabelecimentos diminuiu 4%. Isso responde a uma otimização do espaço, concentrando uma maior variedade de produtos em lojas de maior dimensão, em vez de multiplicar os pontos de venda. Atualmente, a densidade média dos supermercados em Espanha é de 358 m² por cada 1.000 habitantes e cinco estabelecimentos por cada 10.000 pessoas.

    As localizações em zonas de grande afluência turística ou em áreas de elevado poder de compra podem chegar a pagar rendas até 18 €/m² mensais, enquanto a média ronda os 9 €/m². Essas rendas atrativas são mais um incentivo para os investidores manterem o seu interesse neste segmento, que goza de alta estabilidade e forte procura.

    Expansão das grandes cadeias e oportunidades de investimento

    Mercadona continua a liderar o mercado, com uma quota de vendas de 29%, e tem orientado os seus planos de expansão para Portugal, enquanto moderniza as suas lojas em Espanha. Além disso, grandes cadeias estão a investir na abertura de novas localizações ou na aquisição de portfólios de supermercados, embora a baixa disponibilidade de portfólios à venda tenha abrandado algumas operações.

    Este tipo de ativos continua a ser atrativo para os investidores. De facto, em muitos casos, oferecem retornos superiores aos obtidos com investimentos em imóveis residenciais. O portal imobiliário Idealista estima que os espaços comerciais são o ativo mais rentável em quase todas as capitais de Espanha, com um rendimento médio de 9,9%, contra 7,1% dos imóveis residenciais.

    Em resumo, o mercado de supermercados em 2024 reflete uma adaptação contínua às mudanças dos consumidores e às oportunidades tecnológicas, consolidando a sua relevância como uma oportunidade de investimento. Com a expansão das marcas brancas, a omnicanalidade e o uso de IA, os supermercados estão a redefinir os seus modelos operacionais para se manterem competitivos e atualizados face às novas necessidades. Para os investidores, o setor oferece um perfil de risco moderado e promete estabilidade, tornando-se numa alternativa ideal num ambiente económico que favorece a procura de ativos de baixa volatilidade.

  • Alojamento para estudantes no foco dos investidores

    Alojamento para estudantes no foco dos investidores

    Uma análise recente da CBRE destaca que o alojamento para estudantes enfrenta em toda a Europa um desajuste significativo entre oferta e procura. Isto posiciona os ativos PBSA (Purpose Built Student Accommodation) como uma oportunidade de investimento atrativa. « A capacidade deste setor de resistir às flutuações do mercado, as suas altas taxas de ocupação e o potencial de crescimento das rendas tornam-no numa das opções mais viáveis para os investidores no panorama imobiliário atual », refere o relatório European Student Housing.

    Em Espanha, as universidades públicas e privadas atraem um número crescente de estudantes, tanto nacionais como internacionais. No entanto, a oferta de alojamento disponível para este público não cresce ao mesmo ritmo que a procura, e a taxa de cobertura continua baixa (6,7 %).

    Déficit de camas em residências de estudantes

    O mercado espanhol de residências de estudantes apresenta um déficit de 450.000 camas, o que evidencia a necessidade urgente de aumentar a oferta. De acordo com a análise da CBRE, prevê-se que até 2026 sejam adicionadas 14.500 novas camas, elevando o total para 130.000. Contudo, apesar deste crescimento, há ainda muito a fazer.

    Atualmente, Espanha conta com 115.000 camas operacionais, mas muitas encontram-se obsoletas, com 60 % das instalações existentes a necessitarem de renovação. Este déficit, aliado à falta de oferta em algumas cidades chave, torna estes ativos cada vez mais atrativos para o capital imobiliário. Os números comprovam-no: até ao terceiro trimestre de 2024, o investimento atingiu os 415 milhões de euros (17 % do investimento total no segmento residencial). É particularmente significativo o interesse demonstrado pelos fundos de investimento, tanto nacionais como internacionais.

    Por localização, Madrid e Barcelona têm sido historicamente os epicentros deste setor. Contudo, a capital catalã consolidou-se como o principal destino de investimento em residências de estudantes. Assim, Barcelona concentra a maior parte do investimento nacional neste tipo de ativos, com um volume de 219 milhões de euros no primeiro semestre de 2024, o que representa um aumento de 68,5 % face ao mesmo período do ano anterior. Málaga, por sua vez, registou um aumento notável na procura por camas em residências, impulsionado pela chegada de estudantes de todo o mundo, embora a oferta também aqui seja insuficiente para satisfazer as necessidades do mercado.

    Aluguer de quartos em apartamentos partilhados

    O aluguer de quartos em apartamentos partilhados é outra opção comum entre os estudantes e mantém-se popular, apesar do aumento dos preços. De acordo com o portal imobiliário Idealista, a oferta de apartamentos partilhados cresceu 20 % em termos anuais durante o terceiro trimestre de 2024. No seu estudo “Casas partilhadas em Espanha em 2024”, a Fotocasa aponta que o preço médio de um quarto em Espanha é de 488 euros por mês, um aumento de 57,3 % em relação a cinco anos atrás e de 89,4 % face a 2015.

    A plataforma indica ainda que o aluguer de quartos oferece uma rentabilidade de 9,3 %, em comparação com 6,1 % no caso de um aluguer completo. « A rentabilidade oferecida pelo aluguer de quartos continua a ser a mais elevada do mercado, muito acima de outros produtos financeiros, com grande estabilidade e projeção a longo prazo. Arrendar por quarto gera 34 % mais rentabilidade para o proprietário em comparação com o arrendamento completo. Este modelo tem crescido exponencialmente entre os proprietários desde a entrada em vigor da lei da habitação, por não estar sujeito às limitações deste tipo de aluguer », explica María Matos, diretora de Estudos da Fotocasa.

    Co-living, uma tendência entre estudantes

    Como evolução do aluguer de quartos, surgem outros modelos de alojamento, como o co-living. Este conceito, que combina a vida em comunidade com uma abordagem de alojamento partilhado, tem encontrado um nicho interessante entre os estudantes que procuram enriquecer ainda mais a sua experiência social durante os anos de universidade.

    O co-living insere-se nas novas soluções habitacionais flexíveis, em que Espanha é uma referência. De acordo com a Atlas Real Estate, os operadores do flex living em Espanha têm 11.885 camas operacionais e preveem duplicar este número até 2027. A maioria delas será constituída por unidades de co-living, com 14.824 camas previstas.

    A JLL aponta que boa parte destas camas estão localizadas em Madrid, com mais de 6.000 disponíveis e 16.000 projetadas. Barcelona é a segunda cidade em densidade, com 2.200 camas atualmente e mais 2.600 projetadas. Valência surge em terceiro lugar, com 1.100 camas disponíveis e 880 previstas para os próximos meses.

    Muitas empresas identificaram a oportunidade representada pelos estudantes universitários e desenvolveram soluções específicas de co-living para eles. É o caso das plataformas Flaternity, especializada em promover esta fórmula entre estudantes estrangeiros, e Live4Life, que recentemente lançou uma linha de co-living para jovens.

  • Habitação em 2025: entre a procura crescente e a descida das taxas

    Habitação em 2025: entre a procura crescente e a descida das taxas

    As previsões para o investimento imobiliário em 2025 apontam para um crescimento sólido, com um aumento que pode fazer o mercado global ultrapassar o bilhão de dólares, conforme aponta uma análise da consultora Savills.

    No que diz respeito a toda a Europa, segundo um recente relatório realizado em conjunto pela PwC e pelo Urban Land Institute (ULI), o investimento imobiliário irá direcionar-se para setores estratégicos com altas expectativas de crescimento, como os centros de dados ou ativos relacionados com a sustentabilidade. Estes segmentos destacam-se pela sua resiliência face às disrupções económicas e por se alinharem com a transição para uma economia mais verde e digitalizada. E, embora as condições de financiamento e os elevados custos continuem a ser desafios importantes, os investidores também irão procurar oportunidades em áreas como a logística, residências para idosos e estudantes, e ativos associados à inovação tecnológica. Cidades como Madrid estão a ganhar atratividade, consolidando-se como destinos-chave para o capital internacional.

    Espanha: a habitação como um dos setores mais dinâmicos

    Em Espanha, o início do novo ano enfrenta grandes desafios, e a habitação continuará a ser um dos setores mais dinâmicos. Tanto o mercado de compra e venda como o mercado de arrendamento serão marcados por uma combinação de procura persistente e oferta insuficiente, o que afetará o acesso à habitação e continuará a pressionar os custos para cima.

    A recente diminuição das taxas de juro e uma maior competitividade no mercado de crédito hipotecário representam uma grande oportunidade para compradores e investidores. O Banco Central Europeu iniciou um ciclo de reduções que continuará em 2025, com projeções que colocam a taxa em torno dos 3%. Esta redução aliviará o peso financeiro dos créditos hipotecários e melhorará as condições para a compra de habitação, especialmente para investidores e compradores da primeira habitação. No entanto, embora a redução seja favorável, o esforço financeiro das famílias continua a crescer, superando em muitos casos o limite recomendado de 33% da renda para o pagamento da hipoteca, segundo apontam da Idealista.

    Crescimento sustentado nas transações de compra e venda

    O Relatório Forcadell-UB 2024 prevê um 2025 dinâmico para o mercado residencial espanhol. Segundo esta análise, juntamente com a redução das taxas de juro, fatores como a melhoria da economia e a estabilidade laboral irão contribuir para que se registem cerca de 825.000 operações de compra e venda, aproximando-se do recorde histórico de 2007. Além disso, prevê-se um aumento de preços de 15% para as habitações de segunda mão e de 10% para as habitações novas.

    Com uma economia a crescer mais de 2,5% e uma inflação em torno de 2%, o setor beneficiará de um ambiente macroeconómico favorável. Contudo, a prudência dos bancos ajudará a evitar os excessos que levaram à bolha imobiliária de 2008.

    O perfil predominante dos compradores será de pessoas de classe média-baixa, com menos de 45 anos e capacidade de poupança suficiente para suportar os créditos hipotecários, consolidando uma base estável para o crescimento do setor.

    Escassez de oferta em áreas-chave

    As grandes cidades e as zonas turísticas continuarão a enfrentar uma escassez de oferta de habitação, o que manterá a pressão sobre os preços. Este desajuste entre a oferta e a procura representa uma oportunidade para os promotores interessados no desenvolvimento de projetos de nova construção e reabilitação. Neste sentido, prevê-se que a área visada para nova construção continue a crescer em 2025, seguindo a tendência positiva de 2024, que já registou os melhores dados dos últimos cinco anos, como sublinha a Culmia.

    Oportunidades em mercados secundários

    Enquanto as grandes cidades continuarão a liderar o mercado, as zonas rurais, as áreas costeiras e a periferia das cidades estão a ganhar cada vez mais atratividade. Estas localizações oferecem propriedades com preços mais acessíveis e um alto potencial de valorização, como aponta uma análise recente da Fotocasa Research.

    Investimento estrangeiro em crescimento

    Por outro lado, o interesse dos investidores internacionais continua a crescer, especialmente em propriedades de luxo e em localizações exclusivas. A Espanha tem-se consolidado como um destino atrativo, graças à sua estabilidade económica, qualidade de vida e oportunidades de rentabilidade, oferecendo um mercado que combina valorização e elevados rendimentos em arrendamento.

    Habitações sustentáveis e energeticamente eficientes

    A sustentabilidade, tal como acontece a nível internacional, será também uma prioridade crescente no mercado imobiliário espanhol. Promotoras como Aedas Homes, Neinor e Kronos Homes estão a liderar esta mudança, focando as suas promoções em propostas sustentáveis e energeticamente eficientes, enquanto apresentam resultados sólidos de vendas e perspetivas favoráveis para os próximos anos.

  • Urbanitae encerra novembro com 19M€ financiados

    Urbanitae encerra novembro com 19M€ financiados

    Terminamos o penúltimo mês de 2024 com ótimas notícias: sete projetos e mais de 19 milhões de euros financiados, o que representa um aumento de 70% em relação ao mesmo mês de 2023.

    Por tipo de projeto, o mês passado foi bastante equilibrado entre dívida (4) e mais-valia (3). No entanto, como é habitual nos projetos de mais-valia, os tickets foram maiores. No total, financiámos quase 12 milhões de euros em equity e 7,5 milhões em empréstimos.

    Mais líderes em Portugal

    Estamos felizes em anunciar que Portugal foi um claro protagonista em novembro. Voltámos a colaborar com a Caler Advisory & Asset Management após o sucesso do projeto Barao Forrester, uma operação de 5 milhões de euros financiada em abril. O projeto Julio Dinis, com um ticket de 4,8 milhões de euros, tem uma natureza semelhante: trata-se do desenvolvimento de 96 apartamentos turísticos geridos pelo Líbere Hospitality Group na cidade do Porto.

    Apenas sete dias depois, lançámos o projeto Castilho 3 com um novo promotor, a Mexto. Esta operação destaca a força do setor imobiliário de luxo em Portugal, particularmente em Lisboa. Neste caso, associámo-nos ao promotor para desenvolver entre cinco e seis residências de luxo na capital portuguesa. Os mais de 1.000 investidores que participaram tornaram-se sócios de um empreendimento já licenciado que conseguiu realizar uma venda logo no primeiro dia de comercialização.

    Tudo isto faz de nós ainda mais líderes em Portugal. Em apenas um ano de operação no país, alcançámos um financiamento total que ronda os 25 milhões de euros, com um foco claro no residencial de luxo e tickets elevados – uma média de 3,5 milhões de euros por projeto. No total, gerimos mais de 5.800 investimentos no país e contribuímos para a construção de mais de 300 unidades residenciais.

    Residencial de luxo em alta

    Em Espanha, os projetos de alta gama continuam a atrair um notável interesse por parte dos investidores. Quatro dos sete projetos que financiámos este mês pertencem ao segmento de luxo – incluindo o Castilho 3. Os três projetos situados em Espanha têm um denominador comum: Marbelha. Esta cidade andaluza demonstra, na prática, ser um dos centros europeus do imobiliário de luxo.

    Dois dos três projetos de luxo que financiámos em novembro correspondem a segundas tranches de dívida para empreendimentos já iniciados. É o caso da Villa Alcalá II, uma vivenda com cinco quartos e cinco casas de banho em Nueva Andalucía, e de Cazorla – Piemonte III, que dá continuidade à construção de duas vivendas localizadas nas urbanizações Las Lomas de Marbella Club e Be Aloha, respetivamente.

    Com o projeto Jacaranda, regressamos a Marbelha, desta vez com a Influence Property – um novo promotor na plataforma – para desenvolver duas residências de luxo no bairro Las Brisas Frontline Golf. Com estes dois projetos, acumulamos nada menos que 130 milhões de euros em desenvolvimentos residenciais de luxo em Espanha e Portugal desde o início das nossas operações, em meados de 2019.

    Os números e, sobretudo, a confiança que os investidores depositam em nós, motivam-nos a continuar a procurar as melhores oportunidades de investimento. Tudo indica que o último mês do ano será muito produtivo. Fiquem atentos!

  • Sinais positivos de recuperação no mercado imobiliário catalão

    Sinais positivos de recuperação no mercado imobiliário catalão

    O setor imobiliário na Catalunha registou uma notável evolução em 2024, marcada por um aumento nos preços e pela diversificação para novos segmentos de investimento. A Catalunha – e, em particular, Barcelona – continua a ser uma das regiões mais atrativas de Espanha para o investimento imobiliário, graças à sua localização estratégica, infraestrutura avançada e um mercado que, apesar dos desafios recentes, demonstrou resiliência e uma grande capacidade de recuperação.

    Este ano, a conjuntura económica e o interesse por setores específicos, como hotelaria, escritórios e residencial, favoreceram um aumento nos preços médios e consolidaram a região como foco de interesse para investidores nacionais e internacionais.

    Os principais indicadores mostram sinais de recuperação no investimento imobiliário da região, com a capital na liderança. Segundo dados da CBRE, Barcelona atraiu 1.500 milhões de euros entre janeiro e setembro. Xavier Güell, Head da CBRE Barcelona, afirma: “O setor hoteleiro atingiu um recorde de visitantes em Barcelona, e o segmento residencial continua marcado pela falta de oferta para satisfazer uma procura crescente. Nos escritórios, a recuperação da ocupação começou a traduzir-se, embora de forma ainda tímida, em investimentos.”

    Comportamento desigual por tipo de ativos

    O setor hoteleiro tornou-se a principal classe de ativos, com 426 milhões de euros investidos, à frente do residencial e dos escritórios. Barcelona é o destino preferido para investimentos em hotelaria, representando 25% do total nacional. Entre as operações mais relevantes estão a venda do Mandarin Oriental, do Hotel Dolce Sitges e do Hotel Sofia Barcelona.

    O setor residencial surge como a segunda categoria de ativos mais atrativa, com 377 milhões de euros investidos, representando um aumento de 29% em relação ao ano anterior. O crescimento das residências de estudantes, que registaram um volume de 276 milhões de euros (mais do dobro de 2023), foi decisivo para este aumento. No entanto, outros segmentos como build-to-rent (BTR) e flex living apresentam quedas em comparação com 2023.

    Acompanhando a tendência nacional, o setor de escritórios está em recuperação e consolida-se como a terceira classe de ativos em volume de investimento, atingindo 357 milhões de euros, um aumento de 44% em relação ao ano anterior.

    De acordo com dados da CBRE, o retalho fica atrás, com um volume de 90 milhões de euros, embora supere os 76 milhões de euros registados em todo o ano passado. O setor industrial e logístico segue com 80 milhões de euros, muito aquém dos 199 milhões de euros do mesmo período em 2023.

    O preço da habitação na Catalunha

    Os preços da habitação têm sido um tema de debate social e político há algum tempo, com impacto particular em capitais como Barcelona. Na Catalunha, a escassez de oferta em áreas-chave e a elevada procura por arrendamento são dois fatores que influenciam significativamente o contexto atual:

    • Venda: Segundo o Idealista, em outubro de 2024 o preço médio de venda de imóveis na Catalunha era de 2.443 €/m², um aumento anual de 4,9%. Estes valores estão abaixo dos máximos históricos de 2007 (-8,8%) e da média nacional atual (+9,6%). Barcelona lidera com 2.749 €/m² (+3,9% anual), seguida por Girona, com 2.432 €/m² (+7,8%), destacando-se pelo seu dinamismo. Nas áreas mais acessíveis, Lleida e Tarragona mostram aumentos anuais significativos (+8% e +7%, respetivamente).
    • Arrendamento: O preço médio do arrendamento na Catalunha atingiu 17,8 €/m², um recorde com um aumento anual de 10,8%. Barcelona lidera com 19,8 €/m² (+13,4% anual), enquanto Girona (13 €/m²) regista quedas trimestrais (-5%). Nas áreas mais económicas, Lleida (9,3 €/m²) e Tarragona (9,4 €/m²) apresentam aumentos anuais de 7,2% e 6,8%, respetivamente.
  • Como investir em imobiliário com o modelo de triplo arrendamento

    Como investir em imobiliário com o modelo de triplo arrendamento

    O investimento imobiliário é uma das formas mais antigas de obter rendimentos, mas a sua capacidade de inovação e de procura por novos formatos parece não ter limites. À compra de imóveis para posterior venda ou arrendamento juntaram-se outras alternativas, como a propriedade nua, o financiamento participativo através de crowdfunding e crowdlending ou o conhecido house flipping, entre muitas outras.

    Uma das tendências mais recentes neste contexto é o modelo do triplo arrendamento, um sistema baseado em três operações simultâneas que geram três fluxos de rendimentos diferentes, acessível a qualquer proprietário de imóvel.

    Como funciona o processo?

    O modelo do triplo arrendamento envolve três etapas, que geralmente são realizadas nesta ordem:

    1. Arrendamento de uma nova habitação principal: O proprietário aluga um imóvel que melhor se adapte às suas necessidades específicas, seja em termos de espaço, de custo ou de ambos.
    2. Colocação da habitação atual no mercado de arrendamento: Em paralelo, o proprietário arrenda a sua habitação atual, o que lhe proporciona um rendimento mensal.
    3. Compra de uma terceira propriedade para arrendar: Simultaneamente às duas operações anteriores, o proprietário adquire um terceiro imóvel, que também coloca no mercado de arrendamento, gerando assim o terceiro fluxo de rendimento.

    Fatores que favorecem o sucesso do triplo arrendamento em Espanha

    Partindo de um único imóvel, neste caso residencial, o investidor aplica uma estratégia de rentabilidade que é favorecida por características específicas do mercado imobiliário espanhol:

    1. Elevada procura de habitação para arrendar: Uma análise da Fotocasa Research alerta para o desequilíbrio entre oferta e procura. Enquanto esta última atinge 77%, apenas 19% dos proprietários oferecem os seus imóveis para arrendar. Esta pressão no mercado reflete-se nos preços, particularmente elevados em zonas como Baleares (1.602 €), Barcelona (1.598 €) e Madrid (1.497 €). Outras seis províncias superam os 1.000 €: Biscaia (1.421 €), Guipúscoa (1.224 €), Málaga (1.189 €), Las Palmas (1.075 €), Valência (1.039 €) e Santa Cruz de Tenerife (1.037 €). No entanto, os elevados custos não desmotivam a procura. Um relatório do Observatório do Arrendamento da Fundação Alquiler Seguro e da Universidade Rey Juan Carlos estima que, para cada imóvel colocado no mercado de arrendamento, 115 pessoas mostram interesse num prazo de dez dias.
    2. Rentabilidade atrativa: A rentabilidade bruta da compra de uma habitação para arrendamento em Espanha pode ser bastante interessante. De acordo com a Idealista, no terceiro trimestre situou-se em 7,2%, um ponto percentual acima do mesmo período do ano anterior. A Fotocasa estima que o arrendamento de uma habitação média, com cerca de 80 metros quadrados, oferecia em setembro uma rentabilidade média de 6,1%. Contudo, na opção de arrendamento por quartos, este valor aumenta para 9,3%.
    3. Condições de financiamento favoráveis: O Banco Central Europeu (BCE) tem vindo, nos últimos meses, a reduzir progressivamente as taxas de juro, situando a taxa de depósito nos 3,25%. Além disso, o Euribor, índice que determina o custo dos empréstimos hipotecários de taxa variável, apresenta mínimos anuais. Está também significativamente abaixo das taxas oficiais, com um diferencial em baixa que, embora variável, se situa em torno dos 2,5% nos últimos dias. As previsões do BCE apontam para uma nova descida de 0,25 pontos nas taxas, o que cria um cenário mais favorável para os compradores de imóveis.

    Deste modo, a combinação dos fluxos de entrada e saída gerados pela fórmula do triplo arrendamento pode ser uma opção de investimento conservadora e diversificada. Os investidores não só mantêm o seu imóvel original, como adquirem outro, ao mesmo tempo que geram rendimentos que tornam a operação viável.