Categoria: Investimento imobiliário

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  • Como o mercado de luxo está a transformar o investimento imobiliário

    Como o mercado de luxo está a transformar o investimento imobiliário

    O mercado imobiliário de superluxo, conhecido por transações de propriedades avaliadas em mais de 10 milhões de dólares, tem registado um crescimento sem limites nos últimos 5 anos. Segundo a consultora imobiliária Knight Frank, este segmento aumentou as suas vendas em 66%, passando de 20.100 milhões de dólares em 2019 para 33.400 milhões em 2024.

    Este fenómeno foi impulsionado pela criação de riqueza local, juntamente com uma mudança de prioridades dos compradores após a pandemia. As cidades que registaram o maior crescimento no mercado de superluxo foram Dubai, em primeiro lugar, passando de 23 transações em 2019 para 436 em junho de 2024. Outros mercados-chave incluem Miami e Palm Beach, e na Europa, também houve uma expansão em mercados como Genebra e Madrid. A seguir, analisaremos neste artigo os fatores que determinaram o desempenho do mercado, porque Madrid se tornou tão atrativa para os investidores e as perspetivas futuras do superluxo.

    Fatores-chave do crescimento no mercado global

    O crescimento do mercado de superluxo está intimamente ligado ao crescimento da riqueza global e, sobretudo, a uma redistribuição da riqueza para regiões emergentes e mercados em expansão, com patrimónios que ultrapassam os 30 milhões de dólares. Segundo o The Wealth Report da Knight Frank, desde 2019, o número de indivíduos ultrarricos aumentou 19% a nível global, com um crescimento significativo de 8% nos Estados Unidos e de 6,2% no Médio Oriente.

    Por outro lado, um fator fundamental que valorizou ainda mais os imóveis foi a pandemia de COVID-19. Este período marcou um ponto de viragem na perceção da habitação, pois deixou de ser apenas um local de residência para se tornar, em muitos casos, também um espaço de trabalho, exigindo novas áreas como espaços exteriores, instalações desportivas ou comodidades personalizadas. Esta mudança favoreceu o crescimento de destinos costeiros e ambientes naturais privilegiados, como Palm Beach, os Alpes Suíços e a Costa del Sol em Espanha.

    Além disso, a procura por segurança, infraestrutura moderna e acesso global tornou-se um fator determinante no mercado de superluxo. Neste sentido, cidades como Miami, Genebra e Dubai destacaram-se por oferecer este equilíbrio entre exclusividade, segurança e um contexto económico estável.

    O atrativo de Madrid e a sua evolução

    Madrid posicionou-se como um dos epicentros do mercado imobiliário de superluxo em Espanha, dividindo protagonismo com a Costa del Sol. Na capital, o preço médio das propriedades exclusivas varia entre 8 e 12 milhões de euros, considerando que o preço por metro quadrado já ultrapassa os 20.000 euros, com bairros como Salamanca e El Viso a destacarem-se pelo seu prestígio e alta procura.

    A maioria dos compradores em Madrid são estrangeiros, num perfil que inclui empresários, executivos de alto nível e famílias que procuram residência na Europa, representando cerca de 70% das transações neste segmento. Os investidores vêm de países como México, Estados Unidos e Reino Unido, em busca de propriedades que ofereçam tanto estabilidade quanto serviços exclusivos. No entanto, segundo o jornal El Economista, há também um certo número de empresários espanhóis interessados em adquirir residências de luxo no bairro de Salamanca, competindo com os preços acessíveis para o mercado estrangeiro.

    Perspetivas do mercado e o impacto das taxas de juro

    O relatório da Knight Frank também destaca uma estabilidade no mercado de superluxo, apesar da desaceleração observada em alguns mercados maduros como Nova Iorque e Hong Kong. Esta estabilidade deve-se, em parte, à expectativa de uma redução das taxas de juro globais, o que poderá impulsionar um aumento das transações até 2025.

    Com o Euribor e outras taxas de referência a mostrar tendências de queda, espera-se que o custo do financiamento seja reduzido, facilitando a aquisição deste tipo de propriedades. Este cenário é favorável para mercados que ainda têm margem para crescer, onde a oferta limitada em bairros exclusivos e o atrativo internacional e nacional podem continuar a elevar os valores dos imóveis.

    Conclusão

    Em suma, o mercado imobiliário de superluxo continua a demonstrar resiliência e atratividade global, impulsionado pelo aumento da riqueza, pela redefinição de prioridades pós-pandemia e pelas perspetivas económicas favoráveis. De Dubai a Madrid, passando por Miami e Genebra, cada cidade oferece uma combinação única de oportunidades para compradores e investidores.

    Em Espanha, Madrid continua a consolidar-se como um mercado de interesse, combinando tradição, modernidade e exclusividade. Apesar da competitividade, o panorama mostra que a procura por propriedades acima dos 10 milhões de dólares está longe de diminuir, traçando um caminho otimista para o futuro do setor.

  • Como a nova regulamentação DORA afetará as entidades de investimento?

    Como a nova regulamentação DORA afetará as entidades de investimento?

    A entrada em vigor do Regulamento de Resiliência Operacional Digital (DORA) marca um antes e um depois no panorama da regulamentação financeira europeia. Esta normativa, que obriga as entidades financeiras, incluindo as de investimento ou financiamento participativo, a reforçar a sua resiliência digital, gerir adequadamente os riscos tecnológicos e melhorar os seus protocolos de resposta a ciberataques, está destinada a transformar não apenas a operação interna destes agentes, mas também o ecossistema em que operam, incluindo os setores Fintech e Proptech.

    A Urbanitae, como um ator relevante no setor de investimento, encontra-se no centro desta mudança, o que sublinha a importância de se adaptar a um ambiente regulatório cada vez mais exigente.

    O que é o DORA?

    DORA, ou Digital Operational Resilience Act, é uma normativa da União Europeia que estabelece um quadro legal uniforme para garantir a resiliência operacional digital no setor financeiro. O seu principal objetivo é que todas as entidades financeiras, desde bancos a sociedades de investimento e fornecedores de serviços TIC, disponham de sistemas robustos que lhes permitam gerir os riscos tecnológicos e operacionais, proteger as informações dos seus clientes e garantir a continuidade dos seus serviços perante possíveis ciberataques ou incidentes disruptivos.

    O regulamento entrou em vigor a 16 de janeiro de 2023 e começou a ser aplicado a 17 de janeiro de 2025, oferecendo um prazo de adaptação de dois anos para que as entidades cumpram os seus exigentes requisitos. Entre eles, inclui-se a implementação de planos de contingência, avaliações periódicas de riscos e testes de resiliência operacional, todas medidas essenciais para reforçar a resiliência digital e proteger os dados num ambiente cada vez mais interligado e vulnerável.

    Tal como indicado pelo Ministério da Economia, Comércio e Empresa, esta normativa é especialmente relevante para as entidades de investimento, pois reforça a cibersegurança na gestão de grandes volumes de informações sensíveis, estabelecendo um padrão que harmoniza as práticas em toda a União Europeia.

    Segundo Nacho Bautista, responsável pela vertical de crowdfunding da AEFI (Associação Espanhola de FinTech e InsurTech) e CEO da Fundeen, “DORA não vem sugerir, vem exigir. E o que exige é que as entidades de investimento deixem de ver a cibersegurança como uma mera formalidade e passem a tratá-la como um pilar fundamental da sua operação. Já não basta ter um antivírus razoável ou fazer uma cópia de segurança de vez em quando. Agora, trata-se de gerir riscos digitais com a mesma seriedade com que gerimos riscos financeiros.”

    Como devem as entidades preparar-se para a nova regulamentação?

    A adaptação ao DORA requer uma transformação integral na gestão de riscos e na operação digital. As instituições financeiras devem iniciar um diagnóstico completo da sua infraestrutura tecnológica, identificando e classificando detalhadamente os seus ativos e processos críticos, o que lhes permitirá detetar vulnerabilidades e estabelecer as medidas de proteção necessárias para minimizar riscos.

    “A gestão de riscos tornar-se-á mais proativa do que reativa. Não se trata apenas de resolver problemas quando surgem, mas de antecipá-los e preveni-los. Isto implica estabelecer controlos contínuos sobre todos os sistemas críticos, realizar auditorias internas frequentes e manter uma vigilância constante sobre possíveis vulnerabilidades”, explica Bautista.

    Paralelamente, é essencial rever a relação com os fornecedores externos. De acordo com a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA), o DORA impõe um controlo rigoroso sobre toda a cadeia de fornecimento de serviços TIC, exigindo que cada colaborador cumpra os padrões de segurança estabelecidos. A revisão e atualização dos contratos, com cláusulas claras que definam responsabilidades e protocolos de notificação, será essencial.

    Além disso, as entidades precisarão de “equipas dedicadas à cibersegurança, profissionais que compreendam tanto a tecnologia como os riscos específicos do setor financeiro”, destaca o representante da AEFI e da Fundeen. “Também serão necessárias ferramentas de monitorização em tempo real e sistemas de deteção de intrusões que permitam reagir rapidamente a qualquer ameaça.”

    Como o DORA afeta entidades como a Urbanitae?

    A Urbanitae, sendo uma plataforma de financiamento participativo regulada pela CNMV, está sujeita a um quadro normativo que garante a transparência e a proteção dos investidores, mas que também deve adaptar-se às exigências do novo regulamento DORA.

    “As plataformas de crowdfunding imobiliário e de outros setores, pela sua natureza digital, estão particularmente expostas a riscos tecnológicos. Cumprir o DORA pode parecer um fardo no início (mais custos, mais processos, mais auditorias…), mas também pode ser um fator diferenciador chave”, explica Bautista.

    O impacto do DORA numa entidade como a Urbanitae manifesta-se na necessidade de reforçar a cibersegurança e a gestão de riscos tecnológicos. A regulamentação exige que as entidades financeiras, incluindo aquelas dedicadas ao crowdfunding imobiliário, implementem sistemas robustos para identificar e mitigar vulnerabilidades nas suas infraestruturas digitais. Isto significa que a Urbanitae terá de rever e auditar não apenas os seus próprios sistemas, mas também toda a cadeia de fornecedores tecnológicos que utiliza para processar e armazenar as informações dos seus investidores e dos projetos financiados.

    Neste sentido, Nacho Bautista reconhece que “os investidores não procuram apenas bons rendimentos, procuram também confiança. E num mundo onde os ciberataques são cada vez mais frequentes, saber que o seu dinheiro está protegido por uma plataforma que cumpre os mais elevados padrões de segurança é, sem dúvida, um valor acrescentado.”

    A adaptação ao DORA, embora implique desafios em termos de investimento e atualização tecnológica, é vista na Urbanitae como uma oportunidade para se posicionar como uma referência no setor, demonstrando um forte compromisso com a segurança digital e a resiliência operacional.

    Aplicação do DORA noutros setores

    Embora o DORA seja direcionado principalmente para o setor financeiro, as suas implicações estendem-se a outros domínios. Seguradoras, fornecedores de serviços em nuvem e empresas de telecomunicações serão forçados a elevar os seus padrões de proteção, promovendo a padronização das práticas de segurança a nível europeu.

  • As propostas dos partidos políticos para combater a crise da habitação

    As propostas dos partidos políticos para combater a crise da habitação

    A falta de oferta de compra e arrendamento de habitação, o aumento do custo da construção e a reduzida disponibilidade de solo urbanizável são fatores que agravaram a crise da habitação em Espanha nos últimos anos, tornando-se o centro dos debates políticos e das agendas mediáticas. Perante esta situação, os partidos estão a concentrar-se na criação de diferentes propostas com o objetivo de salvaguardar a estabilidade do mercado e melhorar o acesso à habitação, gerando um fluxo constante de iniciativas.

    Propostas do Governo do PSOE face à crise da habitação

    Neste contexto, o PSOE propôs há algumas semanas um pacote de 12 medidas focadas em três objetivos: “mais habitação, melhor regulação e mais apoios”. Agora, a ministra da Habitação e Agenda Urbana, Isabel Rodríguez, apela à obtenção de um consenso e à aplicação das medidas nas quais a maioria dos partidos esteja de acordo, como o aumento do IVA para aqueles que utilizam a habitação “não para viver, mas como uma atividade económica”, referindo-se assim aos apartamentos turísticos. Entre as novas medidas propostas pelo Ministério, destaca-se uma reforma fiscal centrada em combater a fraude nos arrendamentos sazonais e em tributar esses imóveis como negócios. Além disso, pretende agilizar os processos administrativos relacionados com novas construções de habitação, aliviando as normativas relativas à edificação e à aprovação de projetos, com o objetivo de reduzir para metade o tempo dedicado às obras.

    O governo também instou o Partido Popular a tomar posição sobre a medida de aplicar IVA a 100% do Imposto de Transmissões Patrimoniais ou a criação de um novo tipo de imposto para o investimento de não residentes em habitação, pois acredita que, reduzindo a compra por parte de investidores estrangeiros, seria possível diminuir a especulação.

    Propostas do Partido Popular

    Por outro lado, o principal partido da oposição, o Partido Popular, apresentou no seu Plano de Habitação uma série de alterações a quatro leis existentes: a lei do solo, a lei da habitação, a lei da jurisdição contencioso-administrativa e a lei reguladora do contrato de concessão de obras públicas, com o objetivo comum de mitigar a atual crise da habitação e evitar que esta se torne um bem de luxo.

    Além disso, o presidente do partido, Alberto Núñez Feijóo, anunciou a criação de uma poupança-lar, que inclui deduções fiscais para ajudar os jovens até aos 40 anos a adquirir uma habitação. A medida prevê incentivar a poupança através de uma dedução de 20% no IRS sobre os montantes que os jovens depositem para este fim.

    Outra proposta recentemente apresentada no Plano centra-se na eliminação dos entraves que, segundo o partido, dificultam o mercado imobiliário, como acelerar os processos de transformação do solo para disponibilizar terrenos prontos para construção e reduzir os prazos para metade. Também sugere incentivar promoções habitacionais em zonas de menor procura, fora das grandes cidades.

    Neste sentido, José María Gómez-Acebo, diretor de clientes institucionais da Urbanitae, apela à ação: “Assumindo que nos próximos 20 anos será necessário muito mais solo destinado à habitação, podem ser implementadas medidas que, a curto prazo, ajudem a resolver o problema atual.” Por isso, considera de especial interesse a mudança de uso de terrenos classificados como terciários nos planos municipais para uso residencial, permitindo a construção de habitações sob regime de proteção pública para arrendamento.

    Propostas do Vox

    O partido de Abascal critica o governo e argumenta que as suas medidas impedem os jovens de aceder a uma habitação digna, colocando os interesses eleitorais à frente das necessidades reais. Em resposta, o partido propõe reformas e modificações legislativas em matéria de solo e regulação, com o objetivo de facilitar a criação de novas habitações. Além disso, defende a criação de um ambiente fiscal favorável ao arrendamento e à compra de habitação. Outras medidas incluem favorecer fiscalmente os investidores nacionais, promovendo alterações legislativas que priorizem os cidadãos espanhóis em detrimento dos estrangeiros no acesso à compra de habitação.

    Propostas do Podemos

    O partido Podemos concentra-se na questão das habitações turísticas, considerando-a um problema grave. Defendem proibir os alojamentos turísticos como forma de conter os preços e garantir o acesso a uma habitação digna. Além disso, juntam-se ao governo na proposta de intervir no mercado e proibir a compra de habitação por fundos estrangeiros.

    “A obsessão por impor limites não resolve o problema. Limitar a rentabilidade desincentiva as construtoras e os fundos de investimento imobiliário, levando à falta da oferta necessária. Reduzir a rentabilidade dos investidores num mercado com escassez de oferta agrava ainda mais a situação”, explica Gómez-Acebo.

    O especialista da Urbanitae também esclarece que o aumento das rendas é uma consequência direta do crescimento da procura: “Quando um senhorio percebe que a procura numa determinada zona aumentou exponencialmente, é compreensível que suba o preço da renda. Até agora, foram adotadas soluções que não respondem adequadamente às necessidades atuais.” E acrescenta que o cenário atual não se compara ao de 2008: “A situação é muito diferente da de então. Naquela época, havia um problema de excesso de habitações, enquanto agora enfrentamos o problema oposto: mais procura do que oferta.”

    O que diz o BCE sobre a crise da habitação

    Neste contexto, Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), pede uma “reconsideração da normativa de habitação” em Espanha, chegando a classificar a situação como problemática. Relativamente ao crescimento da economia espanhola, explica que o aumento da população no país gerou “uma retração da oferta que afeta tanto a construção como o arrendamento”, apelando a um acordo entre as administrações para resolver a questão.

  • A compra e venda de habitações encerra 2024 com um aumento de 10%: análise do INE e perspetivas para 2025

    A compra e venda de habitações encerra 2024 com um aumento de 10%: análise do INE e perspetivas para 2025

    Num cenário repleto de desafios e oportunidades, o mercado imobiliário espanhol demonstrou uma grande capacidade de adaptação e crescimento. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam uma atividade intensa na compra e venda de habitações em 2024, tanto no setor da construção nova como no mercado de segunda mão. Estes resultados, que apontam para um aumento significativo nas operações registadas, demonstram a resiliência do setor e projetam um futuro promissor para o mercado imobiliário. A combinação de fatores como a estabilidade económica, a melhoria no acesso ao financiamento e a crescente confiança dos consumidores contribuiu para manter uma procura constante por habitação.

    Com base nos dados oficiais disponibilizados pelo INE, a Urbanitae, plataforma líder em crowdfunding imobiliário, apresenta uma visão detalhada sobre a evolução das transações imobiliárias e fornece uma análise que destaca os progressos alcançados até ao momento, bem como os desafios e oportunidades que se perspetivam para o futuro, permitindo uma melhor compreensão do comportamento do mercado e das suas tendências.

    Evolução da compra e venda de habitações em 2024

    No que diz respeito à evolução do mercado imobiliário em 2024, o INE destaca que foram transmitidos um total de 2.213.295 imóveis, o que representa um crescimento global de 5,0% em relação a 2023. Destas operações, 1.236.491 corresponderam a compras e vendas, sendo 641.919 relativas a habitações, o que representa um aumento anual de 10,0%.

    Neste sentido, apenas no último mês do ano, foram registadas nos conservatórios do registo predial 175.635 transações imobiliárias, o que significa um aumento de 24,8% em relação ao mesmo mês de 2023. Além disso, as compras e vendas de habitações registadas aumentaram 37,7% em comparação com dezembro do ano anterior.

    Construção nova: um setor em crescimento

    O mercado da construção nova registou um crescimento notável durante 2024, consolidando-se como um pilar essencial para a recuperação do setor imobiliário em Espanha. De acordo com os dados provisórios do INE, ao longo de 2024, o número de transações de habitações novas aumentou 23,4% face a 2023. Especificamente, no último mês do ano, foram registadas 11.381 compras e vendas de habitações novas, o que representa um crescimento de 65,7% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Este aumento coloca o mercado da construção nova no seu melhor desempenho desde 2013.

    Este crescimento pode ser atribuído a vários fatores-chave. A redução das taxas de juro na segunda metade do ano facilitou o acesso a hipotecas mais acessíveis, incentivando a compra de imóveis novos. Além disso, a crescente procura por propriedades que incorporem avançadas soluções de eficiência energética e sustentabilidade posicionou a construção nova como uma opção preferencial para os compradores.

    Segunda mão: solidez no mercado de habitação usada

    Por outro lado, o mercado de segunda mão continua a ser o principal motor da atividade imobiliária. Durante 2024, foram realizadas 506.867 transações de habitações usadas, o que representa um crescimento de 6,9% face a 2023.

    Mais concretamente, em dezembro do ano passado, 77,4% das habitações transmitidas por compra e venda corresponderam a imóveis usados, contrastando com o setor da construção nova. As transações de habitações usadas aumentaram 31,2% em comparação com dezembro de 2023, evidenciando a solidez deste segmento, caracterizado por uma oferta mais ampla e uma localização consolidada em áreas urbanas.

    Entre os fatores que impulsionaram este crescimento, destacam-se a estabilidade nas condições de financiamento bancário, a redução dos custos das hipotecas e a confiança dos consumidores, que ajudaram a manter a competitividade do mercado de habitação usada.

    Comparação entre regiões

    De acordo com os dados do INE, a Galiza lidera o crescimento nacional, com um aumento de 22,3% nas compras e vendas de habitações, totalizando 23.642 operações. Este é o maior crescimento registado em Espanha e o mais elevado na região desde 2008.

    Por sua vez, La Rioja registou um crescimento anual de 20% nas transações de habitações em 2024, enquanto em Castela-Mancha, as transações registaram um aumento significativo de 19,4% face ao ano anterior.

    Em contrapartida, as Ilhas Baleares foram a única comunidade autónoma a apresentar uma redução nas transações de habitações, com uma queda de 3,8% em relação a 2023.

    Perspetivas para 2025

    Para 2025, as expectativas são otimistas, embora existam desafios que poderão influenciar o ritmo de crescimento. Prevê-se que tanto a construção de novos imóveis como a compra e venda de habitações usadas continuem a crescer, impulsionadas pela estabilidade económica e por uma renovada procura no setor.

    No entanto, o acesso ao financiamento continuará a ser um fator determinante. Além disso, a disponibilidade de terrenos urbanizáveis e a implementação de regulamentos urbanísticos que incentivem um desenvolvimento sustentável serão aspetos fundamentais para equilibrar o crescimento do setor com uma adequada planificação urbana.

  • Arrendamento temporário ou de longa duração: Qual escolher?

    Arrendamento temporário ou de longa duração: Qual escolher?

    Ao longo de 2025, avizinham-se transformações significativas no setor do arrendamento, afetando especialmente as rendas temporárias ou de curta duração, bem como os apartamentos turísticos. Estas mudanças prometem redefinir o panorama do mercado imobiliário, pelo que os proprietários devem manter-se atentos às novas tendências e regulamentações que terão impacto tanto na rentabilidade como na gestão dos seus imóveis.

    Desde 2 de janeiro, Espanha tornou-se o primeiro país europeu a implementar um registo único para arrendamentos de curta duração. No entanto, a plena aplicação desta regulamentação só será efetiva a partir de 1 de julho do próximo ano, dando tempo às empresas e administrações para se adaptarem aos novos procedimentos. Esta mudança legislativa surge após a aprovação, a 23 de dezembro, do Real Decreto no último Conselho de Ministros, que estabelece a criação de um Balcão Único Digital de Arrendamentos. Esta plataforma servirá para reunir e partilhar informações sobre os serviços de arrendamento de alojamentos de curta duração, com o objetivo de garantir o controlo adequado destes espaços, um segmento que tem crescido muito rapidamente e que afeta tanto os proprietários como os inquilinos e turistas.

    Contudo, no mercado imobiliário atual, este tipo de arrendamento coexiste com o modelo tradicional de longa duração. Ambos apresentam vantagens e desvantagens, dependendo das necessidades do proprietário, do tipo de imóvel e do perfil dos inquilinos.

    Arrendamento permanente ou de habitação própria: contrato de longa duração e estabilidade

    O arrendamento permanente ou de habitação própria é o modelo mais tradicional e regulado pela Lei de Arrendamentos Urbanos (LAU). Refere-se a contratos de longa duração, geralmente entre um e cinco anos, sendo a opção ideal para quem procura estabilidade e segurança nos rendimentos. Os contratos são renovados automaticamente após o prazo inicial, salvo decisão em contrário por qualquer das partes.

    Vantagens:

    • Rendimentos estáveis. Um contrato prolongado assegura uma renda mensal constante, reduzindo a possibilidade de que o imóvel fique desocupado por longos períodos. Uma das principais vantagens desta modalidade é, assim, a estabilidade que oferece ao senhorio. No entanto, isso também significa que os aumentos anuais da renda são limitados, conforme estipulado na legislação. Uma das mudanças mais significativas introduzidas pela nova Lei da Habitação é que o IPC deixa de ser o principal referencial para calcular os aumentos da renda, sendo substituído pelo novo Índice de Referência para a Atualização da Habitação (IRAV). Este indicador determina que os proprietários podem aumentar os preços do arrendamento até um máximo de 2,2% durante o ano de 2025.
    • Menos burocracia. Reduz-se a rotatividade dos inquilinos e, consequentemente, os processos de procura e avaliação. Além disso, minimizam-se as tarefas de manutenção.
    • Menos desgaste do imóvel. Com inquilinos fixos, a habitação tende a sofrer menos deterioração do que num arrendamento temporário.

    Desvantagens:

    • Menor flexibilidade. Uma vez assinado o contrato, o proprietário não pode dispor facilmente da habitação.
    • Regulamentações legais. Os contratos permanentes podem implicar mais restrições e direitos a favor do inquilino.

    Arrendamento temporário: flexibilidade e rentabilidade a curto prazo

    O arrendamento temporário destina-se geralmente a períodos curtos, desde alguns dias até meses, sendo uma opção popular entre turistas, estudantes ou profissionais deslocados.

    Vantagens:

    • Maior rentabilidade. Em zonas turísticas ou de elevada procura, o arrendamento por períodos curtos pode gerar rendimentos superiores ao arrendamento tradicional.
    • Flexibilidade. O proprietário pode dispor do imóvel em determinados períodos ou ajustar os preços conforme a época. Este tipo de arrendamento é, portanto, mais flexível, permitindo contratos entre 32 dias e 11 meses. Abaixo dos 32 dias, considera-se arrendamento para fins turísticos.
    • Menor risco de incumprimento. Como o pagamento é feito antecipadamente, minimiza-se o risco de falta de pagamento.

    Desvantagens:

    • Maior rotatividade de inquilinos, o que implica mais burocracia, como limpezas frequentes e manutenção. Além disso, sempre que um contrato termina, o proprietário precisa de encontrar novos inquilinos, podendo haver períodos de vacância entre contratos.
    • Rendimentos irregulares. A procura pode oscilar conforme a época do ano, afetando a estabilidade financeira do proprietário.

    O contrato de arrendamento temporário também é regulado pela Lei de Arrendamentos Urbanos (LAU). Em particular, o artigo 3.º desta lei classifica-o na categoria de “arrendamento para uso distinto de habitação”. Isto significa que não está sujeito às mesmas normas dos arrendamentos de habitação própria, mas sim a condições específicas destinadas a estadias temporárias. Neste caso, o proprietário terá mais liberdade para negociar os termos do contrato, incluindo o valor da renda, a duração do contrato e as condições, sempre dentro dos limites estabelecidos pelo mercado.

    Comparação fiscal

    Além das diferenças contratuais, ambas as modalidades possuem implicações fiscais relevantes para os proprietários. No caso do arrendamento de habitação própria, os rendimentos devem ser declarados como rendimento líquido na declaração de IRS. Os proprietários de imóveis destinados ao arrendamento permanente podem beneficiar de uma dedução até 90% dos rendimentos no imposto sobre o rendimento, representando um alívio fiscal significativo.

    Por outro lado, no arrendamento temporário, embora os rendimentos também tenham de ser declarados, as deduções fiscais são mais limitadas.

    De acordo com dados da Idealista, a oferta de arrendamento permanente ou de longa duração registou uma redução de 3% em termos homólogos no quarto trimestre de 2024. Em contraste, os arrendamentos de temporada aumentaram 24% no mesmo período, representando já 14% da oferta total de arrendamento em Espanha. O arrendamento permanente acumula, assim, três anos e meio de quedas sucessivas, situando-se atualmente apenas 5% acima do mínimo histórico registado em junho de 2024, um mês tradicionalmente marcado pela redução da oferta devido à sazonalidade do verão.

    Independentemente dos dados, a escolha entre arrendamento temporário e permanente dependerá das necessidades do proprietário e do tipo de imóvel. Para quem procura estabilidade e rendimentos constantes, o arrendamento de longa duração é a opção mais segura. Além disso, as vantagens fiscais e a proteção proporcionada pela Lei de Arrendamentos Urbanos são atrativas tanto para os proprietários como para os inquilinos.

    Por outro lado, quem preferir maior flexibilidade e a possibilidade de gerar rendimentos superiores a curto prazo, o arrendamento temporário pode ser a escolha certa. No entanto, importa recordar que esta modalidade envolve mais riscos e uma gestão mais exigente.

  • Os títulos imobiliários alcançarão 30.000 milhões de euros em 2025

    Os títulos imobiliários alcançarão 30.000 milhões de euros em 2025

    Os títulos imobiliários são instrumentos de dívida emitidos por empresas do setor imobiliário para financiar ou refinanciar projetos de construção de habitações, centros comerciais ou edifícios de escritórios, além da compra ou reabilitação de bens imóveis.

    O seu funcionamento é semelhante ao dos títulos corporativos ou outros instrumentos de dívida. Ao adquiri-los, o emissor compromete-se a pagar juros periodicamente e a reembolsar o montante principal na data de vencimento estipulada. Desta forma, as empresas imobiliárias obtêm capital sem diluir a participação dos acionistas, podendo ainda melhorar a liquidez da empresa. Reduzir a dependência dos créditos bancários é uma das suas principais vantagens, além de oferecer melhores condições em comparação com outros instrumentos de dívida, como os títulos convertíveis ou os swaps. Qualquer empresa com uma base de ativos imobiliários pode emitir este tipo de títulos, como promotoras, construtoras e SOCIMIs.

    Melhoria do mercado imobiliário e perspetivas na emissão de títulos para 2025

    Relativamente aos títulos imobiliários, as perspetivas otimistas continuam com a tendência de alta observada no último ano e espera-se que em 2025 a oferta aumente para os 30.000 milhões de euros, impulsionada pela melhoria nos mercados de renda fixa e por uma maior atividade no setor imobiliário, de acordo com o relatório ING Perspetivas para 2025 do Setor Imobiliário. Neste sentido, a oferta superou as expectativas dos especialistas, que em 2024 assistiram a um aumento na procura.

    Assim, os especialistas do banco holandês preveem que, para este ano, os mercados de títulos apresentarão melhorias contínuas para as empresas imobiliárias, pois o setor experimentará uma recuperação mais pronunciada, com cortes nas taxas e avaliações que tendem a estabilizar-se. Por sua vez, as métricas de crédito não deverão sofrer grandes deteriorações, pois o risco agora está concentrado em subsetores específicos (como os escritórios). Além disso, muitos investidores mantiveram uma exposição reduzida ao setor durante algum tempo, o que poderia gerar uma procura adicional como uma via atrativa para aumentar a exposição a cupões com uma rentabilidade mais interessante.

    No entanto, o setor imobiliário ainda enfrenta certos riscos, uma vez que a desaceleração económica na Europa e a redução do consumo podem diminuir a procura, enquanto o já mencionado setor de escritórios continua a apresentar complicações, com o aumento das taxas de desocupação em determinadas geografias ou mercados. Por outro lado, os investidores continuarão a ser cautelosos em relação a algumas partes do setor, uma vez que certas empresas ainda precisam de reduzir o seu endividamento e concentrar-se nos vencimentos da dívida nos próximos anos.

    Ainda assim, Espanha continua a registar um aumento no investimento imobiliário. Assim destaca a recente análise publicada pela CBRE “Investimento imobiliário, dados de mercado 4T24, confirmando um aumento de 20% em relação ao ano anterior – a atividade concentrou-se nos últimos meses do ano, com 36% do investimento total do ano – antecipando um 2025 com igual dinamismo.

    Além disso, existem outros fatores que se espera que impulsionem a recuperação do mercado de títulos imobiliários, conforme destacado pela ING:

    • Aumento das transações. Para 2025, prevê-se um aumento significativo, com a estabilização dos rendimentos e das avaliações, o que levará os investidores a procurar novas oportunidades.
    • Redução das taxas pelo BCE, incentivando o investimento devido ao menor custo do financiamento, o que deverá motivar emissores que permaneceram inativos desde o início de 2022 e que nos últimos anos exploraram alternativas de financiamento, incluindo o mercado de empréstimos bancários, a captação de capital, bem como a venda e desinvestimento de ativos sempre que possível.
    • A oferta de títulos verdes continua a crescer, ultrapassando pela primeira vez em 2024 a emissão de títulos convencionais, com 10.400 milhões de euros emitidos em títulos verdes contra 8.400 milhões de euros em títulos simples, quando nos últimos anos mal atingiam 50% do total. Isto indica uma mudança de tendência para o financiamento sustentável, impulsionada pelo crescente interesse em questões ambientais e pela pressão regulatória, que fomenta a procura por práticas e financiamento verdes.

    Últimas emissões de títulos no setor

    O crescimento dos títulos imobiliários em Espanha nos últimos dez anos confirma as boas perspetivas para 2025, pois as transformações no mercado imobiliário continuam a gerar tanto prudência quanto confiança neste tipo de financiamento, consolidando-se como um dos ativos que despertam maior interesse dos investidores no setor.

    Assim, várias empresas imobiliárias lançaram recentemente este tipo de títulos para financiar as suas atividades. Entre elas, a cotada Colonial emitiu com sucesso, em janeiro de 2025, uma emissão de títulos verdes no valor total de 500 milhões de euros a cinco anos, com uma procura dos investidores que multiplicou mais de oito vezes a oferta, segundo declarou a própria empresa. O cupão desta nova emissão é de 3,25% e os fundos serão utilizados para o pagamento de dívida com vencimento nos próximos meses.

    Além disso, destaca-se a Neinor Homes, com uma emissão em novembro do ano passado no valor de 325 milhões de euros, destinada a investidores qualificados e que terá um cupão de 5,8%, ao preço de 100% do seu valor nominal.

    Merlin Properties também anunciou no ano passado uma ampliação de 100 milhões de euros de uma emissão de títulos com vencimento em setembro de 2029.

  • 2025: Um bom ano para o investimento imobiliário? Os especialistas respondem

    2025: Um bom ano para o investimento imobiliário? Os especialistas respondem

    Após vários anos de incerteza e ajustamentos, 2025 perfila-se como um período de grande dinamismo para o investimento imobiliário em Espanha. Os especialistas concordam que o investimento em bens imóveis registará um crescimento significativo, atribuído principalmente a uma combinação de fatores como maior estabilidade nos indicadores macroeconómicos, a atrativa rentabilidade que o setor continua a oferecer, a descida das taxas de juro e o apelo de segmentos como living, hotelaria e retail, entre outros.

    Living e setor hoteleiro, os mais atrativos

    De acordo com o relatório Real Estate Market Outlook 2025 da CBRE, prevê-se que o volume de investimento em Espanha atinja os 16.000 milhões de euros este ano. Isto representa um crescimento de 15% face aos 14.000 milhões do ano anterior, consolidando a trajetória de crescimento iniciada em 2024.

    • O segmento living, segundo a consultora, continuará a liderar a captação de capital, representando entre 30% e 35% do investimento total em Espanha e na Europa. Apesar de estar prevista a concessão de 138.000 vistos para construção nova, a oferta continuará a ser insuficiente para satisfazer a procura, o que levará a um aumento de 5,3% nos preços da habitação. Por outro lado, as transações de compra e venda deverão diminuir 2,3%, estabilizando-se entre 600.000 e 650.000 operações anuais.
    • No que diz respeito ao setor hoteleiro, estima-se que represente entre 20% e 25% do investimento total, beneficiando do aumento de 3,4% no número de viajantes e de melhorias de 4,7% na tarifa média diária (ADR) e de 5% na receita por quarto disponível (RevPAR). Prevê-se um interesse crescente por ativos de luxo, projetos de reconversão e empreendimentos de uso misto. Além disso, as branded residences e os apartamentos com serviços emergem como opções atrativas em destinos menos tradicionais.
    • O retail, que registou uma recuperação notável de 121% em 2024, manterá a sua dinâmica positiva e poderá representar até 20% do investimento total. A CBRE projeta um crescimento de 3% nas vendas, impulsionado pela recuperação do consumo privado e pelo turismo. Neste contexto, a procura de arrendamento continuará a pressionar as rendas prime em alta, com um aumento médio de 3% nas principais localizações comerciais.
    • O mercado de escritórios manter-se-á estável em Madrid, com 550.000 m² contratados, enquanto Barcelona poderá registar um aumento de 20% na contratação anual. O investimento concentrar-se-á em ativos de elevada qualidade e em localizações estratégicas, com o segmento Midcaps a ganhar protagonismo. Além disso, a reconversão de espaços para uso residencial ou hoteleiro – tendência que em 2024 atingiu os 250.000 m² – continuará a ganhar força.
    • O setor logístico continua em ascensão, com uma ocupação nacional que superou os 2,5 milhões de m² em 2024, refletindo um crescimento de 23% face ao ano anterior. A CBRE antecipa que a absorção continue a ser marcada pela estabilidade, enquanto as rendas prime continuarão a aumentar devido à forte procura e à escassez de oferta de novos espaços. Com um investimento que variou entre 10% e 15% em 2024, este setor continuará a ser um pilar essencial do mercado imobiliário em 2025.

    Na mesma linha da CBRE, Mikel Echavarren, presidente e CEO da Colliers, aponta que, em 2025, o mercado imobiliário continuará a crescer e a diversificar-se. E fá-lo-á com um aumento moderado do investimento entre 15% e 20%. O setor hoteleiro continuará a ser, segundo a consultora, um alvo prioritário do investimento institucional, tal como o setor industrial e logístico, conforme apontado pelo jornal El Economista.

    No que respeita ao setor residencial, a Colliers prevê que, em 2025, a construção nova continue a destacar-se pela sua qualidade e sustentabilidade, com uma oferta limitada que continuará a pressionar a subida dos preços, enquanto a redução das taxas de juro facilitará o acesso à habitação.

    Residencial, pilar do investimento imobiliário

    Se há algo em que os especialistas concordam, é que o mercado residencial continuará a ser um pilar fundamental do investimento imobiliário em Espanha. Como aponta a União de Créditos Imobiliários (UCI), em 2025 espera-se um aumento de 10% na concessão de hipotecas, atingindo cerca de 400.000 operações ao longo do ano.

    Este crescimento será condicionado pela evolução das políticas monetárias e pela disponibilidade de habitação, consolidando a recuperação do setor após anos de instabilidade. Além da redução das taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE) – que tornará o crédito mais barato, facilitando a compra de habitação e promovendo novas construções – e do aumento do investimento, outros fatores que impulsionarão este desenvolvimento incluem o crescimento do modelo build to rent, com um maior protagonismo da construção de edifícios destinados ao arrendamento, assim como a construção industrializada e modular, que surge como uma solução para a escassez de habitação acessível. Por fim, prevê-se uma maior diversificação dos compradores estrangeiros, com um aumento do capital proveniente de França, países nórdicos, EUA e América Latina, ainda que britânicos e alemães continuem a liderar o investimento.

    Preços da habitação em alta

    No que diz respeito aos preços, apesar de não serem esperados aumentos bruscos, a falta de oferta continuará a impulsionar a sua subida. Nesse sentido, a UCI estima que os preços das casas continuarão a subir em 2025, com um aumento de 5% na compra e até 10% no arrendamento, especialmente nas grandes cidades e zonas costeiras.

    No entanto, a falta de habitação acessível continuará a ser um problema estrutural, afetando tanto compradores como inquilinos, sobretudo os jovens e famílias com rendimentos médios. Além disso, o setor terá de se adaptar a novas regulamentações ambientais e avançar para uma construção mais sustentável.

    Além disso, um recente relatório do Bankinter, que também analisa as perspetivas do setor imobiliário para 2025, reviu em alta as suas estimativas de preços da habitação, projetando um aumento de 8% para 2024 e de 5% para 2025. O relatório destaca ainda que os cortes nas taxas de juro, juntamente com um mercado de trabalho sólido e a escassez de oferta, impulsionarão também o crescimento do setor.

  • A transformação urbanística do solo, novo foco da CNMC para impulsionar o acesso à habitação

    A transformação urbanística do solo, novo foco da CNMC para impulsionar o acesso à habitação

    O mercado imobiliário em Espanha apresenta atualmente um notável desequilíbrio entre a oferta e a procura de habitação, que se tem agravado nos últimos anos. Após décadas marcadas pela bolha imobiliária de 2008 e a posterior crise, a construção de novas habitações reduziu-se drasticamente, passando de níveis de até 600.000 habitações anuais para apenas 90.000, segundo o relatório anual de 2023 do Banco de Espanha.

    Esta situação provocou um aumento sustentado dos preços de venda e arrendamento, dificultando o acesso à habitação, especialmente para os jovens e as famílias com rendimentos moderados. Neste contexto, a CNMC (Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência) lançou um estudo para analisar e melhorar a transformação urbanística do solo, com o objetivo de disponibilizar terrenos para a construção de habitações e, assim, equilibrar o mercado. A entidade pública, que tem entre as suas funções promover uma concorrência efetiva e proteger os consumidores, sublinha que o solo é um componente essencial que influencia o preço final das habitações.

    Proposta da CNMC para a transformação urbanística do solo

    A CNMC propõe acelerar os processos de urbanização do solo para melhorar o acesso à habitação, destacando a necessidade de simplificar a burocracia e modernizar a legislação vigente, que, por vezes, atua como um obstáculo ao desenvolvimento urbanístico.

    A CNMC explica que a escassez de solo e as restrições administrativas aumentam o custo de construção e reduzem a oferta de habitação. Por isso, propõe que a urbanização do solo seja realizada de forma ágil e rápida, mantendo sempre as garantias necessárias para assegurar a qualidade e segurança das construções. Além disso, a entidade convida os intervenientes do setor, desde promotores até cidadãos interessados, a fornecerem informações que enriqueçam o diagnóstico, em linha com o seu compromisso de transparência e colaboração.

    Neste sentido, Sergio Arana, Managing Director de Real Estate da Urbanitae, destaca a importância do solo neste processo, como “a matéria-prima essencial para o desenvolvimento de novas habitações. Sem solo, não se podem construir mais casas. E esse solo deve ser finalista, ou seja, pronto para solicitar licença”.

    Conteúdo e objetivos do estudo

    O estudo da CNMC baseia-se numa análise exaustiva do quadro normativo e dos procedimentos administrativos que atualmente atrasam a transformação urbanística do solo. Para tal, serão revistas as normativas a nível municipal, regional e estatal, identificando as disposições que são desnecessariamente restritivas. A entidade pretende recolher dados e opiniões de especialistas, promotores e cidadãos, com o objetivo de diagnosticar com precisão os obstáculos que impedem uma urbanização eficiente.

    Esta abordagem colaborativa permitirá, a partir da informação recolhida, formular recomendações concretas que possam facilitar a disponibilização de solo e dinamizar o desenvolvimento de novos projetos residenciais. Assim, o principal objetivo do estudo é aumentar a oferta de habitação em Espanha através da identificação e eliminação de barreiras que encarecem e atrasam o processo de urbanização. A CNMC procura reduzir os custos associados à transformação do solo e encurtar os prazos de execução, permitindo que mais terrenos sejam disponibilizados para novos projetos habitacionais. Ao melhorar a eficiência do desenvolvimento urbanístico, promover-se-á um ambiente de maior concorrência no setor imobiliário, beneficiando tanto os promotores como os consumidores. Estes objetivos estão alinhados com o Plano Estratégico 2021-2026 da CNMC, que prioriza a proteção dos consumidores e o impulso da produtividade e eficiência económica.

    No que diz respeito às medidas regulatórias mais eficazes para acelerar a urbanização sem comprometer a qualidade e segurança dos projetos, Arana sublinha que “uma delas seria estabelecer prazos mais curtos para a Administração conceder as licenças e autorizações necessárias. Além disso, incentivaria sistemas de cooperação nas áreas onde a iniciativa privada (os proprietários de terrenos) não tenha capacidade para impulsionar o desenvolvimento de solos urbanizáveis. É necessário um consenso entre todas as Administrações para que se produza mais solo e mais rapidamente. E se as Direções de Urbanismo estão sobrecarregadas, a solução é contratar mais pessoal, como fazem as empresas privadas. É uma questão de vontade, não há mais nada a dizer”.

    Agilização do desenvolvimento urbanístico

    Para alcançar um desenvolvimento urbanístico mais ágil, a CNMC propõe várias estratégias integradas. Uma das propostas é a simplificação dos trâmites administrativos, através da implementação de sistemas digitais que permitam gerir eletronicamente licenças e autorizações, reduzindo assim os tempos de resposta. Outra estratégia consiste na atualização e modernização da legislação vigente, eliminando disposições obsoletas que impedem a rápida conversão do solo em áreas urbanizadas. A entidade também destaca a importância de fomentar a colaboração público-privada, o que facilitaria o acesso a terrenos urbanizáveis e impulsionaria o investimento em projetos residenciais. Além disso, sugere-se o aproveitamento das novas tecnologias, como o uso de big data, inteligência artificial e realidade aumentada, para otimizar o planeamento e o acompanhamento de projetos, contribuindo para uma transformação do solo mais eficiente e menos dispendiosa.

    Na perspetiva do especialista da Urbanitae, o desafio reside na “insegurança jurídica, sob a forma de prazos imprevisíveis para a aprovação dos projetos de urbanização e de reparcelamento, que representa a principal barreira. Se esta barreira fosse eliminada, haveria investimento destinado à transformação do solo. Além disso, contemplar sistemas de cooperação (liderados pela Administração) tornaria o processo ainda mais ágil”, explica.

    Importância de impulsionar a construção de novas habitações

    A construção de novas habitações é fundamental para contrariar o défice habitacional que afeta o mercado espanhol, uma vez que aumentar a produção de habitações permite não apenas responder à crescente procura, mas também estabilizar os preços num ambiente marcado por preços elevados e uma oferta limitada. Este impulso à construção de novas habitações torna-se uma ferramenta essencial para dinamizar o setor imobiliário e garantir o acesso à habitação, especialmente em zonas onde o custo do solo e os trâmites burocráticos têm travado o desenvolvimento urbanístico.

    Impulsionar a construção de novas habitações através de iniciativas como a Urbanitae não só favorece o crescimento da oferta habitacional, como também contribui para uma transformação integral do setor imobiliário. Ao permitir que tanto investidores particulares como profissionais possam investir em projetos de forma transparente e acessível, cria-se um círculo virtuoso que potencia o investimento e dinamiza a construção.

  • É rentável investir em planos de pensões?

    É rentável investir em planos de pensões?

    Investir em planos de pensões tem sido durante décadas uma das ferramentas mais populares para planificar a reforma. Estes instrumentos financeiros estão desenhados para acumular uma poupança a longo prazo e oferecer uma renda complementar ao sistema público de pensões. No entanto, nos últimos anos, surgiram dúvidas sobre a sua rentabilidade e conveniência, especialmente em comparação com outras alternativas de investimento. Apesar destas preocupações, os planos de pensões continuam a oferecer vantagens importantes para determinados perfis de poupadores, embora exijam uma análise detalhada para determinar se se alinham com os objetivos individuais.

    Neste artigo, vamos explorar as chaves dos planos de pensões, desde o seu design e vantagens fiscais até à sua rentabilidade real a longo prazo. Também vamos comparar os seus custos com outras opções e ver como aproveitar ao máximo este produto financeiro, para aqueles que procuram poupar de forma estruturada para a sua reforma.

    Vantagens e características chave do plano de pensões

    Uma das principais vantagens dos planos de pensões é a sua fiscalidade. As contribuições realizadas permitem uma dedução na base tributável do IRS, o que pode representar uma poupança imediata no momento da declaração de IRS. Por exemplo, uma pessoa com uma taxa marginal de 47% que contribua com 1.500 euros por ano para o seu plano, receberá um retorno fiscal de 705 euros. Além disso, esta poupança fiscal pode ser reinvestida em outros instrumentos financeiros, maximizando o rendimento do capital acumulado.

    Outra característica relevante é a possibilidade de mudar de plano de pensões sem tributar por isso. Isto permite ajustar o risco do investimento conforme o momento de vida do poupador. Por exemplo, é habitual começar com planos de renda variável em idades mais jovens, que oferecem maiores rentabilidades potenciais, e ir reduzindo o nível de risco à medida que se aproxima a reforma. Além disso, a legislação permite resgatar o plano apenas em casos específicos, como reforma, falecimento ou doença grave, o que reforça o seu caráter de poupança comprometida e evita o uso impulsivo dos fundos.

    São rentáveis os planos de pensões?

    A perceção de baixa rentabilidade nos planos de pensões é frequente, mas a realidade é que nem sempre é assim. Segundo dados recentes, a rentabilidade média a longo prazo dos planos de pensões situa-se em torno dos 3,1% ao ano líquido a 20 anos. Os planos de renda variável, em particular, destacam-se com um rendimento anual de 25% em 2024. No entanto, as diferenças na gestão são significativas, uma vez que a escolha de um plano com menores comissões e uma estratégia diversificada pode fazer a diferença no capital acumulado.

    Neste sentido, as comissões de gestão e custódia são um fator crítico. Embora a legislação estabeleça um limite de 1,50% na gestão e de 0,25% na custódia, algumas gestoras automatizadas oferecem alternativas com custos totais de 0,54% por ano, muito abaixo da média do mercado. Estas reduções de custos podem aumentar a rentabilidade final em mais de 10% acumulado em seis anos, o que demonstra a importância de comparar as opções disponíveis antes de decidir.

    Planeamento financeiro para um resgate eficiente

    Quando chega o momento de resgatar o plano de pensões, este é tributado como rendimentos do trabalho, com taxas de imposto entre 19% e 47%. Existem três modalidades de resgaste: em forma de capital, como renda periódica ou através de uma combinação de ambas. A escolha de uma ou outra tem um impacto significativo na fiscalidade, pelo que se recomenda realizar um planeamento financeiro prévio. Simular diferentes cenários de resgaste pode otimizar o resultado e minimizar o impacto fiscal, maximizando assim o capital disponível para a reforma.

    Conclusão

    Embora os planos de pensões tenham limitações, como a iliquidez e a dependência das normas fiscais, continuam a ser uma boa ferramenta para manter uma poupança estruturada. No entanto, é importante diversificar os investimentos e considerar outras opções, como fundos indexados, produtos de renda fixa ou até investimentos imobiliários, que podem oferecer alternativas complementares ou mais adequadas para certos perfis. No final, a chave está em desenhar uma estratégia de poupança personalizada, que combine produtos e abordagens para alcançar os objetivos de reforma com a maior eficiência possível.

  • A sustentabilidade afeta a procura por habitação?

    A sustentabilidade afeta a procura por habitação?

    Nos últimos anos, a sustentabilidade na procura por habitação consolidou-se como um eixo fundamental. No entanto, para além das regulamentações e normas sobre eficiência energética de que falámos noutros artigos recentes, emergem hoje novas formas de entender a sustentabilidade, que estão a mudar a forma como tanto os consumidores como os promotores imobiliários percebem e procuram habitação.

    Neste artigo, exploramos como a sustentabilidade está a transformar a procura por habitação, não apenas através da eficiência energética, mas também através de fatores como o bem-estar social, a economia circular e os novos modelos de habitação colaborativa.

    O bem-estar social como novo incentivo para a sustentabilidade

    Durante anos, a sustentabilidade na habitação esteve focada em aspetos como a eficiência energética, a redução das emissões de CO2 e a utilização de materiais reciclados. No entanto, a sustentabilidade está agora a expandir-se para incluir um conceito mais holístico que incorpora o bem-estar social e a qualidade de vida.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as habitações não devem ser apenas energeticamente eficientes, mas também devem promover um ambiente saudável para os seus ocupantes. Isto implica aspetos como o acesso à luz natural, uma ventilação adequada, o uso de materiais não tóxicos, a qualidade do ar interior e, inclusivamente, o acesso a zonas verdes e espaços comunitários.

    Neste sentido, observa-se um crescimento na procura por habitações que promovam um bem-estar integral, que não se limite apenas ao conforto físico, mas que também considere a saúde mental e a coesão social. Esta abordagem torna-se cada vez mais relevante num contexto pós-pandemia, em que a habitação não é apenas um espaço para viver, mas também um local que deve oferecer segurança, bem-estar emocional e, em alguns casos, servir como centro de trabalho.

    Habitação colaborativa: o ressurgimento de modelos alternativos de convivência

    Um fenómeno emergente que está a ganhar força, especialmente em cidades onde os preços da habitação são elevados, é o conceito de habitação colaborativa. Trata-se de um modelo em que várias famílias ou indivíduos partilham espaços comuns, como cozinhas, jardins e salas de estar, mantendo ao mesmo tempo habitações privadas. Esta abordagem reduz o consumo de recursos, fomenta a cooperação entre os residentes e otimiza a utilização de materiais.

    Este modelo tem também um forte componente sustentável, pois reduz a pegada ecológica individual, uma vez que recursos como a água, a energia e os materiais de construção são partilhados entre os residentes, diminuindo assim o impacto ambiental. Além disso, a habitação colaborativa incentiva a economia circular, promovendo a reutilização de materiais e produtos em vez da compra constante de novos recursos. Um exemplo desta ideia é o projeto Urban Campus, um coliving pensado para jovens profissionais, mobilado e com todas as despesas e serviços incluídos, desde espaços de trabalho a terraços com churrasqueira ou ginásio.

    O impacto da tecnologia na procura por habitação sustentável

    A tecnologia está a desempenhar um papel cada vez mais importante na sustentabilidade da habitação, não apenas em termos de eficiência energética, mas também na gestão de recursos e na criação de habitações inteligentes. A integração de tecnologias como sistemas de automação, gestão inteligente da energia e plataformas de monitorização de recursos está a transformar a forma como as casas gerem o consumo energético e as necessidades de água, aquecimento e eletricidade.

    As habitações inteligentes permitem que os proprietários gerenciem a utilização de recursos de forma mais eficiente, ajustando a temperatura, a iluminação e o consumo de energia ao longo do dia para minimizar o desperdício. Além disso, a inteligência artificial pode prever e otimizar os padrões de consumo, levando a uma redução significativa da pegada de carbono dos lares.

    Este tipo de tecnologia verde está a tornar-se uma exigência crescente por parte dos consumidores, especialmente num contexto em que a consciência sobre as alterações climáticas e a sustentabilidade continua a aumentar.

    A sustentabilidade e a procura por habitação num mercado imobiliário competitivo

    O setor imobiliário, especialmente nas grandes cidades, enfrenta uma crescente procura por habitações sustentáveis, devido à maior consciencialização sobre o impacto ambiental da construção e do quotidiano. Os compradores e inquilinos agora priorizam habitações que não só ofereçam baixos custos operacionais, mas que também sejam resilientes às alterações climáticas e respeitadoras do meio ambiente.

    Contudo, este aumento da procura está também a levar os promotores imobiliários a procurar formas de adaptar os seus projetos às novas expectativas. Isto está a impulsionar uma mudança nas normas de construção e na utilização de materiais ecológicos e energia renovável.

    Por outro lado, o mercado de arrendamento também tem registado um aumento na preferência por habitações sustentáveis, já que, apesar dos custos, e sempre que possível, os inquilinos valorizam cada vez mais a eficiência energética e os baixos custos associados a viver numa casa que cumpra os padrões ecológicos.

  • Silk Pay: o programa de fidelização e de pagamentos para inquilinos e proprietários

    Silk Pay: o programa de fidelização e de pagamentos para inquilinos e proprietários

    A Silk nasceu com uma visão clara: transformar o arrendamento, tradicionalmente visto como um simples gasto, numa oportunidade para gerar valor tanto para inquilinos como para proprietários. Com a sua plataforma de pagamentos, a plataforma automatiza os recebimentos e liga-os diretamente a um inovador programa de fidelização. Cada vez que um inquilino paga a renda a tempo ou compra nas marcas associadas, ganha pontos que podem ser trocados por descontos na renda ou cartões-presente. Nesta entrevista, Miguel Linera, CEO e cofundador da Silk, fala-nos sobre as origens da empresa, os projetos em que está a trabalhar e o futuro.

    Quando e por que surgiu a Silk e quem está por trás deste projeto?

    A Silk nasceu originalmente com a ideia de revolucionar a fidelização no setor imobiliário. Quando começámos, detectámos uma oportunidade para transformar o arrendamento, que tradicionalmente é apenas um gasto, num ponto de partida para criar valor tanto para inquilinos como para proprietários. No entanto, rapidamente percebemos que a oportunidade era muito mais ampla se fôssemos capazes de modernizar a infraestrutura de pagamentos na indústria imobiliária.

    Foi assim que nasceu a Silk Pay, a nossa plataforma de pagamento especializada nos fluxos de dinheiro do setor, que automatiza os recebimentos e os liga diretamente ao nosso programa de fidelização. Fundámos a Silk, Ignacio Suárez, Alfonso Chaparro e eu, depois de termos trabalhado juntos na Arextech.

    Antes da Silk, lideraram a Arextech, uma startup que foi adquirida pela Architrave. Como é que essa experiência influenciou o desenvolvimento da Silk?

    A Arextech foi uma empresa de software empresarial criada para simplificar processos complexos relacionados com a comercialização e gestão de ativos imobiliários. Trabalhar nesse ambiente permitiu-nos compreender profundamente as operações dos nossos clientes e encontrar formas de traduzir essas complexidades em soluções tecnológicas claras e funcionais.

    Hoje, graças ao que aprendemos, planeamos com maior rapidez, otimizamos os esforços e garantimos que cada funcionalidade que adicionamos à Silk tenha um impacto tangível a longo prazo. Focamo-nos em trazer um valor claro e alinhado com as expectativas de quem confia na nossa solução. Sem a experiência adquirida na Arextech, seria impossível movermo-nos com a velocidade e precisão que temos agora.

    “A Silk Pay foi projetada especificamente para o setor imobiliário, onde os fluxos de dinheiro são recorrentes, mais complexos e com quantias significativamente mais altas.”

    A plataforma oferece um programa de fidelização único que permite aos inquilinos ganhar pontos ao pagar a sua renda e realizar compras diárias. Como funciona este sistema e qual é o impacto para os utilizadores?

    Cada vez que os inquilinos pagam a sua renda a tempo ou fazem compras através da nossa rede de marcas associadas, que conta com mais de 150 parceiros, incluindo marcas como Iberia, Adidas, Lidl, Decathlon e outras, ganham pontos que podem ser trocados por descontos na renda ou cartões-presente. Isto não só incentiva os pagamentos pontuais, como também transforma o arrendamento numa coisa mais do que uma obrigação mensal, criando um impacto positivo tanto na vida financeira dos utilizadores como na gestão financeira dos proprietários e gestores.

    Para além dos benefícios para os inquilinos, a plataforma simplifica a gestão de pagamentos para os proprietários. Que incentivos específicos oferece a Silk para atrair mais proprietários à sua rede?

    Ao contrário das plataformas de pagamento desenhadas para e-commerce, otimizadas para lidar com transações rápidas e únicas, a Silk Pay foi projetada especificamente para o setor imobiliário, onde os fluxos de dinheiro são recorrentes, mais complexos e com quantias significativamente mais altas. No âmbito do arrendamento, os pagamentos não são uma simples transação: geralmente envolvem conciliações manuais, gestão de incidentes e um acompanhamento mais detalhado que as ferramentas de e-commerce não estão preparadas para abordar.

    Muitas empresas do setor imobiliário tentaram adaptar plataformas pensadas para o comércio eletrónico às suas operações, mas essas soluções carecem de funcionalidades críticas, como a automatização do acompanhamento de pagamentos recorrentes, a integração com sistemas de gestão imobiliária e a capacidade de resolver discrepâncias de forma eficiente. Este desajuste gera ineficiências e frustrações tanto para os proprietários como para os inquilinos, sem melhorar a situação atual dos pagamentos por transferências e domiciliamentos bancários, que provocam inúmeros problemas.

    A Silk Pay, ao contrário, foi desenvolvida para responder a estas necessidades específicas. Permite ao proprietário iniciar o pagamento, automatiza a conciliação, facilita o acompanhamento de pagamentos recorrentes e, além disso, integra-se perfeitamente com o nosso programa de fidelização. Isso permite aos proprietários oferecer um plano de lealdade aos seus clientes e incentiva os inquilinos a pagar pontualmente, poupando mês após mês através das suas compras.

    Um cartão bancário próprio para facilitar os pagamentos de arrendamento é o próximo projeto da Silk. Quais serão as características deste cartão e como melhorará a experiência do utilizador?

    O cartão bancário próprio da Silk é concebido como uma evolução estratégica da nossa plataforma, embora não tenhamos previsão de lançamento até 2026. Este cartão permitirá aos inquilinos domiciliar o seu arrendamento através da Silk Pay, acumulando pontos automaticamente com cada pagamento. Além disso, complementará o programa atual, em que os utilizadores já ganham pontos pelas suas compras online, oferecendo também a possibilidade de acumular pontos com qualquer compra em lojas físicas.

    Embora ainda esteja em fase de planeamento, o objetivo é que este cartão funcione como uma ponte entre os pagamentos recorrentes e as finanças diárias do inquilino, maximizando os benefícios de pertencer ao ecossistema Silk. Queremos que cada gasto, seja na renda, no supermercado ou numa cafeteria, se torne uma oportunidade para poupar e aceder a recompensas. Isso reforça a nossa visão de construir uma solução integral que não só simplifique a gestão do arrendamento, mas também melhore a experiência financeira global dos nossos utilizadores.

    Fecharam uma ronda de financiamento de 770.000 euros com o apoio da socimi Ktesios, do Grupo ENLACE e do Grupo Hive. Em que vão investir este capital?

    Estamos a destinar o capital principalmente para fortalecer a Silk Pay, o eixo central da nossa plataforma, melhorando o produto para que seja cada vez mais intuitivo, fácil de integrar e eficiente. Atualmente, focamo-nos em otimizar processos como a automatização e a gestão de pagamentos, bem como a conciliação, garantindo que cada funcionalidade traga um valor real.

    Também estamos a investir em expandir o programa de fidelização, aumentando as marcas associadas e oferecendo mais benefícios exclusivos para os utilizadores, maximizando o valor de cada transação, seja o pagamento da renda ou as compras diárias.

    Quanto à expansão internacional, estamos a realizar pilotos na Alemanha e no Reino Unido, com o objetivo de estabelecer as bases para uma expansão mais rápida.

    “Escolhemos parceiros estratégicos que complementem o dia a dia dos nossos utilizadores e ofereçam benefícios tangíveis que realmente tragam valor.”

    A empresa assinou acordos com mais de 100 marcas como Miravia, Nike e JustEat. Que critérios utilizam para escolher os seus parceiros e que vantagens específicas oferecem estas parcerias aos utilizadores da Silk?

    Escolhemos parceiros estratégicos que complementem o dia a dia dos nossos utilizadores e ofereçam benefícios tangíveis que realmente tragam valor. Focamo-nos em marcas relevantes para o consumo diário, como supermercados, moda, delivery e serviços essenciais, garantindo que os utilizadores possam ganhar pontos por compras que já teriam feito, em qualquer caso.

    Além disso, estas parcerias reforçam a ligação entre a Silk Pay, o pagamento da renda e o programa de fidelização, permitindo aos utilizadores maximizar as suas recompensas com cada gasto e utilizar os pontos para reduzir a sua quota de arrendamento. Deste modo, criamos uma experiência que integra perfeitamente as suas necessidades financeiras e de consumo.

    Com mais de 40.000 inquilinos já na rede, que planos têm para expandir em Espanha e em outros países europeus? Quais mercados consideram prioritários e porquê?

    A nossa prioridade imediata é consolidar a Silk Pay em Espanha, trabalhando de perto com os nossos investidores, que já estão a começar a integrar a Silk como a sua solução para gerir pagamentos de arrendamento. Além disso, estabelecemos colaborações estratégicas com empresas de software de gestão de arrendamentos, o que nos permite acelerar a distribuição e adoção do produto em maior escala.

    Quanto aos mercados prioritários, estamos a realizar pilotos na Alemanha e no Reino Unido, dois países com uma grande percentagem de habitação para arrendar e uma evidente falta de soluções de pagamento projetadas especificamente para o setor imobiliário. Estes mercados representam uma grande oportunidade para nos posicionarmos como o padrão na modernização de pagamentos, oferecendo uma combinação única de automação e fidelização.

    Como percebem o mercado de arrendamento em Espanha e na Europa atualmente? Como é que a Silk pode contribuir para mudar a perceção do arrendamento?

    O mercado de arrendamento em Espanha e na Europa enfrenta desafios profundos, sendo um dos mais evidentes a falta de habitação disponível. Isso não se resolverá sem uma mudança nas políticas públicas que permitam construir mais habitação nas zonas onde a procura excede largamente a oferta, seja aumentando a densidade com construções em altura ou expandindo as áreas urbanizadas.

    Da nossa parte, embora não possamos influenciar diretamente o acesso à habitação, acreditamos que podemos tornar o processo de arrendar mais simples e justo para os inquilinos. Algo tão básico como poder pagar o arrendamento da forma que preferir não deveria ser um luxo. É absurdo que possa pagar um café de 1 € com cartão, mas não o seu arrendamento, quando este representa, em média, mais de 30 % dos rendimentos dos europeus. Todos os proprietários deveriam aceitar múltiplos métodos de pagamento, não apenas transferência ou domiciliamento. Isso facilita a experiência do utilizador. Por exemplo, temos utilizadores que preferem adiar o pagamento das suas rendas ao fazê-lo com cartões de crédito; outros, que vêm de fora da União Europeia, pagam com os cartões dos seus países sem necessidade de abrir uma conta bancária em Espanha; e outros, que simplesmente querem usar o mesmo método que já utilizam para serviços como o Netflix ou o Spotify.

    Além disso, acreditamos que podemos ajudar a mudar a perceção de que o arrendamento é “dinheiro deitado à rua”. A Silk não vai reduzir o preço dos arrendamentos em Espanha, mas permitirá que os inquilinos recuperem dinheiro por pagamentos que, anteriormente, não lhes ofereciam qualquer benefício.

  • O futuro dos escritórios na Europa: está em risco?

    O futuro dos escritórios na Europa: está em risco?

    O futuro dos escritórios na Europa enfrenta um cenário em mudança que está a redefinir o seu funcionamento e atratividade como investimento. De acordo com um relatório da Cushman & Wakefield, mais de 70% dos escritórios na Europa poderão tornar-se obsoletos até 2030.

    Este desafio deve-se a três fatores principais: as novas regulamentações de sustentabilidade, a transformação dos modelos de trabalho após a pandemia e a pressão económica. A seguir, este artigo analisa a situação atual destes desafios que os escritórios na Europa enfrentam e explora como podem ser transformados em oportunidades para maximizar o valor dos seus ativos.

    Novas regulamentações e o desafio da sustentabilidade

    A sustentabilidade tornou-se um pilar fundamental para o futuro dos escritórios. A Diretiva (UE) 2024/1275 sobre o desempenho energético dos edifícios (EPBD) exige que os novos edifícios de escritórios alcancem padrões de emissões quase nulas até 2030, e que os edifícios existentes se adaptem até 2050. Esta mudança regulatória obrigará os proprietários a investir significativamente na modernização dos seus ativos para cumprir as novas exigências, como as certificações de sustentabilidade.

    Os edifícios que não conseguirem adaptar-se poderão enfrentar sanções legais e perder competitividade, uma vez que as empresas estão cada vez mais a dar prioridade a escritórios sustentáveis e eficientes. Na Europa Ocidental, onde muitos escritórios têm mais de três décadas, esta transição representa um grande desafio. No entanto, apesar dos custos iniciais elevados, a modernização pode gerar benefícios a longo prazo, como a redução de custos operacionais e uma maior atratividade para inquilinos premium.

    O impacto da mudança nos modelos de trabalho

    A evolução para modelos de trabalho híbrido e remoto transformou a forma como as empresas utilizam os espaços de escritório. Muitas organizações estão a reduzir o tamanho das suas instalações, combinando trabalho presencial e remoto, o que significa que já não necessitam de espaço para todos os funcionários. De acordo com a Cushman & Wakefield, os escritórios localizados fora das zonas centrais apresentam taxas de vacância até 550 pontos base mais altas do que aqueles situados nos centros urbanos. Isto significa que é muito mais fácil arrendar escritórios afastados dos principais centros urbanos, apesar de serem menos atrativos tanto para as empresas como para os funcionários.

    Esta mudança também aumentou a procura por espaços mais modernos, que ofereçam serviços de alta qualidade, características sustentáveis e localizações estratégicas. Por outro lado, os edifícios mais antigos ou situados em locais de alta procura com preços elevados enfrentam um risco significativo de ficarem desocupados, o que coloca pressão adicional sobre os proprietários para reposicionarem os seus ativos.

    Pressões económicas: custos e competitividade

    O atual ambiente económico acrescenta outra camada de complexidade ao setor dos escritórios. Fatores como o aumento das taxas de juro, a inflação e o crescimento dos custos de energia aumentaram os encargos financeiros para proprietários e inquilinos. Renovar edifícios para cumprir as novas regulamentações ambientais exige investimentos significativos, o que pode ser um desafio num momento de menor rentabilidade em alguns segmentos do mercado.

    Além disso, a concorrência de alternativas como os espaços de coworking e a ascensão de soluções flexíveis deslocaram parte da procura de escritórios tradicionais. Os proprietários precisam de se adaptar a estas dinâmicas, oferecendo propostas de valor diferenciadas, como contratos mais flexíveis, espaços personalizáveis e serviços adicionais.

    Reposicionar e reutilizar: da obsolescência à oportunidade

    Apesar dos desafios, há exemplos bem-sucedidos de transformação que demonstram o potencial de reposicionar ativos de escritório. Projetos como a Torre Pujades em Barcelona mostram como a incorporação de características sustentáveis e a melhoria dos serviços podem revitalizar edifícios e aumentar a sua atratividade no mercado. Em Londres, outro caso relevante foi a conversão de um parque empresarial obsoleto num espaço de uso misto centrado em serviços de saúde, diversificando assim as fontes de receita do proprietário.

    No entanto, de acordo com o relatório da Cushman & Wakefield, é essencial que seja realizado um análise financeira baseada em diferentes cenários para determinar se um edifício deve ser renovado, reposicionado ou até mesmo transformado para um uso completamente diferente.

    Conclusão: adaptar-se ou desaparecer

    O futuro dos escritórios na Europa depende da capacidade dos proprietários para antecipar as mudanças e agir rapidamente. Os desafios relacionados com a sustentabilidade, os modelos de trabalho e as pressões económicas não devem ser vistos apenas como ameaças, mas também como oportunidades para transformar ativos e adaptá-los às exigências do mercado atual. Investimentos em tecnologia, eficiência energética e propostas de valor flexíveis serão essenciais para garantir a relevância e o desempenho destes ativos no futuro.

    Com uma abordagem estratégica, os escritórios europeus podem superar as barreiras atuais e emergir mais fortes, sustentáveis e alinhados com as expectativas das empresas e dos trabalhadores do futuro.

  • Como saber quando um investimento é rentável para além das comissões?

    Como saber quando um investimento é rentável para além das comissões?

    Num ambiente económico cada vez mais complexo e dinâmico, onde fatores como a inflação, a volatilidade dos mercados e as mudanças nas políticas monetárias influenciam constantemente o comportamento dos ativos de investimento, é essencial ir além dos dados “superficiais” para identificar uma boa oportunidade. Tradicionalmente, muitos investidores concentraram-se na rentabilidade de um investimento sem considerar que as comissões, os custos de gestão e outras despesas associadas podem reduzir significativamente os lucros ao longo do tempo.

    Por isso, é fundamental analisar cuidadosamente se um investimento é realmente rentável, avaliando não apenas a rentabilidade bruta, mas também a sua capacidade de gerar um retorno líquido que compense estes custos. Plataformas como a Urbanitae desempenham um papel fundamental ao oferecer informação atualizada, permitindo que os investidores compreendam de forma clara e precisa quando um investimento realmente cumpre os seus objetivos de rentabilidade, descontando todas as comissões e custos associados.

    A importância de uma boa análise antes de investir

    Passar de um perfil meramente poupador para um perfil investidor não significa apenas mudar a forma de gerir o dinheiro, mas também adotar uma mentalidade orientada para a otimização do capital e do risco que se pode assumir. Esta mudança é crucial para minimizar ao máximo a possibilidade de sofrer perdas, pois permite diversificar os investimentos e aproveitar oportunidades que, de outra forma, estariam fora do nosso alcance.

    Nesse sentido, se quisermos evoluir para um perfil de investidor, é essencial adquirir um conhecimento profundo de cada produto ou ativo no qual pretendemos investir. Isso inclui compreender as características específicas da operação, os instrumentos financeiros envolvidos e os riscos inerentes a cada um. Ao fazê-lo, podemos tomar decisões informadas e estruturar uma estratégia de investimento que satisfaça os nossos objetivos.

    Por exemplo, ao investir na bolsa, a Comissão Nacional do Mercado de Valores recomenda seguir diferentes passos que podem ser considerados em qualquer investimento, como definir objetivos financeiros, escolher um intermediário (como consultores ou gestores) e, finalmente, selecionar o produto adequado, tendo em conta não apenas a rentabilidade histórica, mas também fatores como as comissões, que, embora possam parecer insignificantes inicialmente, podem ter um impacto significativo a longo prazo. Além disso, é essencial monitorizar a evolução do mercado e ajustar a estratégia caso a situação pessoal ou económica mude.

    Como utilizar métricas financeiras e técnicas de avaliação para determinar a rentabilidade de um investimento

    Mesmo sem contar com um consultor financeiro, existem várias ferramentas e métricas que podem ajudar a avaliar se um investimento é rentável. Entre elas, destacam-se o Valor Atual Líquido (VAL), a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o retorno sobre o investimento (ROI).

    Uma das principais ferramentas é o VAL, que consiste em descontar todos os fluxos de caixa futuros ao seu valor presente. Assim, considera-se o valor do dinheiro no tempo e o risco do investimento. Por exemplo, se se espera receber uma determinada quantia no futuro, aplica-se uma taxa de desconto (geralmente relacionada com o custo de oportunidade ou o risco do investimento) para determinar o valor atual. Quando o VAL é positivo, significa que o investimento proporcionará ganhos superiores ao seu custo inicial. Estas técnicas são fundamentais para avaliar projetos em diferentes setores, sejam fundos, imobiliário ou instrumentos financeiros, permitindo comparar opções de investimento de forma objetiva.

    Outro indicador fundamental é a TIR, ou Taxa Interna de Retorno, que representa o rendimento potencial do dinheiro num investimento futuro. Uma taxa interna de retorno elevada indica um investimento com bons benefícios, enquanto uma taxa baixa sugere a necessidade de considerar opções mais rentáveis. A TIR é especialmente útil na avaliação de investimentos com diferentes períodos de recuperação e estruturas de pagamento. Comparar a TIR de diversos investimentos, ajustada ao risco e às comissões, proporciona uma visão clara sobre qual deles é mais atrativo.

    Por outro lado, é importante considerar outros indicadores como o ROI e a rentabilidade líquida, que analisam não apenas o lucro bruto, mas também todos os custos associados, incluindo impostos e despesas de gestão. Ao combinar estes indicadores, obtém-se uma visão global da rentabilidade do investimento, ajudando a detetar potenciais “armadilhas”, onde um investimento aparentemente rentável em termos brutos pode revelar-se menos atrativo após a dedução das despesas recorrentes e das comissões.

    Além disso, é essencial considerar o efeito da inflação: para determinar o crescimento real do capital, é necessário descontar o aumento dos preços e calcular a rentabilidade em termos de poder de compra. Assim, um investimento que possa parecer rentável em valores nominais pode não o ser se a inflação reduzir o seu valor efetivo.

    Técnicas de avaliação qualitativa e quantitativa

    Embora as métricas financeiras sejam muito úteis, não abrangem toda a complexidade de um investimento. Por isso, é essencial combinar técnicas quantitativas e qualitativas.

    Avaliação quantitativa

    Esta abordagem foca-se em dados numéricos e rácios. Além do VAL, TIR e ROI, já mencionados, existem indicadores como o ROE (Retorno sobre o Capital Próprio) ou o ROA (Retorno sobre os Ativos), que ajudam a medir a eficiência de uma empresa na geração de lucros. Além disso, a rentabilidade acumulada e a rentabilidade média anualizada proporcionam uma visão do desempenho do capital ao longo do tempo. É também importante avaliar a evolução das comissões, pois mesmo diferenças mínimas – especialmente em fundos e ETFs – podem ter um impacto significativo na rentabilidade a longo prazo.

    Avaliação qualitativa

    Aqui são considerados aspetos que não se refletem nos números: a qualidade da equipa de gestão, a solidez da estratégia de negócio, a posição competitiva no mercado e as perspetivas futuras do setor. Por exemplo, uma empresa com uma equipa de direção experiente, com vantagens competitivas notáveis e orientada para a inovação pode ser um investimento atrativo, mesmo que, a curto prazo, os seus números financeiros não sejam os mais brilhantes.

    Uma combinação de ambas as avaliações, quantitativa e qualitativa, permite obter uma visão mais completa e equilibrada, sendo fundamental para tomar decisões de investimento informadas e gerir adequadamente o risco inerente a qualquer investimento.

    Urbanitae: esta é a sua rentabilidade

    De acordo com a Allianz Global Investors, os mercados privados, especialmente o setor imobiliário e as infraestruturas, apresentam oportunidades atrativas em 2025. A Urbanitae, com o seu foco em crowdfunding imobiliário, permite que os investidores participem em projetos com investimentos mínimos.

    Ao avaliar a rentabilidade de um investimento, é essencial considerar não apenas as métricas financeiras tradicionais, mas também o desempenho e as garantias oferecidas pela plataforma de investimento. Em 2024, a Urbanitae aumentou o seu volume financiado em 60%, atingindo os 213 milhões de euros distribuídos por 66 projetos.

    Desde a sua fundação em 2017, a plataforma captou e investiu um total de 480 milhões de euros, facilitando e impulsionando a construção de 2.500 habitações em 2024 e mais de 5.000 desde o seu início, com projetos em várias regiões de Espanha, incluindo Madrid, Andaluzia, Barcelona, Saragoça, Valladolid e País Basco. Além disso, a empresa está em processo de expansão internacional, estabelecendo equipas em Portugal, França e Itália para replicar o seu modelo de negócio nesses mercados.

    Estes números refletem um rigoroso processo de seleção de promotores e projetos, estabelecendo condições estritas e garantias para limitar o risco e proteger o capital do investidor. Ao analisar a rentabilidade real de um investimento, é crucial considerar plataformas que ofereçam transparência, um histórico comprovado e estratégias claras para mitigar riscos, garantindo assim que o retorno líquido seja verdadeiramente vantajoso após a dedução de comissões e outros custos associados.

  • Horizonte temporal: a chave para planear o futuro financeiro

    Horizonte temporal: a chave para planear o futuro financeiro

    O horizonte temporal do investimento é um conceito fundamental que define o período durante o qual um investidor planeia manter os seus ativos antes de os liquidar. Este fator determina não só que tipo de investimentos são mais adequados, mas também como os riscos associados são geridos.

    Para horizontes curtos, como umas férias, opta-se por ativos mais seguros e líquidos, como obrigações de curto prazo ou contas de poupança. Pelo contrário, quando o horizonte temporal é mais longo, como na preparação para a reforma, os investidores podem assumir mais riscos, escolhendo ativos como ações ou imobiliário, que têm potencial para gerar maiores retornos ao longo do tempo.

    O horizonte temporal influencia diretamente a seleção de ativos, o nível de risco assumido e as expectativas de rendimento. Neste artigo, exploraremos o significado deste conceito, como influencia as estratégias de investimento e quais os aspetos fundamentais a ter em conta, tanto para iniciantes como para investidores experientes.

    A relação entre o horizonte temporal e o risco

    Uma das principais razões para definir um horizonte temporal é a gestão do risco. Em geral, os investimentos de curto prazo envolvem menor exposição ao risco, pois é mais provável que seja necessária liquidez num curto período. Instrumentos como contas de poupança, depósitos a prazo ou obrigações do Tesouro são opções comuns para horizontes inferiores a 3 anos, pois oferecem estabilidade e menores flutuações.

    Por outro lado, em investimentos de longo prazo (10 anos ou mais), o tempo pode suavizar as flutuações do mercado e permitir que ativos mais voláteis, como ações ou fundos de índices, alcancem o seu potencial máximo. Por exemplo, de acordo com dados históricos do mercado acionista dos EUA (S&P 500), manter investimentos por mais de uma década reduziu significativamente a probabilidade de perdas, mesmo durante períodos de crise.

    Neste contexto, os objetivos financeiros desempenham um papel crucial. Se estivermos a poupar para uma reforma confortável, o horizonte temporal pode ser de várias décadas, justificando a assunção de riscos mais elevados para obter melhores retornos. No entanto, se o objetivo for comprar uma casa dentro de 2 anos, optar por investimentos voláteis pode ser contraproducente.

    Como calcular o horizonte temporal

    Definir o horizonte temporal exige uma avaliação realista dos nossos objetivos financeiros e da nossa tolerância ao risco. Algumas questões fundamentais a considerar são:

    1. Para que está a investir? O horizonte pode variar de alguns meses para uma emergência ou uma remodelação, até várias décadas para a educação dos filhos ou a reforma.
    2. Durante quanto tempo pode manter o dinheiro investido? Este fator também inclui a necessidade de liquidez.
    3. Que nível de risco está disposto a assumir? Investimentos de alto risco, como ações, requerem horizontes mais longos para compensar a volatilidade.

    De qualquer forma, o horizonte temporal de um investimento não tem de ser fixo ou estático, podendo ajustar-se às necessidades e objetivos em mudança de cada investidor. Embora tradicionalmente esteja associado a um período de tempo específico, este horizonte pode ser adaptado conforme as circunstâncias pessoais e a abordagem ao risco e ao retorno. Esta flexibilidade permite que os investidores ajustem as suas estratégias à medida que as suas necessidades ou o ambiente económico evoluem. Por isso, o horizonte temporal não deve ser visto como um conceito rígido, mas sim como uma ferramenta dinâmica e adaptável aos interesses financeiros individuais.

    Diversificação e horizonte temporal

    O conceito de horizonte temporal não atua isoladamente; interage com outros princípios de investimento, como a diversificação. Ter uma carteira equilibrada entre ativos de renda fixa e variável permite adaptar os investimentos a diferentes prazos.

    Por exemplo, uma pessoa de 30 anos com um horizonte de reforma de 35 anos pode optar por ativos de maior risco, como ações. No entanto, à medida que a idade da reforma se aproxima, pode redistribuir os seus investimentos para instrumentos mais conservadores, como obrigações.

    Nos últimos anos, ferramentas como os fundos com data-alvo (target-date funds) ganharam popularidade. Estes fundos ajustam automaticamente a exposição ao risco com base num horizonte temporal definido, proporcionando conveniência para aqueles que preferem uma abordagem sistematizada.

    Conclusão

    O horizonte temporal do investimento é um pilar estratégico que influencia cada decisão financeira. Compreender a sua importância permitirá alinhar objetivos, gerir riscos de forma eficaz e escolher instrumentos financeiros adequados às suas necessidades.

    Este conceito não é apenas essencial para a gestão de riscos, mas também um elemento flexível que se adapta ao contexto pessoal e económico do investidor. Quer esteja à procura de resultados a curto prazo ou a planear um futuro financeiro sólido a longo prazo, definir este horizonte será o primeiro passo para um investimento bem-sucedido.

  • Habitação de luxo na Espanha: um mercado com números históricos

    Habitação de luxo na Espanha: um mercado com números históricos

    O mercado de habitação de luxo na Espanha está atravessando um período de crescimento sem precedentes, impulsionado pelo aumento da demanda e pelas mudanças nas preferências dos compradores. Nesse sentido, o relatório da Fotocasa e Infinitum determina que a oferta de propriedades com preço superior a 800.000 euros cresceu 150% entre janeiro de 2019 e março de 2024. Esse aumento também se reflete nos preços, que subiram 28%, atingindo uma média histórica de 1,99 milhões de euros em maio deste ano.

    Esse crescimento não se deve apenas ao interesse nacional, mas principalmente à crescente atenção de investidores internacionais. Além disso, fatores como a sustentabilidade, a tecnologia de ponta e a privacidade estão redefinindo o conceito de luxo, que agora está mais associado a um estilo de vida integral do que à simples aquisição de propriedades exclusivas.

    O mapa da habitação de luxo na Espanha: novas dinâmicas territoriais

    A distribuição geográfica do mercado de luxo na Espanha revela uma concentração significativa em zonas costeiras e turísticas. De acordo com o relatório da Fotocasa e Infinitum – um complexo hoteleiro de alto padrão –, Málaga lidera com 23,2% da oferta nacional, seguida por Alicante (18,9%) e Baleares (12,7%). Essas províncias se destacam não apenas pelo volume de propriedades disponíveis, mas também pelo preço médio das mesmas, que ultrapassa os 2,6 milhões de euros em Málaga, 1,6 milhões em Alicante e 2,3 milhões em Baleares.

    O atrativo dessas áreas se deve a fatores como a qualidade de vida, o ambiente natural e a acessibilidade a serviços exclusivos. Além disso, o clima mediterrâneo e a conexão com mercados internacionais fazem dessas regiões os destinos preferidos de compradores estrangeiros que buscam residências de alto nível, tanto para uso vacacional ou residencial quanto para investimento.

    Por outro lado, as grandes áreas metropolitanas como Madrid e Barcelona, embora tenham perdido protagonismo em termos de oferta relativa, continuam sendo relevantes. Madrid representa 8,8% da oferta, com preços que rondam 1,8 milhões de euros, enquanto Barcelona tem 11,5% das casas de luxo disponíveis, com um preço médio de 1,6 milhões. Esses mercados se destacam pela qualidade de suas infraestruturas, serviços e pela crescente integração de tecnologia e sustentabilidade em seus desenvolvimentos imobiliários.

    Mudanças nas preferências e o perfil do comprador

    O comprador de luxo em 2024 não busca apenas uma casa de qualidade, mas um conjunto de atributos que refletem um estilo de vida. Aspectos como sustentabilidade ambiental, privacidade e integração tecnológica são cada vez mais valorizados.

    Quanto ao perfil do comprador, o relatório revela que 77% dos compradores são nacionais, enquanto 23% vêm do exterior. Esse dado destaca o crescente interesse da Espanha como destino imobiliário para investidores internacionais. Além disso, o poder aquisitivo desses compradores aumentou significativamente nos últimos anos, o que explica em parte a aceleração na valorização desse segmento.

    Essa mudança nos interesses dos compradores impulsionou o surgimento de promoções inovadoras na Urbanitae, já que no último ano foram financiados vários projetos voltados para clientes que buscam esse tipo de luxo e elementos inovadores, como no caso de Pinares de San Antón ou o projeto Gate 3, ambos na província de Málaga.

    Projeções e desafios do mercado prime

    O mercado prime na Espanha enfrenta um futuro promissor, mas também está condicionado pela sua capacidade de inovar em um ambiente global competitivo. Uma das principais projeções aponta para a crescente importância dos microsegmentos dentro do luxo, como propriedades projetadas especificamente para sustentabilidade, teletrabalho ou investimento de longo prazo. Além disso, as expectativas tecnológicas dos compradores impulsionam uma transformação na qual automação avançada, eficiência energética e serviços personalizados serão fundamentais para manter a relevância da oferta espanhola em comparação com outros mercados internacionais.

    Por outro lado, os desafios do mercado prime não se limitam aos aspectos técnicos da oferta. A capacidade de se adaptar a regulamentações mais rígidas em termos de impacto ambiental, assim como integrar desenvolvimentos que não afetem negativamente as comunidades locais, será crucial. Além disso, o setor precisará superar as dificuldades impostas pela escassez de terrenos para construção na Espanha, garantindo que seu crescimento não seja atraente apenas para grandes patrimônios ou investidores estrangeiros, mas também para investidores médios e nacionais que buscam diversificar seu capital em um segmento de alto valor e valorização estável.

    Conclusão: um mercado em plena transformação

    O mercado de habitação de luxo na Espanha vive um de seus melhores momentos, com um crescimento sólido na oferta, na demanda e nos preços. Regiões como Málaga, Alicante e Baleares souberam se posicionar como líderes nesse segmento, enquanto Madrid e Barcelona mantêm sua relevância histórica, embora não tenham experimentado um crescimento tão significativo.

    Esse auge não apenas reafirma a posição da Espanha no mercado imobiliário internacional, mas também apresenta a necessidade de enfrentar desafios relacionados ao equilíbrio entre crescimento e sustentabilidade. O futuro do mercado prime dependerá de sua capacidade de continuar inovando, adaptando-se às novas demandas e se consolidando como uma opção atraente tanto para investidores nacionais quanto internacionais.

  • A investimento em centros de dados torna a Espanha num hub de referência

    A investimento em centros de dados torna a Espanha num hub de referência

    Nos últimos anos, a Espanha emergiu como um ator chave na indústria de centros de dados, atraindo investimentos multimilionários e consolidando-se como um hub tecnológico no sul da Europa. Um crescimento que responde a fatores como a disponibilidade de terrenos, energia renovável e uma conectividade ótima, posicionando o país como um destino atrativo para gigantes tecnológicos e fundos de investimento.

    Crescimento exponencial do investimento em centros de dados

    O nosso país consolidou-se, em apenas meio ano, como o principal destino europeu para o investimento em centros de dados. Segundo o El Economista, entre a primavera e o outono de 2024, foram atraídos projetos no valor superior a 34.100 milhões de euros. Este aumento reflete a confiança dos investidores no potencial do mercado espanhol e na sua infraestrutura tecnológica. Grandes gigantes como Amazon Web Services, Microsoft, Meta, Oracle e outras empresas espanholas, como a Iberdrola, estão a impulsionar esta expansão.

    A Microsoft e a Oracle planeiam investimentos importantes na Comunidade de Madrid. A primeira anunciou que as suas infraestruturas de IA e cloud em Espanha gerarão 10.700 milhões de euros no PIB nacional e contribuirão para a criação de cerca de 77.000 postos de trabalho entre 2024 e 2030. Por sua vez, a multinacional liderada por Safra A. Catz investirá 920 milhões de euros numa nova região de cloud.

    Enquanto isso, a espanhola Iberdrola anunciou investimentos em centros de dados no valor de 10.000 milhões de euros a nível global, com um projeto de destaque em Bilbao.

    Aragão e Madrid lideram o crescimento do setor

    Neste cenário, Aragão e Madrid consolidam-se como os principais motores do crescimento dos centros de dados a nível nacional, como consta no relatório Data Center Snapshot elaborado pela consultora imobiliária global Colliers.

    Em Aragão, os investimentos da Amazon (AWS) e da Microsoft impulsionaram a criação de infraestruturas chave, com um investimento de 25.000 milhões de euros previstos para os próximos dez anos. Saragoça e Huesca já operam com 108 MW IT, e projetos adicionais em Villamayor de Gállego, La Muela e no Parque Tecnológico do Reciclagem estão a expandir esta capacidade.

    O fundo de investimento norte-americano Blackstone seguiu os passos da Amazon e da Microsoft e construirá um grande centro de dados nesta comunidade, com um investimento de 7.500 milhões de euros, marcando o seu projeto mais ambicioso na Europa. A x2Bit, vinculada à Capital Energy, foi uma das últimas empresas a aderir ao auge dos centros de dados em Aragão, fortalecendo a sua presença neste setor em plena expansão.

    Por outro lado, Madrid, embora enfrente certa saturação em algumas áreas, projeta um crescimento notável na sua capacidade de centros de dados, que poderá aumentar até quase cinco vezes até 2030, alcançando 792 MW IT, especialmente no nordeste e sul da região. O crescimento da inteligência artificial reforça as expectativas de expansão, embora as zonas de maior demanda comecem a diversificar-se.

    Enquanto isso, outras cidades como Barcelona e Lisboa também estão a experimentar um crescimento, embora em menor medida: A cidade condal registou um aumento de 68% na capacidade instalada; enquanto Lisboa regista um aumento devido à sua localização estratégica para cabos submarinos e um aumento na procura por operadores.

    Perspetivas de crescimento

    Nos próximos anos, o crescimento do setor de centros de dados em Espanha promete continuar a transformar a economia nacional, gerando entre 30.000 e 70.000 milhões de euros até 2030, o que equivale a 2% e 4% do PIB. É o que prevê um recente relatório da Deloitte divulgado pela consultora durante um encontro organizado pela Associação de Empresas de Energia Elétrica (Aelec) e pelo jornal El País.

    O relatório projeta um crescimento exponencial na criação de dados a nível global, que pode multiplicar-se por cinco até 2030, alcançando os 600 zettabytes. Para responder a esta demanda, prevê-se que a capacidade instalada de CPD em Espanha cresça entre quatro a seis vezes, alcançando entre 1,3 e 2,1 gigawatts (GW).

    Segundo a consultora, a Espanha tem vantagens únicas que a posicionam como um referencial na Europa para o desenvolvimento de centros de processamento de dados (CPD). Entre elas, a disponibilidade de energia renovável económica, amplos espaços para a sua instalação, baixa exposição a riscos naturais, uma excelente conectividade de fibra ótica e a sua posição estratégica entre a Europa, África e América.

    Regiões como Aragão e Madrid continuarão a liderar o desenvolvimento deste setor, tornando-se polos estratégicos para a construção de infraestruturas tecnológicas. Ao mesmo tempo, esta tendência representa uma oportunidade para o setor imobiliário, que terá de se adaptar às exigências específicas dos projetos de centros de dados, como espaços grandes, bem conectados e com acesso a recursos energéticos sustentáveis.

    No entanto, este desenvolvimento também traz desafios importantes. Para garantir uma integração sustentável, será necessário investir cerca de 1.400 milhões de euros anuais na modernização da rede elétrica, segundo aponta a consultora.

    Neste sentido, e dado o constante aumento da demanda de energia elétrica por parte dos centros de dados, Marta Castro, diretora de regulação da Aelec, destaca a necessidade de “acelerar a conexão elétrica para dar resposta aos centros cuja demanda é enorme”.

  • A escassez de solo em Espanha: um obstáculo chave para o acesso à habitação

    A escassez de solo em Espanha: um obstáculo chave para o acesso à habitação

    A escassez de habitação em Espanha é um problema que se intensifica a cada dia, afetando tanto compradores como arrendatários. Neste contexto, um relatório recente da Colliers e da APCEspaña coloca o foco em um dos principais fatores responsáveis: a falta de solo urbanizável disponível. Este estudo destaca que os longos prazos necessários para transformar solo rústico em solo edificável não só dificultam a construção de novas habitações, mas também contribuem para o aumento dos preços no mercado imobiliário. Além disso, a isso soma-se a complexidade burocrática, a falta de coordenação entre as administrações e as dificuldades legais que agravam ainda mais essa situação.

    O défice de habitação acumulado em Espanha atinge números alarmantes. Em 2023, a diferença entre a procura de habitação e a oferta disponível ultrapassou as 408.000 unidades, um número que, caso não sejam tomadas medidas, poderá ascender a 2,74 milhões em 2039. Este desajuste impacta especialmente as grandes cidades como Madrid, Barcelona e Valência, onde o ritmo de criação de lares é entre 3,4 e 5 vezes superior ao número de habitações construídas, assim como em regiões turísticas como as Canárias, onde a diferença chega a ser sete vezes maior.

    A complexidade do desenvolvimento do solo

    O processo para transformar solo rústico em solo urbanizável disponível para a construção é lento e complicado em Espanha. Segundo o relatório da Colliers, os trâmites administrativos e urbanísticos necessários costumam prolongar-se entre 10 e 15 anos, e em alguns casos ultrapassam os 20 anos. Esses atrasos dificultam a resposta à crescente procura de habitação, especialmente nas zonas onde mais se necessita. Além disso, a incerteza jurídica e a falta de clareza nas regulamentações são obstáculos adicionais para promotores e construtores.

    A lentidão do processo tem várias causas: normativas urbanísticas obsoletas, mudanças frequentes nas políticas locais e nacionais, impugnações legais e estruturas de propriedade complexas. Isso não só retarda a geração de solo urbanizável, mas também aumenta seu preço devido à escassez, o que, combinado com o aumento dos custos de construção, limita ainda mais a produção de habitação acessível.

    Consequências económicas e sociais da escassez de solo

    A falta de solo finalista tem implicações significativas para a economia e a sociedade. Em termos económicos, o aumento dos preços de solo e habitação reduz as margens de lucro dos promotores, o que desincentiva a construção de novas unidades. Isso gera um círculo vicioso onde a oferta limitada não consegue equilibrar a crescente procura, impulsionando ainda mais os preços.

    No âmbito social, esta situação afeta especialmente os coletivos mais vulneráveis que enfrentam dificuldades cada vez maiores para aceder a uma habitação. Em zonas com alta procura, muitas pessoas têm de destinar uma parte significativa dos seus rendimentos ao arrendamento ou compra de habitação, o que gera desigualdade e limita a mobilidade geográfica. Além disso, o défice habitacional atual concentra-se em áreas onde se precisam mais habitações, deixando de fora zonas com menor pressão demográfica e habitação sem saída comercial. Isso leva a um problema social, em que, por exemplo, os jovens têm cada vez mais dificuldades em se independizar, fazendo com que dois em cada três jovens entre os 18 e os 34 anos vivam com os pais e dependam deles, segundo dados apresentados pelo idealista.

    Além disso, segundo dados do Banco de Espanha, durante o primeiro trimestre de 2024 foram criados 55.000 novos lares, e projeta-se que esse número atinja os 360.000 até o final do ano. A isso soma-se que, desde 2022, o país recebeu aproximadamente 1,5 milhões de novos residentes, o que elevou a população estrangeira de 9,5% em 2015 para 13,6% no segundo trimestre de 2024. Este crescimento populacional exerce uma forte pressão em cidades como Madrid e Barcelona, que concentram um terço do défice acumulado de habitação, juntamente com Valência, Alicante e Málaga, onde a lacuna entre oferta e procura continua a aumentar.

    Soluções para aliviar o problema

    Para enfrentar esta crise, o relatório da Colliers propõe a elaboração de um plano integral que agilize os processos administrativos e melhore a coordenação entre as diversas Administrações Públicas envolvidas na gestão do solo. Entre as possíveis soluções está a adoção de ferramentas como a declaração responsável e a licença digital, que poderiam reduzir significativamente os tempos de aprovação. Também se recomenda promover planos territoriais que integrem os municípios e evitem contradições entre normativas locais e autonómicas.

    A curto prazo, algumas medidas poderiam incluir incentivos para reabilitar habitações existentes, flexibilizar mudanças de uso do solo para permitir mais desenvolvimentos residenciais e finalizar projetos de construção paralisados. Embora estas iniciativas não resolvam o problema estrutural, poderiam aliviar parte da pressão atual.

    Um futuro incerto se não se agir

    O défice de solo urbanizável e o seu impacto na oferta de habitação exigem uma resposta urgente e coordenada. Caso não sejam implementadas as reformas necessárias, Espanha corre o risco de enfrentar um aumento exponencial no défice de habitações nas próximas décadas, agravando ainda mais a crise de acessibilidade à habitação. Este desafio representa uma oportunidade para repensar a gestão do solo e procurar soluções que beneficiem tanto o mercado imobiliário como os cidadãos.

  • Investimento hoteleiro: ativos individuais e investidores nacionais como chaves de 2024

    Investimento hoteleiro: ativos individuais e investidores nacionais como chaves de 2024

    O investimento hoteleiro em Espanha fechou 2024 com números que destacam a sua solidez e atratividade. Segundo os dados apresentados pela CBRE, o investimento total neste segmento atingiu os 3.350 milhões de euros, consolidando o setor como um dos mais dinâmicos dentro do panorama imobiliário nacional. Este desempenho reforça a posição estratégica de Espanha como líder mundial em turismo, um feito respaldado pelo renovado interesse dos investidores, especialmente dos investidores nacionais, em ativos hoteleiros.

    O setor hoteleiro, o segundo segmento com maior captação de capital (apenas o ‘living’ está à frente), representa aproximadamente 30% do total do investimento imobiliário, segundo dados da consultora.

    Embora o valor de 2024 reflita um dinamismo notável, encontra-se abaixo do recorde histórico de 4.100 milhões de euros alcançados em 2023, o segundo melhor ano para o setor após os 5.000 milhões registados em 2018. Entre 2017 e 2024, Espanha acumulou mais de 25.000 milhões de euros em investimento hoteleiro, conseguindo manter-se no radar dos grandes investidores.

    Operações chave do investimento hoteleiro em 2024

    Se 2023 foi marcado por importantes aquisições de portfolios, no exercício passado predominou a transação de ativos individuais. Um total de 123 operações reuniram 74% do volume total, ou seja, cerca de 2.500 milhões de euros. Entre as mais destacadas estão a compra do Hotel Miguel Ángel em Madrid, o Six Senses Ibiza e o AC Hotel Barcelona Fórum.

    • Hotel Miguel Ángel (Madrid). Adquirido pelo fundo britânico Millenium Hospitality, esta operação foi fechada em 150 milhões de euros. O emblemático hotel, situado no pleno Paseo de la Castellana, será sujeito a uma reforma integral para reposicioná-lo como um estabelecimento de luxo dirigido a um segmento Premium.
    • Six Senses Ibiza. O Grupo Statuto, por sua vez, realizou a aquisição hoteleira mais destacada de Espanha, com uma transação próxima dos 200 milhões de euros.
    • AC Barcelona Fórum (Barcelona). Este ativo, situado numa das zonas mais dinâmicas da cidade, mudou de mãos numa operação avaliada em cerca de 100 milhões de euros. O hotel beneficiará da contínua valorização de Barcelona como destino tanto turístico como de negócios.

    Outras transações destacadas em 2024 incluem também a venda de ativos como o hotel Rafael Atocha em Madrid, o Labranda Suites Costa Adeje ou o Iberostar Las Dalias em Tenerife.

    O mercado também registou operações relevantes de portfolio, como a aquisição por parte do Partners Group de uma participação maioritária na BlueSea; a compra do portfolio Jewel pela Hyatt, com três hotéis em Tenerife, e os investimentos do Banco Santander e do grupo Catalonia em carteiras que incluem hotéis em destinos como Tenerife, Menorca, Barcelona e Málaga.

    Protagonismo dos investidores nacionais

    Os investidores nacionais lideraram o mercado em 2024, representando 52% do volume total de investimento, mais do que o dobro da sua participação em 2023. As cadeias e gestoras hoteleiras foram as mais ativas, com 38% do total investido, enquanto o investidor institucional, afetado pelo aumento das taxas de juro, reduziu a sua participação para 25%, longe dos 70% alcançados no ano anterior.

    Luxo, o ativo mais procurado

    Em 2024 foram transacionados mais de 180 ativos hoteleiros, que somam mais de 17.000 quartos. O investimento concentrou-se especialmente em hotéis de 4 e 5 estrelas, que concentraram 45% e 20% do total investido, respetivamente. Os ativos de luxo ganharam terreno, destacando-se transações como as da carteira da socimi Millenium Hospitality Real Estate, onde recentemente entrou a Sancus Capital.

    Esta polarização do mercado reduziu o investimento em hotéis de 3 e 4 estrelas, que perderam protagonismo face aos extremos do espectro de qualidade, tal como aponta a CBRE.

    Ascensão do segmento urbano

    Ao contrário de 2023, em 2024 o segmento urbano foi o principal receptor de investimentos, captando 53% do capital, contra 47% do segmento vacacional. Esta mudança explica-se, em parte, segundo a consultora, pela crescente tendência de transformação de escritórios em hotéis nos centros urbanos, impulsionada pela alta procura de alojamentos e pelo objetivo de revitalizar edifícios obsoletos.

    Cidades como Barcelona e Madrid lideraram as transações, acumulando cada uma 18% do volume total, enquanto Málaga destacou-se com 5%.

    Por outro lado, as rentabilidades dos hotéis prime ajustaram-se em baixa em 25 pontos base, situando-se em 5% em Madrid e Barcelona e em 6% nas Ilhas. Este ajuste reflete o efeito positivo da diminuição das taxas de juro e o sólido desempenho operacional do setor.

    Perspetivas para o investimento hoteleiro em 2025

    O setor hoteleiro encara ainda 2025 com perspetivas otimistas. Segundo Gustavo Cumella de Montserrat, diretor de Hotéis da CBRE, as operações de compra e venda em curso e a estabilização das taxas de juro auguram um ambiente favorável para o investimento. Além disso, prevê-se uma maior atenção a destinos menos maduros, projetos de reconversão e segmentos alternativos como residências de marca e apartamentos com serviços. O mercado de luxo e ultra luxo continuará também a ser um pilar chave para o investimento.

  • O auge das residências de estudantes: procura, rentabilidade e futuro

    O auge das residências de estudantes: procura, rentabilidade e futuro

    O investimento em residências de estudantes, também conhecidas como PBSA (Purpose-Built Student Accommodation), está a ganhar terreno na Europa. À medida que aumenta a mobilidade estudantil e cresce a procura por educação superior de qualidade, os alojamentos específicos para estudantes tornaram-se num sector estratégico no panorama imobiliário. No entanto, o desajuste entre oferta e procura continua a ser notável, o que representa um desafio, mas também uma oportunidade que favorece os investidores.

    Neste artigo, vamos explorar as razões por detrás do auge deste investimento, a sua evolução em Espanha como um dos mercados mais promissores do continente e as suas perspetivas para o futuro.

    Espanha: uma oportunidade chave no sector PBSA

    A Europa tem-se consolidado como um destino atrativo para estudantes internacionais, graças à qualidade das suas universidades e às condições de vida relativamente acessíveis. O número de estudantes internacionais na Europa tem aumentado de forma constante, e a pressão sobre o mercado, juntamente com o aumento dos preços de aluguer, levou muitos jovens universitários a considerar outras opções temporárias, com um ambiente adaptado às suas necessidades e orçamentos.

    Por outro lado, o ritmo de crescimento da oferta de alojamento estudantil não tem sido capaz de satisfazer esta procura, e como consequência, este contexto tem aumentado a relevância das residências especificamente projetadas para estudantes.

    A Espanha ocupa um lugar de destaque no mercado europeu de residências de estudantes. De acordo com a CBRE, em 2024 o investimento neste segmento alcançou os 415 milhões de euros, o que representa 17% do total de investimento em ativos residenciais (Living). No entanto, o país continua a ter um número baixo de camas disponíveis por estudante, com uma taxa de 6,7% – ou seja, um défice de cerca de 450.000 camas, em comparação com a média de outros países europeus, que se situa nos 18%.

    Esta lacuna despertou o interesse de investidores internacionais, com um alto volume de investimento holandês nos últimos anos. Cidades como Madrid e Barcelona, com universidades importantes e uma alta concentração de estudantes, lideram os investimentos, com um margem de crescimento. Outras localidades universitárias, como Valência, Sevilha, Málaga ou Granada, também registaram um auge de projetos de residências.

    Rentabilidade e estabilidade: o que torna o PBSA atrativo?

    Investir em residências de estudantes não só responde a uma procura insatisfeita, como também oferece características únicas que as tornam numa opção sólida para os investidores:

    1. Estabilidade de rendimentos: A maioria das residências opera com contratos anuais que garantem rendimentos constantes durante pelo menos dez meses por ano, proporcionando uma base financeira mais previsível do que outros mercados.
    2. Altas taxas de ocupação: Em mercados como o espanhol, as taxas de ocupação são próximas dos 100%, garantindo uma utilização eficiente do ativo. Além disso, tendo em conta o défice de camas mencionado, é muito provável que as vagas se preencham também nos próximos anos, até que se equilibre a oferta e a procura.
    3. Diversificação e resistência: Ao contrário de outros ativos imobiliários, as residências de estudantes tendem a ser menos sensíveis a crises económicas, uma vez que a procura educativa não diminui significativamente, mesmo em épocas de recessão, tanto no mercado nacional como no internacional. Além disso, a Espanha é um destino atrativo para estudantes internacionais, o que representa um mercado resiliente, tanto para estudantes a nível nacional como para estrangeiros.

    O futuro do investimento em residências

    Apesar das suas vantagens, o sector PBSA enfrenta alguns desafios. A forte concorrência por terrenos em localizações estratégicas tem comprimido os rendimentos em cidades como Madrid e Barcelona, o que obriga os investidores a procurar oportunidades noutras localidades. Além disso, o aumento dos custos de construção e as regulamentações urbanísticas podem desacelerar o desenvolvimento de novos projetos e continuar a aumentar o défice de oferta.

    No entanto, a implementação de políticas governamentais orientadas para regular os preços de aluguer e fomentar a construção de habitação acessível apoia indiretamente o crescimento do PBSA. Neste contexto, o sector consolida-se como uma resposta eficaz ao problema do alojamento estudantil num futuro próximo, enquanto continua a oferecer perspetivas atrativas para os investidores.

    Conclusão: um sector com potencial de crescimento

    O investimento em residências de estudantes na Europa, e especialmente em Espanha, combina uma alta procura insatisfeita com a estabilidade e rentabilidade que favorece os investidores. Este segmento beneficia não só do crescimento do número de estudantes internacionais, mas também da sua capacidade para resistir às flutuações do mercado imobiliário.

    Com uma oferta que ainda não consegue satisfazer as necessidades atuais, os projetos PBSA têm o potencial de gerar rendimentos sustentados e posicionar-se como uma opção estratégica numa carteira diversificada. Para os investidores que procuram equilibrar risco e retorno num sector em expansão, as residências de estudantes oferecem uma oportunidade sólida que promete crescer nos próximos anos.

  • A reforma fiscal afeta o investidor particular no setor imobiliário?

    A reforma fiscal afeta o investidor particular no setor imobiliário?

    Nos últimos meses, a reforma fiscal aprovada pelo governo espanhol gerou um intenso debate que afetou diferentes áreas da economia, incluindo o setor imobiliário. Este setor, que contribuiu com quase 177.000 milhões de euros ao PIB espanhol, segundo o INE, tem enfrentado grande incerteza ao perceber que essas mudanças fiscais poderiam impactá-lo negativamente, com um aumento da carga tributária.

    Nesse sentido, as alterações suscitaram dúvidas entre os pequenos investidores em imobiliário, que se perguntam: Que mudanças esta reforma introduz? Como afetará os seus investimentos? E, o mais importante, como podem continuar a identificar oportunidades rentáveis num ambiente tão dinâmico?

    Contextualização: principais mudanças da reforma fiscal

    A proposta de reforma fiscal de novembro de 2024 introduz várias mudanças significativas que afetam o mercado imobiliário. De acordo com o IEB, um dos pontos mais destacados é a alteração na tributação das sociedades cotadas de investimento imobiliário (socimis). Apesar de ter sido proposto que as socimis fossem tributadas a 15% sobre os lucros não distribuídos, esta medida não foi aprovada no Congresso, e a proposta de modificar o regime fiscal das socimis foi rejeitada durante a tramitação da reforma tributária.

    No entanto, o Governo anunciou recentemente a intenção de limitar os benefícios fiscais das socimis que investem em habitação, aplicando-os apenas às que oferecem rendas acessíveis. Este ajuste fiscal não será aplicado às socimis que operam em outros setores, como o comercial ou logístico. Assim, estas continuarão a beneficiar do regime fiscal especial que permite tributar a 0% no imposto sobre sociedades, desde que cumpram os requisitos estabelecidos, como distribuir pelo menos 80% dos lucros em dividendos.

    Nesse contexto, Diego Sánchez de la Cruz, analista económico, afirma que “a fiscalidade das socimis do setor residencial acabou por ser afetada, de acordo com os planos do Executivo. Este aumento pode repercutir nos pequenos investidores, que perderiam o acesso a um veículo de investimento amplamente utilizado em muitas economias desenvolvidas, e que, de facto, serve como ferramenta para financiar o desenvolvimento de novas habitações”. Além disso, destaca que “as medidas mais prejudiciais para o setor imobiliário tinham sido negociadas com o Sumar e não avançaram no acordo final, mas a sombra da insegurança jurídica permanece e penaliza o desempenho do setor”.

    Implicações para o investidor particular

    Para os pequenos investidores, estas alterações têm implicações relevantes que devem ser consideradas ao planear novas operações ou gerir as existentes.

    Em primeiro lugar, a reforma introduz um aumento na tributação sobre os ganhos patrimoniais decorrentes da venda de imóveis. Isso significa que, ao vender uma propriedade, o investidor terá de alocar uma percentagem maior dos lucros aos impostos. Portanto, será essencial realizar uma análise mais detalhada do retorno líquido esperado antes de realizar qualquer transação.

    Por outro lado, a redução do imposto de transmissões patrimoniais (ITP) para jovens investidores representa uma excelente oportunidade para quem cumpre os requisitos. Esta medida não só reduz o custo inicial de aquisição, como também melhora o retorno das operações a longo prazo. Se tens menos de 40 anos e estás a considerar comprar um imóvel, este pode ser o momento ideal para avançar.

    Sobre o impacto geral destas medidas na promoção de nova construção, Sánchez de la Cruz observa que “não houve mudanças significativas que relancem o desenvolvimento de nova construção de forma substancial. A chave para aumentar significativamente a promoção de nova construção passa por mobilizar terrenos e reduzir as barreiras burocráticas, bem como os prazos de tramitação urbanística, sendo que são os governos regionais que devem romper com o paradigma atual”.

    A reforma também contempla incentivos relacionados com a eficiência energética e a reabilitação de habitações. De acordo com o Real Decreto 9/2024, foram prorrogadas até 31 de dezembro de 2025 as deduções no IRS por investimentos em aquecimento, climatização e redução de consumo energético em habitações. Além disso, até 31 de dezembro de 2026, aplicam-se deduções para reabilitação energética.

    Neste sentido, o especialista reconhece que “estas medidas são bem-vindas, mas o seu impacto tem sido muito limitado até agora, porque estão inseridas num contexto geral em que foram adotadas demasiadas medidas que aumentam a carga fiscal para os contribuintes e as empresas, aos quais agora se oferece este incentivo”.

    Chaves para declarar os investimentos com Urbanitae

    Compreender o impacto fiscal destas reformas nos nossos investimentos é crucial. Nesse sentido, estas mudanças parecem não afetar a forma como tributam os investimentos em plataformas de crowdfunding imobiliário como a Urbanitae, mas, com a campanha do IRS de 2024 a aproximar-se, é importante saber como declarar os benefícios obtidos neste tipo de investimento:

    Em primeiro lugar, os ganhos obtidos através da Urbanitae são considerados ganhos patrimoniais e tributam no IRS na base de poupança, com taxas que variam entre 19% e 26%, dependendo do montante obtido. Se venderes as tuas participações antes de 12 meses, os rendimentos são incluídos na base geral do IRS, o que pode implicar uma taxa tributária mais elevada.

    Relativamente aos dividendos que possas receber dos projetos, estes também devem ser declarados como rendimentos do capital mobiliário. Tributam na base de poupança com taxas que variam de 19% a 23%, dependendo do total dos rendimentos.

    Se algum dos projetos não tiver gerado os lucros esperados, podes compensar as perdas com outros ganhos patrimoniais, reduzindo assim a tua base tributável. Além disso, se não conseguires compensar a perda no mesmo exercício, podes transportá-la para anos futuros.

    Por fim, a Urbanitae fornecerá toda a documentação necessária, como relatórios de rentabilidade e rendimentos, para facilitar o processo. Se tiveres dúvidas, é recomendável contar com o apoio de um especialista fiscal para garantir que a declaração seja feita corretamente.

  • Risco climático nas cidades: como afeta o valor imobiliário?

    Risco climático nas cidades: como afeta o valor imobiliário?

    Após observar os estragos causados pelas mudanças climáticas, no caso de Espanha, tanto a nível pessoal como no que diz respeito à economia e infraestrutura de Valência, fomos confrontados com a realidade e não podemos evitar fazer a pergunta de quão rapidamente o risco climático continuará a evoluir e até que ponto devemos nos preocupar com ele nas cidades.
    À medida que o planeta aquece e os fenómenos climáticos extremos se tornam mais comuns, as cidades encontram-se na linha da frente desta mudança. Locais que até agora considerávamos seguros enfrentam novas ameaças que devem ser combatidas: subidas do nível do mar, temperaturas extremas e padrões climáticos imprevisíveis que afetam tanto os seus habitantes como a infraestrutura urbana.

    O relatório “Climate Risk: Global Cities Outlook” da Cushman & Wakefield destaca que o risco climático já está a afetar de forma tangível muitas cidades globais e que estes desafios continuarão a crescer. Este risco impacta as nossas vidas diárias, desde a segurança das nossas casas até ao acesso a serviços básicos como energia e transporte. Assim, a partir de agora, para além da rentabilidade, preços e zonas turísticas, a atenção ao bem-estar e à perigosidade de determinadas áreas urbanas será também responsabilidade dos investidores imobiliários.

    O que é o risco climático e como afeta as cidades?

    O risco climático engloba os efeitos de fenómenos como inundações, ondas de calor, incêndios florestais ou o aumento do nível do mar. Estes fenómenos intensificaram-se com a aceleração das mudanças climáticas e o consequente aumento das temperaturas, que não só danificam infraestruturas como estradas, edifícios e redes de fornecimento, mas também afetam diretamente a saúde e segurança de milhões de pessoas que vivem em áreas urbanas.

    De acordo com o relatório da Cushman & Wakefield, as cidades em regiões costeiras ou com alta densidade populacional, como Miami, Xangai ou Tóquio, são especialmente vulneráveis a estes riscos. Sem estratégias para se adaptar e proteger, o impacto destes eventos extremos pode ser devastador, desde perdas humanas até grandes custos financeiros, mudando completamente a vida urbana e afetando a capacidade das cidades de continuarem a ser lugares habitáveis e sustentáveis por si mesmas.

    Por outro lado, de acordo com o relatório do London Stock Exchange Group, metade das maiores cidades do planeta correrão o risco de sofrer um ou mais conflitos climáticos até 2050. O relatório ainda prevê que o aquecimento global atingirá entre 2,6ºC e 2,8ºC até o final do século e as principais cidades do Médio Oriente e Sudeste Asiático sofrerão mais com esta crise, em particular, Singapura, Surabaya, Dubai, Riad, Jidá e Jacarta, que sofrerão ondas de calor extremo.

    Em relação à Europa, os analistas destacam a posição cada vez mais complicada de cidades como Amesterdão, que enfrenta um risco elevado de subida do nível do mar e inundações, e Madrid, que poderá sofrer ondas de calor de até 41 dias em 2050. Além disso, prevê-se que o estresse hídrico na capital espanhola aumente em 65%, passando a ser de alto risco em 2050. Por outro lado, Londres e Manchester estão na linha de mira no Reino Unido, uma vez que se prevê um aumento de 22% na escassez de água e um aumento do calor extremo.

    Como o risco climático afeta o mercado imobiliário

    O setor imobiliário enfrenta desafios únicos num contexto de mudança climática. Em áreas expostas a riscos elevados, como a costa de Miami ou os centros urbanos europeus, o risco climático está a aumentar os custos de seguros e a afetar as decisões de investimento. Algumas áreas urbanas estão a adotar medidas para controlar a forma como os espaços urbanos são construídos e geridos. Além disso, também foram construídas novas infraestruturas para proteger contra as futuras mudanças. Este tem sido o caso de Praga, que após o ocorrido com a Dana de Valência, seguiu um protocolo frente a chuvas intensas com a implantação de diques de contenção ao longo de todo o rio Moldava para tentar evitar que a água entrasse na cidade.

    Além disso, nos últimos meses, foi possível observar um aumento na procura de edifícios eficientes e sustentáveis. As cidades com altos níveis de vulnerabilidade devem acelerar as suas políticas para promover a construção de edifícios com baixo consumo energético, e o próprio mercado está a ver como os investidores favorecem projetos que oferecem maior resiliência face aos efeitos das mudanças climáticas. No entanto, isto também coloca o desafio de garantir que as medidas de adaptação sejam acessíveis e justas para todos, e não gerem disparidades na acessibilidade a habitações seguras.

    Conclusão

    O risco climático nas cidades não é apenas uma preocupação para o futuro, mas um desafio que já está presente e afeta tanto os habitantes como o mercado imobiliário. Embora cidades de todo o mundo comecem, ainda que tardiamente em alguns casos, a responder à crise com novas políticas em infraestruturas que resistam aos futuros eventos, ainda há muito a fazer para garantir que as áreas urbanas continuem a ser locais seguros, sustentáveis e viáveis para o desenvolvimento económico. Contudo, a adaptação às mudanças climáticas exige um compromisso coletivo que envolva tanto governos como empresas e cidadãos.