Categoria: Investimento imobiliário

Notícias sobre investimentos imobiliários.

  • Reconversões de edifícios: um motor do setor imobiliário

    Reconversões de edifícios: um motor do setor imobiliário

    Nos últimos anos, a reconversão de edifícios tem-se posicionado como uma solução chave no setor imobiliário em Espanha. Esta estratégia consiste em transformar um imóvel para lhe dar um novo uso, à luz da demanda turística e, sobretudo, residencial.

    De acordo com um relatório recente da CBRE, a reconversão registou um aumento considerável na primeira metade de 2024, com mais de 30 mudanças de uso identificadas a nível nacional, superando os dados do mesmo período de 2023. Esta tendência reflete a capacidade de adaptação do mercado face ao problema da escassez de terreno e à transformação das necessidades do setor.

    Madrid, epicentro das reconversões

    Madrid continua a liderar esta tendência, concentrando 57% das reconversões a nível nacional. No entanto, observa-se uma descentralização progressiva, com cidades como Málaga e Barcelona a ganhar destaque, representando cada uma 7% do total das operações.

    Em Madrid, a maioria das transformações ocorre dentro da M-30, especialmente no distrito Centro, onde a maior flexibilidade normativa facilita essas mudanças. Contudo, a periferia também oferece oportunidades interessantes, permitindo dar nova vida a áreas que perderam dinamismo.

    Novos usos: hotéis e habitação em destaque

    De acordo com a CBRE, quase 90% dos investimentos realizados são direcionados para os setores de hotéis (53%) e habitação (33%), devido à forte demanda turística e residencial. No segmento de Habitação, incluem-se transformações para modelos como o build-to-rent (BTR), o flex living ou as residências para estudantes, que se consolidaram como opções atrativas para investidores.

    Quanto à origem desses edifícios, destaca-se que metade das reconversões provém do setor de escritórios, aproveitando propriedades obsoletas para dar-lhes um uso mais rentável e alinhado com a demanda atual.

    Transações e oportunidades de investimento

    Durante o primeiro trimestre de 2024, realizaram-se 17 transações imobiliárias associadas a reconversões, o que representou um investimento de cerca de 170 milhões de euros. Madrid lidera estas operações, com mais de metade das transações, das quais 47% correspondiam a edifícios de escritórios em processo de transformação. Estes dados revelam que as mudanças de uso são uma oportunidade chave tanto para investidores como para proprietários que procuram otimizar os seus ativos e adaptá-los às novas demandas do mercado, como o turismo e a residência.

    Foco na sustentabilidade e eficiência energética

    Um aspecto fundamental da reconversão de edifícios é o seu alinhamento com a sustentabilidade e eficiência energética. Transformar propriedades antigas permite adaptar os imóveis às novas normas energéticas e melhorar a sua eficiência, o que se traduz numa valorização significativa do ativo. A crescente demanda por edifícios mais sustentáveis e eficientes, tanto por parte dos inquilinos como dos compradores, leva os proprietários e investidores a optarem por estas reconversões, conseguindo não só aumentar o valor do imóvel, mas também reduzir os custos operacionais e o impacto ambiental.

    Este foco na sustentabilidade não só responde a uma necessidade do mercado, mas também abre portas a incentivos e financiamento mais acessíveis, melhorando a rentabilidade a longo prazo dos projetos.

    Perspetivas e desafios para o futuro

    A tendência para a reconversão tem crescido especialmente desde 2019, em parte devido ao impulso do turismo e à demanda residencial nos principais centros urbanos e zonas turísticas. No entanto, para consolidar esta estratégia como um pilar do mercado, será essencial obter o apoio das administrações públicas, que devem continuar a trabalhar na flexibilização das normas e dos usos.

    Em definitiva, a reconversão de edifícios tem-se revelado uma estratégia eficaz para revitalizar áreas urbanas, gerar oportunidades de investimento e responder às necessidades em mudança do mercado. Com um crescimento significativo nos últimos anos, prevê-se que as reconversões continuem a ganhar destaque, especialmente em mercados dinâmicos, como Madrid e Barcelona.

  • Como o teletrabalho mudou as necessidades imobiliárias

    Como o teletrabalho mudou as necessidades imobiliárias

    O crescimento do teletrabalho, acelerado pela pandemia de COVID-19, transformou a forma como as pessoas vivem e trabalham. O que começou como uma medida temporária e preventiva consolidou-se como uma nova realidade para muitos trabalhadores, e, em consequência, esta mudança acabou por ter um impacto direto nas necessidades e exigências do mercado imobiliário.

    Assim, o teletrabalho abriu novas possibilidades, fomentou o crescimento dos chamados nómadas digitais e mudou a conceção das prioridades dos compradores e arrendatários. Neste artigo, exploramos como influenciou o setor imobiliário e como os intervenientes do mercado, tanto promotores como compradores, se estão a adaptar ao novo contexto.

    Espaços mais amplos e funcionais

    Com o teletrabalho, a casa tornou-se um espaço não apenas para viver, mas também para trabalhar, estudar e relaxar. Isto gerou uma maior procura por espaços amplos e multifuncionais.

    Os compradores agora procuram imóveis que possam adaptar uma zona confortável, como um escritório ou uma área bem iluminada. As habitações com terraços, pátios ou jardins também se tornaram mais populares nas zonas urbanas, proporcionando áreas exteriores para descontrair.

    Interesse por zonas suburbanas e rurais

    Um dos efeitos mais visíveis do teletrabalho foi a possibilidade de viver mais longe dos centros urbanos sem abdicar do emprego. Isto levou a um aumento da população nas zonas suburbanas e rurais de Espanha, onde os preços são mais baixos em comparação com os centros das grandes cidades.

    No entanto, não se trata de uma tendência massiva. Após o auge do teletrabalho nos primeiros anos pós-pandemia, muitas empresas apostaram na presencialidade ou no teletrabalho intermitente. Isso significa, portanto, que se procuram casas não só mais amplas mas também mais acessíveis, com um ambiente de qualidade, como o que existe em aldeias próximas das grandes cidades ou em zonas rurais com boas ligações de transportes.

    Esta mudança fez com que municípios que antes não eram considerados atractivos para compradores urbanos agora experienciem um aumento da procura, o que também está a impulsionar o desenvolvimento de infraestruturas, como os transportes públicos e a conectividade à internet.

    Aumento do interesse por habitações mais sustentáveis

    Outra tendência crescente, resultado do teletrabalho, é o interesse por habitações mais sustentáveis e energeticamente eficientes. Passar mais tempo em casa implica um maior consumo de recursos, como eletricidade e aquecimento, o que levou muitos a valorizar aspetos como o isolamento térmico, a eficiência energética e o uso de energias renováveis.

    Neste sentido, as habitações que oferecem características como janelas bem isoladas, painéis solares ou sistemas de aquecimento eficientes estão a ser mais procuradas não só pelo ahorro económico a longo prazo, mas também por se alinharem com uma crescente consciência ambiental entre os compradores e arrendatários.

    Novas dinâmicas para investidores e promotores

    A mudança nas necessidades imobiliárias decorrente do teletrabalho também teve repercussões no campo do investimento imobiliário. Os promotores e construtores começaram a adaptar os seus projetos para atender a este novo perfil de comprador que valoriza a flexibilidade, a conectividade e a sustentabilidade acima de outros fatores tradicionais.

    A procura por espaços mais amplos, embora não massiva, aumentou nas áreas onde os preços dos terrenos são mais baixos. Os novos desenvolvimentos fora dos grandes centros urbanos estão a focar-se em oferecer habitações onde, embora não se privilegie uma grande amplitude, haja espaços distintos para separar a área de descanso da de trabalho. Além disso, estão a ser promovidos projetos em zonas suburbanas e semi-urbanas que permitem um equilíbrio entre uma boa qualidade de vida, preços acessíveis e conexão com as grandes cidades.

    Conclusão

    O teletrabalho mudou, até certo ponto, as preferências e necessidades no mercado imobiliário espanhol. No entanto, essas transformações estão condicionadas pela realidade económica e pelos elevados preços da habitação, o que limita a possibilidade de mudanças drásticas na procura de imóveis. Ainda assim, o interesse por habitações com maior flexibilidade, melhores conexões à internet e localizadas em zonas mais acessíveis tem vindo a crescer, forçando tanto compradores como promotores a adaptarem-se.

    Embora o mercado continue limitado pela falta de oferta e pelas dificuldades de acesso à compra, de forma geral, o teletrabalho gerou outras prioridades que estão a influenciar o tipo de habitação procurada, transformando pouco a pouco o panorama imobiliário em Espanha.

  • “Estes são os pontos emergentes no mercado imobiliário de luxo”

    “Estes são os pontos emergentes no mercado imobiliário de luxo”

    Na última década, o mercado imobiliário de luxo na Espanha demonstrou grande resiliência, apesar das flutuações econômicas e das mudanças nas preferências dos compradores. Entre 2014 e 2019, o investimento em propriedades premium aumentou significativamente, impulsionado pela estabilidade econômica e pelo interesse de investidores estrangeiros.
    O impacto da pandemia de coronavírus em 2020 representou um grande desafio. No entanto, segundo o Instituto de Avaliações, a demanda por residências de luxo permaneceu sólida, especialmente por parte de compradores internacionais em busca de propriedades com espaços ao ar livre e localizações privilegiadas. A partir de 2022, o mercado experimentou uma recuperação significativa, com uma demanda crescente por propriedades sustentáveis e energeticamente eficientes.

    Atualmente, os dados confirmam que o setor residencial premium continua saudável. Segundo a Tecnitasa, os preços médios das residências de luxo (mais de 3 milhões de euros) registraram um aumento anual de 4,53% em 2024 em toda a Espanha. Alicante (9,6%), Barcelona (7,73%) e Madri (7,48%) são as províncias que apresentaram as maiores taxas de crescimento.

    Tendências na demanda

    Historicamente, o mercado imobiliário de luxo esteve concentrado em cidades como Madri e Barcelona, bem como em regiões como a Costa del Sol e as Ilhas Baleares. Contudo, nos últimos anos, novos locais estão emergindo como destinos atraentes para compradores de alto poder aquisitivo. Observa-se uma crescente descentralização, causada pelo desequilíbrio entre oferta e demanda nas áreas tradicionais. Essa tendência afeta as grandes capitais, como Madri e Barcelona, bem como os destinos de férias, levando à busca por novos locais.

    • Áreas urbanas e cidades secundárias: Muitos compradores valorizam o potencial desses locais, onde encontram melhor relação custo-benefício, espaços mais amplos e opções de personalização. Um bom exemplo é o deslocamento de compradores em Madri do bairro de Salamanca para enclaves dentro de Justicia. Algo semelhante acontece nas Baleares, onde o luxo se expande pela maioria das ilhas.
    • Zonas costeiras emergentes: Além das Baleares e de Marbella, a crescente demanda também está impulsionando o segmento de luxo em outras áreas, como a província de Alicante. Cidades como Altea, Jávea, Teulada-Moraira, Benissa e Calpe estão vendo um aumento na procura por propriedades de luxo. Com pouco espaço para crescimento nas áreas próximas à praia, o luxo está se deslocando para zonas montanhosas, com empreendimentos em plena natureza e vistas panorâmicas para o mar.
    • Desenvolvimento rural: Este fenômeno não é apenas uma resposta à saturação das áreas mais densamente povoadas, mas também reflete uma mudança nas preferências dos compradores. Quintas e propriedades rústicas estão ganhando destaque entre aqueles que, além de exclusividade, buscam privacidade sem abrir mão dos mais altos padrões de luxo. Isso pode ser observado nas áreas mais rurais de Maiorca, onde Alaró, Santa Maria del Camí, Santanyí e o eixo Bunyola-Marratxí se destacam.

    Diversidade de perfis de compradores

    A Tecnitasa identifica dois perfis predominantes entre os investidores no segmento de luxo residencial. Um deles é formado por indivíduos ou casais “seniores” acima dos 50 anos, em fases avançadas de suas carreiras ou já aposentados. Eles priorizam qualidade, exclusividade e segurança, destinando os imóveis para uso familiar. O outro grupo é formado por profissionais mais jovens, de 30 a 40 anos, que ocupam posições de destaque ou são empreendedores. Preferem projetos modernos, com forte ênfase em tecnologia e sustentabilidade.

    Por fim, os investidores estrangeiros desempenham um papel relevante nesse mercado. Enquanto os compradores latino-americanos se destacam em Madri, em áreas como Marbella, os britânicos continuam a ser os principais compradores, representando 16% das transações. Eles são seguidos por suecos e holandeses, com 12% e 8%, respectivamente, além de belgas, franceses e alemães. Em Barcelona, embora os britânicos e franceses tenham historicamente dominado, anos recentes têm mostrado maior diversidade, com americanos, alemães e holandeses demonstrando interesse por propriedades de alto padrão.

  • A sustentabilidade no setor imobiliário: novas oportunidades de investimento

    A sustentabilidade no setor imobiliário: novas oportunidades de investimento

    Nos últimos anos, a sustentabilidade deixou de ser uma opção para se tornar uma exigência no setor imobiliário. Esta mudança foi consequência da generalização de uma consciência social que convenceu tanto compradores como investidores de que as casas sustentáveis são cada vez mais boas opções.

    Impulsionadas pelas dinâmicas de mercado, surgiram uma série de regulamentações que incentivaram a inovação em todo o ecossistema da construção. Além disso, as certificações de sustentabilidade ganharam maior importância, pois influenciam diretamente o valor e a atratividade dos ativos. Neste artigo, explicaremos as principais regulamentações e certificações que estão a moldar o futuro do setor.

    Diretiva Europeia para a Eficiência Energética dos Edifícios (EPBD)

    A Diretiva (UE) 2024/1275 relativa à eficiência energética dos edifícios (EPBD) é um dos quadros regulatórios mais relevantes na Europa para o setor imobiliário. O seu objetivo principal é garantir que os edifícios novos e os renovados cumpram elevados padrões de eficiência energética. Para isso, a diretiva estabelece normas mínimas de desempenho energético e obriga os Estados membros a adotar medidas mais rigorosas, como a emissão de certificados para todos os edifícios vendidos ou arrendados.

    O objetivo da EPBD é alcançar a neutralidade climática até 2030, através da melhoria do desempenho energético e da redução das emissões de carbono no parque imobiliário europeu. Entre as medidas mais significativas encontra-se a obrigatoriedade de que todos os edifícios novos sejam de consumo energético quase nulo e os edifícios residenciais devem reduzir as faturas energéticas em pelo menos 16% até 2023. Além disso, os Estados membros terão que implementar instalações solares de forma gradual em edifícios públicos e não residenciais e os combustíveis fósseis serão gradualmente eliminados no aquecimento e arrefecimento.

    Certificações de sustentabilidade: LEED, BREEAM e DGNB

    As certificações de sustentabilidade são essenciais para avaliar o desempenho ambiental dos edifícios e garantir que são cumpridos certos padrões de construção ecológica. Estas certificações oferecem uma avaliação independente e fiável do comportamento ambiental dos ativos imobiliários.

    LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)

    O sistema LEED, desenvolvido pelo US Green Building Council, é um dos padrões mais reconhecidos a nível mundial. Este sistema avalia critérios como o uso eficiente da água, a escolha de materiais sustentáveis, a qualidade ambiental interior e a inovação no design. Funciona através de um sistema de pontos que atinge quatro níveis de sustentabilidade: LEED Certification, LEED Silver, LEED Gold e LEED Platinum.

    BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method)

    BREEAM é um sistema de certificação muito popular na Europa, desenvolvido pelo Building Research Establishment no Reino Unido. Este sistema mede a sustentabilidade dos edifícios com base em nove categorias que abrangem desde o design e construção até a operação e manutenção. BREEAM é conhecido pela sua flexibilidade e é amplamente utilizado para certificar vários tipos de edifícios.

    DGNB (Deutsche Gesellschaft für Nachhaltiges Bauen)

    DGNB, criado na Alemanha, oferece uma abordagem holística de sustentabilidade, avaliando critérios económicos, ambientais e sociais. Este sistema concentra-se em aspectos como a durabilidade dos edifícios, a eficiência dos recursos e o impacto na saúde e no bem-estar dos ocupantes. A certificação DGNB é muito popular na Alemanha e está a ganhar terreno em outros países europeus.

    Inovação e oportunidades de investimento sustentável

    A sustentabilidade impulsionou o surgimento de novas tecnologias e abordagens inovadoras, como a integração de energias renováveis como a solar e a eólica e a implementação de sistemas de gestão inteligentes. Estas tecnologias, juntamente com metodologias digitais como BIM, facilitam a construção e a gestão eficiente de edifícios.

    A sustentabilidade tornou-se um pilar fundamental no setor imobiliário europeu. As regulamentações estão a transformar a forma como os edifícios são construídos e geridos. Esta abordagem não responde apenas às crescentes exigências de investidores e consumidores, mas também cria novas oportunidades para maximizar o valor dos ativos.

    Por isso, é fundamental compreender as tendências em sustentabilidade e adotar uma estratégia que se alinhe com estes padrões, uma vez que o investimento em edifícios sustentáveis não só contribui para um futuro melhor, mas também oferece retornos financeiros sólidos.

  • Garagem, casa, local comercial ou escritório: qual ativo escolher de acordo com o seu perfil de investidor?

    Garagem, casa, local comercial ou escritório: qual ativo escolher de acordo com o seu perfil de investidor?

    O interesse dos espanhóis pelo investimento imobiliário continua muito alto, mesmo em um momento em que o mercado financeiro oferece uma ampla gama de produtos de investimento. Esse apego ao imóvel não é por acaso; tradicionalmente, a propriedade na Espanha tem sido vista não apenas como uma forma de proteger as economias, mas também como uma ferramenta chave para gerar riqueza a longo prazo.
    Para muitas famílias, a aquisição de uma casa continua sendo um objetivo central, mas não é a única opção. Aqueles que desejam diversificar e maximizar seus rendimentos por meio do setor imobiliário podem explorar outros ativos, como garagens, locais comerciais e escritórios, entre outros. No entanto, a rentabilidade deles varia consideravelmente dependendo do tipo e da localização.
    Os últimos dados publicados pela Idealista sobre o desempenho desses quatro ativos imobiliários podem ser uma referência útil na hora de escolher em qual investir. A decisão dependerá de muitos fatores; rentabilidade e localização são muito importantes, mas também o nosso perfil de investidor.

    Garagens: gestão simples e rendimentos constantes

    Investidores menos ousados, que buscam poucas complicações e uma fonte de rendimento periódico, mesmo que não seja a mais atraente, encontram seu ativo ideal nas garagens. Embora a Idealista as classifique como “o produto menos rentável em muitas capitais”, cidades como Ávila (8,7%), Murcia (8,7%) e Castellón (8%) oferecem rendimentos acima da média nacional, que é de 6%. Em capitais como Salamanca, Granada ou Palencia, a rentabilidade fica em torno de 3%.

    Casa: visão de longo prazo

    Para investidores com estabilidade econômica e/ou acesso ao financiamento, e foco no retorno a longo prazo, a casa para locação é uma boa alternativa. Com uma rentabilidade média de 7,2%, os dados da Idealista mostram que cidades pequenas como Murcia (8,1%), seguidas de Lleida (7,6%) e Huelva (7,4%), ocupam os primeiros lugares do ranking de rentabilidade. Em grandes cidades como Barcelona ou Madrid, a taxa cai para 5,9% e 5,2%, respectivamente.

    Locais comerciais: diversificar assumindo riscos

    Diversificar o portfólio sem medo dos riscos associados à rotatividade de inquilinos e às flutuações do mercado de varejo. Essa é a abordagem de investidores que optam por locais comerciais para alocar suas economias e obter rendimentos. Nesse caso, a rentabilidade sobe para 9,7%, segundo a Idealista, mas ultrapassa os dois dígitos em várias cidades. É o caso de Murcia (11,7%), Girona (11,3%) e Oviedo, Ávila e Zaragoza (10,9% em cada um).

    Escritórios: investidores institucionais e experientes

    No topo da rentabilidade estão os escritórios (11,7%), um ativo muito procurado por investidores institucionais ou com experiência no setor, pois exigem uma gestão mais complexa e estão sujeitos às flutuações dos ciclos econômicos.
    Sevilha (14,2%), Vitória (10,2%) e Almería (9,6%) lideram a lista das cidades com maior rentabilidade, segundo a Idealista. Abaixo da média estão alguns dos ambientes econômicos mais dinâmicos, como Barcelona (8%) e Madrid (7,4%).

    Chaves para o futuro

    Além da evolução das taxas de juros, as mudanças nos modelos de consumo, sustentabilidade e mobilidade são fatores que influenciarão a rentabilidade futura dos ativos imobiliários. Eles continuarão a oferecer oportunidades, mas os rendimentos mais atraentes serão obtidos por aqueles que melhor se adaptarem a essa transformação.
    A demanda por vagas de garagem continuará estável em áreas urbanas densamente povoadas e com dificuldades de estacionamento, especialmente em cidades como Madrid, Barcelona ou Málaga. No entanto, a expansão das zonas de baixas emissões e as restrições de tráfego nos centros urbanos podem reduzir a demanda nessas áreas, redirecionando-a para áreas periféricas.
    A falta de moradia nova e as dificuldades de acesso à compra continuarão a alimentar a demanda por aluguel, especialmente em grandes cidades e áreas metropolitanas. A regulação e limitação dos preços também influenciarão a configuração final do mercado.
    O mercado de escritórios continua sua reestruturação, com uma menor presença do trabalho remoto e um retorno à presença física e modelos híbridos, o que levou muitas empresas a reavaliar suas necessidades de espaço. Modelos de coworking e escritórios flexíveis estão crescendo, sendo a eficiência energética um aspecto chave.
    O comércio varejista se mantém como um sobrevivente, após enfrentar os efeitos do e-commerce e da pandemia. Modelos híbridos (comércio eletrônico e lojas físicas) serão tendência e influenciarão a demanda por locais comerciais, com características que permitam oferecer experiências além das simples transações.

  • Banco da Espanha e habitação: o que precisa ser feito

    Banco da Espanha e habitação: o que precisa ser feito

    A situação atual do mercado habitacional na Espanha apresenta um grande desafio para o futuro próximo. Após a crise imobiliária de 2008, a produção de novas moradias tem se recuperado lentamente. No entanto, os níveis atuais ainda são muito mais modestos do que em outras épocas de expansão. Esse cenário resultou em uma série de problemas, sendo o principal um déficit habitacional, especialmente nas grandes cidades e nas áreas turísticas, que gerou um aumento descontrolado dos preços.

    O relatório do Banco da Espanha destaca que, ao contrário do passado, o tamanho do mercado imobiliário não é sobredimensionado em comparação com outras economias avançadas. A cautela adotada pelos bancos na concessão de crédito tem sido um fator positivo, garantindo que a expansão do mercado imobiliário ocorra de forma controlada e sem gerar riscos significativos para a estabilidade financeira. Além disso, destaca que o problema da habitação não se limita à escassez de oferta, mas também inclui fatores como qualidade, acessibilidade e sustentabilidade, que são cruciais para atender às necessidades da população.

    A Escassez de Habitação e Suas Consequências

    A Espanha enfrenta um problema estrutural de escassez de moradias. Embora a demanda por habitação continue elevada, a criação de novos lares tem mostrado uma desaceleração significativa. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), foram criados 55 mil lares no primeiro trimestre deste ano, com uma projeção total de 360 mil para o ano todo. Esse resultado sugere que o déficit habitacional e a falta de atuação são problemas significativos.

    Por outro lado, o Banco da Espanha adverte que a demanda por moradias aumentou, impulsionada em parte por fluxos migratórios significativos. Desde 2022, aproximadamente 1,5 milhão de novos residentes chegaram ao país, aumentando a população de 9,5% em 2015 para 13,6% no segundo trimestre de 2024.

    Nesse sentido, o relatório aponta que Madri e Barcelona concentram um terço do déficit acumulado de moradias, junto com Valência, Alicante e Málaga, onde o crescimento populacional gerou pressão adicional sobre o mercado. Tendo isso em mente, é evidente que, apesar da desaceleração na criação de moradias, a necessidade de habitação nas grandes cidades não cessa.

    Possíveis Medidas para Mitigar o Déficit Habitacional

    Diante deste contexto, o Banco da Espanha sugere várias medidas que poderiam ajudar a aliviar a situação do mercado imobiliário. Em primeiro lugar, propõe uma avaliação mais detalhada das políticas habitacionais já implementadas, com o objetivo de entender sua efetividade. Isso incluiria melhorar as estatísticas de preços imobiliários e facilitar o acesso aos microdados para pesquisadores especializados. Uma avaliação rigorosa permitiria ajustar as políticas de maneira mais eficiente.

    Além disso, destaca a necessidade de uma maior coordenação entre as diversas Administrações Públicas (AP). As competências sobre o mercado habitacional são altamente descentralizadas, o que dificulta a implementação de políticas coerentes e eficazes. A coordenação entre as APs poderia facilitar uma abordagem mais integrada e metropolitana na política habitacional, considerando também o equilíbrio territorial.

    Nesse sentido, encoraja-se a colaboração entre o setor público e privado para enfrentar a magnitude do desafio habitacional. Iniciativas que promovam o investimento privado em projetos de moradia pública podem facilitar a criação de um estoque de habitação mais acessível. Essa abordagem colaborativa não só aumentará a oferta habitacional, mas também pode ajudar a revitalizar áreas urbanas e criar empregos no setor da construção.

    Propõe-se ainda um impulso na oferta de aluguel social na Espanha, que é muito inferior ao de outros países europeus. Para isso, seria necessário estabelecer um plano de longo prazo que contemple a criação de cerca de 1,5 milhão de moradias de aluguel social. Este seria um esforço considerável, mas poderia ser fundamental para atender à demanda e melhorar as condições de acesso à habitação.

    O Banco da Espanha identificou uma série de desafios no mercado habitacional que requerem atenção urgente. A escassez de moradias, junto com uma demanda crescente impulsionada por fluxos migratórios, revela a necessidade de estabelecer mudanças e implementar soluções para um problema evidente.

    Conclusão

    Em resumo, o mercado habitacional na Espanha enfrenta desafios importantes que exigem atenção imediata e uma resposta coordenada. A escassez de moradias e o aumento do preço dos aluguéis são problemas estruturais que devem ser abordados com medidas eficazes e sustentáveis. A avaliação das políticas existentes, a coordenação entre administrações, o impulso ao aluguel social e a colaboração entre o setor público e privado podem ser medidas que ajudem a mitigar este déficit habitacional e melhorar o acesso progressivamente.

  • O Impacto da Sustentabilidade no Valor dos Ativos Imobiliários

    O Impacto da Sustentabilidade no Valor dos Ativos Imobiliários

    A sustentabilidade deixou de ser uma tendência passageira para se tornar um fator determinante na indústria imobiliária. As preocupações ambientais, juntamente com regulamentações cada vez mais rigorosas, transformaram a abordagem à construção e manutenção dos edifícios.

    Com isso, as propriedades sustentáveis demonstraram gerar retornos econômicos mais altos e oferecer vantagens competitivas em um mercado cada vez mais exigente. Investidores e promotores que apostam na sustentabilidade não estão apenas contribuindo para a redução da pegada de carbono, mas também podem estar maximizando o valor de seus ativos.

    Aumento do Valor de Aluguel e Venda de Imóveis Sustentáveis

    Em termos de aluguéis, os imóveis com certificações ambientais conseguem um preço 10% superior em relação aos edifícios convencionais. Além disso, a demanda por espaços sustentáveis aumentou consideravelmente em comparação com as propriedades tradicionais. Esse aumento na demanda reflete a crescente consciência ambiental e o desejo de empresas e inquilinos de operar em espaços que refletem seus compromissos de sustentabilidade.

    A sustentabilidade não impacta apenas as taxas de ocupação, mas também o valor financeiro direto dos ativos. Edifícios que cumprem os padrões de sustentabilidade permitem que os proprietários aumentem os preços dos aluguéis e ainda aumentem o valor de venda.

    Essa mudança se deve, em grande parte, ao fato de que os edifícios sustentáveis tendem a ter custos operacionais mais baixos, permitindo que inquilinos e proprietários economizem em aspectos como o consumo de energia ou água. Além disso, os investidores institucionais estão cada vez mais focados em incluir ativos sustentáveis em suas carteiras, o que impulsiona a demanda e, consequentemente, eleva os preços. Essas certificações são percebidas não apenas como uma garantia de eficiência, mas também como um investimento no futuro, dado que a regulamentação ambiental continuará a ser uma tendência de longo prazo.

    Impacto Positivo na Ocupação e na Demanda

    Outro dado revelador é o impacto da sustentabilidade nas taxas de ocupação. Edifícios sustentáveis apresentam uma taxa de ocupação 8% superior em relação aos não sustentáveis. Essa maior ocupação reflete o interesse crescente das empresas em melhorar seu perfil de sustentabilidade. Grandes companhias e corporações globais, cada vez mais comprometidas com a responsabilidade social, buscam escritórios e espaços que reflitam seu compromisso com a redução de emissões e o uso eficiente de recursos. Esse fator não só beneficia os proprietários, que veem reduzidos os tempos de vacância, mas também oferece aos inquilinos um ambiente de trabalho que atrai talentos e reforça sua imagem corporativa.

    Além disso, as novas gerações de consumidores, cada vez mais conscientes da crise climática, também estão influenciando a demanda por espaços residenciais sustentáveis. Os jovens preferem alugar ou comprar imóveis que minimizem seu impacto ambiental, o que gera uma demanda sustentável por ativos imobiliários que atendam a esses padrões.

    Sustentabilidade a Longo Prazo

    Investir em sustentabilidade não só aumenta o valor dos ativos no presente, mas também assegura sua viabilidade futura. Edifícios que atendem aos critérios ambientais estão melhor preparados para resistir às mudanças regulamentares e adaptar-se à demanda de um mercado que evolui rapidamente. Além disso, o interesse crescente de investidores institucionais por ativos sustentáveis cria um mercado com maior liquidez e opções de financiamento mais favoráveis para esse tipo de propriedade.

    A longo prazo, a sustentabilidade tornou-se um padrão que deixou de ser apenas uma moda. Aqueles investidores que não considerarem esses fatores em suas decisões correm o risco de ficar para trás em um mercado cada vez mais competitivo e orientado para o futuro.

    Conclusão

    O impacto da sustentabilidade no valor dos ativos é profundo e importante, indo além dos ganhos econômicos. A capacidade dos edifícios sustentáveis de gerar rendas mais altas, reduzir os períodos de vacância e serem vendidos a preços mais altos os torna uma opção atraente tanto para investidores quanto para inquilinos. Além disso, a sustentabilidade garante que os ativos imobiliários manterão seu valor em um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso. Em suma, para os investidores, apostar em ativos sustentáveis não é apenas uma decisão estratégica, mas um investimento no futuro do mercado imobiliário.

  • Living, retail e hotéis lideram o investimento até ao terceiro trimestre

    Living, retail e hotéis lideram o investimento até ao terceiro trimestre

    O mercado imobiliário em Espanha registou um crescimento notável até ao terceiro trimestre de 2024, com um volume de investimento que ultrapassou os 8,3 mil milhões de euros, um aumento de 15% em relação ao ano passado (7,228 mil milhões), segundo a Savills. Este aumento sublinha a solidez do setor, que continua a demonstrar grande resiliência, impulsionado pelo desempenho de ativos-chave como hotéis, residências de estudantes e centros comerciais. O mercado imobiliário espanhol mantém, assim, a sua atratividade tanto para investidores nacionais como internacionais que procuram diversificação num contexto afetado pelas flutuações inflacionárias e pela volatilidade dos mercados financeiros.

    Distribuição do capital investido

    Os imóveis ligados a alojamento e habitação dominaram o investimento imobiliário, representando 53% do total. Neste segmento, hotéis, apartamentos turísticos, residências para arrendamento, flex e coliving, residências de estudantes e lares de idosos foram os principais recetores de capital. O investimento em residências de estudantes registou o maior crescimento, com 730 milhões de euros, o que representa um aumento de 286% em comparação com 2023, impulsionado principalmente pela compra da carteira da EQT em Espanha por parte da gestora Azora. Trata-se de um mercado com grande potencial, uma vez que a Espanha lidera o investimento em residências de estudantes na Europa, embora também acumule um défice de 450.000 camas, segundo estimativas da CBRE.

    No caso das residências para idosos, observou-se um aumento de 145%, impulsionado pela compra de um portefólio de 11 residências da DomusVi. A procura por este tipo de ativos aumentou devido ao envelhecimento da população e à necessidade crescente de infraestruturas adequadas para o cuidado deste segmento da população.

    Dos 47% restantes que não correspondem a alojamento e habitação, 18% foi destinado a ativos de retalho, 16% a escritórios, 11% a ativos industriais e logísticos, e 2% a outros usos.

    No segmento de retalho, recupera-se o interesse dos fundos de investimento pelos centros comerciais, atingindo quase 1,5 mil milhões de euros em transações, o que representa um aumento de 155% em comparação com o ano anterior.

    Perfil do investidor

    Quanto ao perfil dos investidores, segundo a Savills, os fundos de investimento continuam a dominar o mercado imobiliário terciário. No entanto, os investidores privados aumentaram a sua participação, representando 31% do investimento total em setores como escritórios, logística, retalho, hotéis e ativos alternativos. Além disso, empresas imobiliárias, promotoras, fundos e socimis lideraram os investimentos no segmento de habitação, que inclui projetos residenciais e de arrendamento.

    A Savills prevê também perspetivas otimistas para os próximos meses, estimando que o mercado imobiliário continue numa tendência ascendente no que resta de 2024, impulsionado pelo capital disponível para investir no sul da Europa. Prevê-se que a descida das taxas de juro reative ainda mais as transações, atraindo investimento transfronteiriço e consolidando operações já em curso. As perspetivas para os próximos meses são, portanto, positivas, com um possível retorno aos níveis de investimento pré-pandemia, segundo a consultora.

  • Tendências do preço da habitação em Portugal em 2024

    Tendências do preço da habitação em Portugal em 2024

    O mercado imobiliário em Portugal manteve o seu dinamismo ao longo de 2024, desafiando as expectativas de estabilização decorrentes das políticas económicas mais restritivas a nível europeu. Longe de estabilizar, os preços das habitações continuaram a aumentar, impulsionados pela alta procura, pelo interesse contínuo dos investidores estrangeiros e pela escassez de oferta em algumas das zonas mais procuradas do país.

    Neste artigo, revemos a evolução dos preços da habitação em Portugal ao longo dos primeiros meses de 2024 e exploramos o que se espera para o resto do ano, analisando fatores-chave como o investimento estrangeiro, o impacto das taxas de juro e as novas tendências que estão a redefinir o panorama imobiliário no país.

    Aumento dos preços da habitação em Portugal

    Tal como vemos noutros países, Portugal juntou-se à aceleração global dos preços da habitação. Segundo o Global House Price Index da Knight Frank, Portugal ocupa o 14.º lugar no aumento de preços entre os 56 países analisados. Neste sentido, os preços continuam a subir com um aumento de 6,5% no último ano, de 2,5% nos últimos seis meses e de 2,9% nos últimos três meses.

    A subida das taxas de juro na zona euro, implementada pelo Banco Central Europeu (BCE) para combater a inflação, não travou a procura imobiliária tanto quanto se antecipava. Embora o financiamento tenha ficado mais caro, o mercado continua a demonstrar uma alta atividade, em grande medida devido ao interesse de compradores internacionais, especialmente daqueles que procuram em Portugal um destino para segunda residência ou um investimento rentável.

    Lisboa e Porto: uma tendência ascendente

    Lisboa e Porto continuam a liderar o crescimento dos preços da habitação. Ambas as cidades registaram um forte aumento da procura, o que manteve a pressão sobre os preços, especialmente nas áreas mais centrais e populares.

    Em Lisboa, os preços continuaram a subir com força na primeira metade do ano, com um aumento próximo de 8% em relação ao ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Os bairros mais procurados, como o Chiado, a Baixa e a zona da Avenida da Liberdade, continuam extremamente demandados, com preços que ultrapassaram os 10.000 euros por metro quadrado em alguns casos. As áreas periféricas, como Amadora, Oeiras e Sintra, também registaram um aumento significativo da procura, impulsionado por compradores que procuram preços mais acessíveis fora do centro da cidade.

    Porto não ficou atrás. A cidade registou um crescimento de 6 a 7% nos preços da habitação durante os primeiros meses de 2024, com bairros como Foz do Douro e a Ribeira entre os mais procurados. Tal como em Lisboa, os compradores procuram alternativas nos arredores da cidade, o que tem impulsionado os preços em zonas emergentes como Campanhã e Bonfim. Estas áreas ainda oferecem uma certa acessibilidade, mas a procura rápida está a começar a fazer subir os preços.

    Perspectivas para os próximos meses de 2024

    Tal como em Espanha, as dificuldades de acesso à habitação em Portugal continuarão no curto prazo. Isto deve-se ao facto de que o custo da habitação pode crescer até 6% ao ano. Esta dinâmica, além disso, está a ser afetada pelas contínuas restrições à oferta de habitação, sobretudo em zonas pouco povoadas. No entanto, espera-se que a procura de empréstimos hipotecários e as condições de financiamento melhorem em 2024 em comparação com o ano passado, nos últimos meses do ano.

    Por agora, os especialistas preveem que os preços da habitação continuarão a subir, ainda que de forma mais moderada. Fatores como a inflação e o aumento dos custos das hipotecas poderão exercer uma certa pressão descendente sobre a procura interna, mas o interesse de compra nacional e a oferta limitada de propriedades nas zonas-chave parecem que vão continuar a aumentar os preços.

    O investimento estrangeiro continuará a ser um importante motor para o mercado imobiliário português, apesar de a reforma do “golden visa” excluir áreas metropolitanas como Lisboa e Porto e zonas costeiras de grande interesse turístico, como o Algarve. Isto redirecionou parte do investimento para outras regiões como o Algarve e a Madeira, onde os preços também subiram consideravelmente no que vai do ano.

    Em suma, para os meses restantes de 2024, espera-se que esta tendência de subida continue, embora seja provável que o crescimento seja mais moderado em comparação com os primeiros meses do ano. As áreas mais procuradas, como Lisboa, Porto e o Algarve, continuarão a liderar o mercado, enquanto zonas mais periféricas e emergentes oferecerão oportunidades interessantes para quem procura preços mais acessíveis.

  • Outubro recorde na Urbanitae: mais de 24 milhões de euros financiados!

    Outubro recorde na Urbanitae: mais de 24 milhões de euros financiados!

    Terminamos o décimo mês do ano com o nosso melhor resultado de financiamento até à data, ultrapassando os 24,5 milhões de euros, incluindo o projeto Golf Terraces, financiado hoje.

    O equity foi o protagonista na Urbanitae em outubro, em linha com o nosso histórico. No entanto, também houve espaço para projetos de rendimento. No dia 1, fechámos o financiamento do Local Comercial Palma, o nosso quinto projeto com a Rubica Real Estate, que consistiu na compra de um espaço comercial na capital de Maiorca, alugado à cadeia de drogarias Rossmann.

    A esta operação seguiram-se quatro projetos de mais-valias, totalizando cerca de 12 milhões de euros. Repetimos com o Grupo Abauco para desenvolver uma promoção de 22 a 24 habitações na rua López de Hoyos em Madrid. Além disso, regressámos a Portugal para financiar uma promoção residencial de luxo em Lisboa com a Vogue Homes: 22 apartamentos multifamiliares com jardins, terraços privados e piscinas no topo do edifício.

    Primeiro projeto em França

    Outubro foi importante também pela nossa entrada em França. O projeto Marjolin marca a nossa estreia no principal mercado europeu de crowdfunding imobiliário. A operação consistiu na compra de um edifício de escritórios em Levallois-Perret, muito próximo de Paris. Uma operação ambiciosa, na qual participámos com 2,5 milhões de euros, juntamente com uma entidade bancária francesa e outros investidores, com o objetivo de maximizar a rentabilidade do imóvel e vendê-lo num prazo máximo de três anos.

    Com o RTV Grupo Inmobiliario, financiámos um novo projeto residencial em Barcelona, o oitavo na província, onde já somamos mais de 14 milhões de euros em investimento imobiliário. Com um bilhete de 2,9 milhões de euros, o Residencial Priorat consiste no desenvolvimento de uma promoção de 68 habitações em Cornellà de Llobregat, que acabou de obter a licença de obras.

    10 milhões de euros em minutos

    Um dos marcos do mês foi, sem dúvida, o financiamento de dois projetos de 5 milhões de euros cada, num período de menos de cinco dias. Tratam-se das promoções de habitação protegida Balcón del Sur e Ribera del Pinar, ambas localizadas em Navalcarnero. Ambos os projetos têm como gestor a Urbanismo y Gestión, uma empresa com quase 40 anos de experiência no setor.

    Localizadas próximas uma da outra, as promoções de 144 e 268 habitações – as maiores financiadas na Urbanitae – geraram grande interesse na nossa base de investidores. Em questão de minutos, quase 1.900 investidores contribuíram com cinco milhões de euros para o empréstimo do Balcón del Sur. Poucos dias depois, batemos o nosso recorde de investidores, com mais de 2.300 participantes na dívida – também de 5 milhões de euros, o máximo permitido por lei – destinada a financiar o desenvolvimento de Ribera del Pinar.

    Mais de 50 milhões de euros em devoluções

    Em outubro, também completámos a devolução de três projetos aos nossos investidores. O primeiro deles, Montesano, encerrou-se com um TIR final superior a 22%, uma vez que o promotor – Viviz – devolveu o empréstimo com três meses de antecedência. Aproveitamos para lembrar que, em projetos de dívida, o dado de TIR é calculado a partir da data de formalização do empréstimo.

    Também devolvemos o investimento num projeto do Grupo Grupanxon, o décimo segundo na lista. Como é habitual, os resultados estiveram alinhados com as nossas estimativas, embora nesta ocasião tenha havido um atraso de um mês, compensado no rendimento total e no TIR. Por fim, completámos a devolução do General Cabrera, com um atraso de quatro meses e um TIR final de 12,1%, nove décimos abaixo da nossa estimativa.

    Tudo aponta para que o final do ano será ainda mais intenso na Urbanitae. Se ainda não investiu connosco, na próxima segunda-feira, 5 de novembro, terá a oportunidade de o fazer. Contamos consigo!

  • Investir em propriedades rurais: vale a pena?

    Investir em propriedades rurais: vale a pena?

    O investimento imobiliário é considerado uma das opções mais sólidas para diversificar o portfólio e obter rendimentos estáveis a longo prazo. Contudo, dentro deste setor, o foco é frequentemente direcionado para propriedades urbanas: grandes cidades, centros financeiros e áreas de alta procura. Nos últimos anos, no entanto, surgiu um interesse crescente em propriedades rurais, especialmente após a pandemia, que valorizou os espaços abertos e a natureza. Mas será que vale realmente a pena investir em propriedades rurais?

    Porquê investir em propriedades rurais?

    Quando falamos de propriedades rurais, referimo-nos a terrenos ou habitações localizadas fora dos centros urbanos. Estas propriedades incluem desde pequenas casas de campo até grandes extensões de terreno dedicadas à agricultura ou a projetos turísticos. Aqui estão alguns motivos pelos quais este tipo de investimento pode ser vantajoso:

    1. Preços mais acessíveis e potencial de valorização

    Uma das principais vantagens das propriedades rurais é o seu custo, em geral. Os preços tendem a ser muito mais baixos em comparação com as grandes cidades, permitindo o acesso a terrenos mais amplos ou habitações com mais metros quadrados a um custo inferior ao de uma zona urbana de grande procura.

    Além disso, algumas áreas rurais estão a experimentar um aumento da procura tanto para arrendamento residencial como turístico. A pandemia incentivou o teletrabalho, o que permite a muitas pessoas, que trabalham em empresas onde o teletrabalho se manteve, viver longe das cidades sem comprometer a sua vida profissional. Isso gerou um aumento na procura de propriedades rurais, o que poderá traduzir-se numa valorização do terreno nos próximos anos.

    2. Diversificação do investimento

    Investir em propriedades rurais permite diversificar o portfólio imobiliário. Muitas vezes, os mercados rurais não estão correlacionados com os movimentos do mercado urbano, o que pode oferecer alguma proteção face às flutuações de preços nas cidades. Além disso, as propriedades rurais podem ser utilizadas para diferentes fins, como agricultura, turismo rural ou mesmo projetos de energias renováveis, como instalações solares ou eólicas, abrindo portas a várias formas de gerar rendimento.

    3. Oportunidades no turismo rural

    O turismo rural está a crescer em muitos países, impulsionado pelo desejo dos viajantes de explorar zonas naturais, desconectar-se do ritmo frenético da cidade e desfrutar de experiências autênticas. Investir em propriedades rurais para desenvolver alojamentos turísticos, como casas rurais ou parques de campismo, pode tornar-se uma boa fonte de rendimento. Além disso, este tipo de turismo tende a ter menos concorrência do que os mercados urbanos saturados, o que pode aumentar a rentabilidade.

    Desafios de investir em propriedades rurais

    Apesar destas vantagens, investir em propriedades rurais também acarreta riscos, que é importante considerar. Em primeiro lugar, a liquidez das propriedades rurais tende a ser menor do que nas zonas urbanas. Isto significa que, em caso de querer vender, poderá ser mais difícil encontrar compradores, pois a procura é menor. É igualmente importante ter em conta que o valor de revenda pode depender de fatores como a proximidade a infraestruturas ou serviços e o potencial de uso da propriedade.

    Outro desafio é a manutenção das propriedades rurais. Muitas vezes, estas propriedades exigem mais trabalho para se manterem em boas condições, especialmente se forem terrenos grandes ou construções mais antigas. Por sua vez, os custos em infraestruturas básicas, como o acesso à eletricidade, água ou internet de alta velocidade, podem representar complicações, que podem resultar em inconvenientes para quem procura conectividade e acesso fiável à internet.

    Por fim, a regulamentação e as restrições locais podem ser um fator determinante. Algumas áreas rurais podem ter regulamentos rigorosos sobre a construção ou uso do solo, o que pode limitar os planos de desenvolvimento. É fundamental investigar a regulamentação local e as possibilidades de uso do terreno antes de realizar um investimento.

    Vale a pena investir em propriedades rurais?

    A resposta a esta pergunta depende em grande medida dos objetivos do investidor e do tipo de propriedade rural em questão. Para quem procura um investimento a longo prazo, com potencial de valorização em setores como o turismo rural ou a agricultura sustentável, as propriedades rurais podem ser uma alternativa aconselhável. Além disso, podem oferecer oportunidades de compra a preços mais baixos e uma maior diversificação em comparação com os investimentos urbanos.

    No entanto, convém também ter em conta os desafios que apresentam, como uma menor liquidez, custos de manutenção mais elevados e possíveis limitações de conectividade. Para que o investimento seja rentável, é fundamental realizar uma análise exaustiva da zona, da procura e das condições do terreno.

    Em suma, investir em propriedades rurais pode valer a pena, mas requer um planeamento cuidadoso para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades. Com a abordagem correta, as propriedades rurais podem ser uma adição valiosa a um portfólio de investimento diversificado, com o potencial de gerar rendimentos sólidos a longo prazo.

  • Aumentam as compras de casas sem hipoteca

    Aumentam as compras de casas sem hipoteca

    Nos últimos anos, observámos um fenómeno interessante no mercado imobiliário espanhol: o aumento das compras de habitação sem crédito hipotecário. Num contexto em que o crédito se tornou mais restrito – o Euribor situou-se acima dos 3% em dezembro de 2022 pela primeira vez em 14 anos – e a oferta continua a não acompanhar a procura, é surpreendente que um número crescente de compradores opte por adquirir imóveis sem recorrer a empréstimos hipotecários. Mas a que se deve esta mudança?

    Alterações no perfil do comprador

    Tradicionalmente, a compra de habitação em Espanha esteve muito ligada à obtenção de um empréstimo hipotecário. De facto, num país com uma forte cultura de propriedade, o crédito hipotecário foi o meio mais comum de financiar um investimento tão significativo. No entanto, atualmente um número considerável de compradores opta por pagar a pronto. No último ano, a percentagem deste grupo de compradores aumentou de 32% para 35%, uma diferença de três pontos percentuais e um valor oito pontos superior ao de 2022, quando a percentagem era de 27%, segundo a Fotocasa.

    Um dos fatores-chave por detrás deste fenómeno foi a mudança no perfil do comprador. Encontramos cada vez mais pessoas de meia-idade – com uma média de 49 anos – e, especialmente, mulheres, que, após anos de poupança ou com a venda de outra propriedade, dispõem de capital suficiente para adquirir uma habitação sem necessidade de financiamento externo. Outro grupo notável de compradores sem crédito hipotecário é constituído por investidores, tanto nacionais como internacionais, que veem na compra de uma casa uma oportunidade de obter rendimento através do arrendamento ou da valorização do imóvel.

    No entanto, é importante destacar que a maioria dos compradores ainda necessita de um crédito hipotecário: 66%. Embora esta percentagem continue a representar a maioria, é ligeiramente inferior aos 68% registados no ano anterior. Além disso, deste 66%, apenas 54% obteve financiamento bancário, enquanto outros 12% necessitaram de ajuda familiar, além do empréstimo hipotecário, para efetuar a compra. O perfil predominante neste caso é de uma pessoa de classe média-alta, com 42 anos, que vive com o/a parceiro/a ou com parceiro/a e filhos.

    Contexto económico: redução das taxas de juro e poupança acumulada

    Este ano, o Banco Central Europeu reduziu as taxas de juro em duas ocasiões, fixando-as nos 3,5%. Esta ação pode ser vista como um estímulo ao consumo dos cidadãos e uma melhoria direta nas condições dos empréstimos hipotecários. A partir de agora, os cidadãos com hipotecas de taxa variável verão uma redução entre 80 e 190 euros por mês, o que representa uma redução anual de 10%, segundo uma análise realizada pela Fotocasa.

    A este fator junta-se um fenómeno de poupança acumulada que pôde ser aproveitado nos últimos anos. Durante a pandemia, muitas famílias e indivíduos conseguiram poupar mais do que o habitual, devido à redução do consumo em áreas como viagens ou lazer. Estas poupanças levaram alguns compradores a utilizar esse capital para adquirir uma habitação, como forma de investir com segurança num ativo tangível em tempos de volatilidade financeira.

    Que efeitos tem no mercado este aumento das compras sem crédito hipotecário?

    O aumento das compras de habitação sem financiamento tem várias implicações interessantes para o mercado imobiliário. Por um lado, pode estar a contribuir para a subida dos preços em determinadas áreas, especialmente naquelas com alta procura por parte de compradores que podem pagar a pronto. Isto é particularmente relevante nas grandes cidades e nas zonas costeiras, onde os preços já são consideravelmente elevados e a concorrência pelos imóveis é maior.

    Por outro lado, este fenómeno pode estar a limitar o acesso à habitação para aqueles que necessitam de financiamento, uma vez que os compradores sem crédito hipotecário conseguem fechar negócios de forma mais rápida e simples, tornando-se uma opção mais atraente para os vendedores.

    Conclusão: um mercado em transformação

    O aumento das compras de habitação sem crédito hipotecário reflete uma mudança importante no mercado imobiliário espanhol. Fatores como a alteração no perfil do comprador, o contexto económico e o papel dos investidores estão a influenciar esta tendência.

    A capacidade de adquirir imóveis tornou-se uma oportunidade disponível para um segmento limitado da população espanhola: pessoas com elevados níveis de poupança ou investidores com acesso a capital, o que evidencia uma crescente desigualdade entre aqueles que podem aproveitar estas oportunidades, aqueles que dependem do financiamento bancário e aqueles que ainda não conseguem adquirir uma habitação.

    No futuro, será interessante observar como esta tendência evolui e qual será o impacto no acesso à habitação e nos preços. O certo é que o mercado imobiliário espanhol continua a adaptar-se às novas circunstâncias, oferecendo tanto oportunidades como desafios para compradores e investidores.

  • Blockchain e imobiliário: o futuro do investimento imobiliário?

    Blockchain e imobiliário: o futuro do investimento imobiliário?

    O mundo do investimento imobiliário tem passado por diversas transformações ao longo dos anos, adaptando-se às novas tecnologias e tendências de mercado. Nos últimos anos, um dos avanços mais disruptivos foi a tecnologia blockchain, amplamente conhecida por ser a base da maioria das criptomoedas, mas cujas aplicações vão muito além disso. Neste artigo, questionamo-nos sobre como esta tecnologia impactará o setor imobiliário. Será que o blockchain é o futuro do imobiliário?

    O que é o blockchain?

    O blockchain é uma tecnologia de contabilidade distribuída que regista transações numa rede de computadores de forma segura, transparente e praticamente imutável. Cada “bloco” de dados está ligado ao anterior, formando uma cadeia – daí o nome – o que assegura a rastreabilidade e dificulta a manipulação da informação, uma vez que é quase impossível alterar os dados de um bloco sem alterar toda a cadeia.

    O ponto mais favorável do blockchain é que é descentralizado, ou seja, não há uma entidade única que controle toda esta informação. Em vez de depender de um banco, empresa ou governo para garantir que uma transação é legítima, esta tecnologia permite que seja toda a rede a verificar e validar cada movimento. Em resumo, é uma forma muito segura e fiável de registar e partilhar informação, sem necessidade de intermediários e com total transparência. Isto faz com que tenha múltiplas aplicações além das criptomoedas, como no setor imobiliário, onde pode mudar a forma como compramos, vendemos e financiamos propriedades.

    Aplicações do blockchain no setor imobiliário

    A tecnologia blockchain tem várias aplicações no mundo do imobiliário, transformando a forma como as propriedades são compradas, vendidas, geridas e financiadas.

    1. Tokenização de ativos imobiliários

    Uma das aplicações mais revolucionárias do blockchain no setor imobiliário é a tokenização de propriedades. Esta tecnologia permite dividir um ativo imobiliário em pequenas frações digitais, conhecidas como tokens, que representam a propriedade parcial de um imóvel. Cada token pode ser comprado, vendido ou trocado como se fosse uma ação.

    Isto significa uma democratização do investimento imobiliário. Pequenos investidores, que antes não tinham acesso a propriedades de alto valor, agora podem adquirir uma fração de uma propriedade através de tokens. Como sabemos, o crowdfunding imobiliário também permite participar no equity de projetos imobiliários e ser proprietário de uma parte do ativo proporcional ao valor investido.

    2. Contratos inteligentes

    Outra aplicação chave do blockchain são os contratos inteligentes. Estes são programas que se executam automaticamente quando determinadas condições predefinidas são cumpridas, sem necessidade de intermediários. No setor imobiliário, os contratos inteligentes podem facilitar transações de compra e venda, arrendamento ou financiamento, eliminando a necessidade de notários, advogados e outros intermediários que muitas vezes atrasam e encarecem o processo. Além disso, aumenta a segurança ao reduzir a possibilidade de fraude ou erros.

    3. Financiamento descentralizado

    O blockchain deu origem ao conceito de finanças descentralizadas – ou DeFi, como é conhecido em inglês – que também está a ganhar relevância no mundo imobiliário. Com o DeFi, os investidores podem aceder a opções de financiamento alternativas aos bancos tradicionais. Plataformas de empréstimos descentralizados permitem que proprietários ou investidores penhorem uma propriedade ou token imobiliário e obtenham liquidez em troca de criptomoedas ou ativos digitais. Este modelo pode ser particularmente útil em mercados emergentes, onde os sistemas financeiros tradicionais são menos acessíveis.

    O blockchain é o futuro do investimento imobiliário?

    O blockchain tem o potencial de transformar radicalmente o setor imobiliário, tornando-o mais acessível, eficiente, seguro e transparente. No entanto, ainda existem obstáculos importantes que precisam de ser superados, especialmente no que diz respeito à regulamentação e à adoção pelo mercado, pois muitos agentes ainda preferem métodos tradicionais.

    À medida que estas barreiras forem sendo resolvidas, é provável que vejamos um aumento na tokenização de propriedades e na utilização de contratos inteligentes em transações imobiliárias. Para os investidores, esta tecnologia pode abrir novas oportunidades de diversificação e liquidez, enquanto os proprietários podem beneficiar de processos mais ágeis e menos onerosos.

    Em resumo, embora o blockchain ainda não tenha alcançado todo o seu potencial no setor imobiliário, é inegável que tem o poder de mudar as regras do jogo num futuro próximo, podendo tornar-se o próximo grande avanço no investimento imobiliário.

  • Comunidade Valenciana: um mercado sólido e atraente para o investimento imobiliário

    Comunidade Valenciana: um mercado sólido e atraente para o investimento imobiliário

    A Comunidade Valenciana tem-se revelado um mercado sólido e atraente para o investimento imobiliário, graças ao seu crescimento económico, ao seu excelente clima e à sua qualidade de vida. Com uma procura contínua em setores-chave e um ambiente favorável, é um mercado que oferece rendibilidades interessantes para o investidor. Em particular, no caso da compra de habitação para arrendamento, é a região onde o investimento se recupera mais rapidamente, com uma média de 12,6 anos.

    Além disso, o peso da região no volume total de investimento em Espanha tem crescido nos últimos anos. O aumento reflete-se nos dados dos primeiros três meses de 2024, quando a região acumulou 10% do total nacional de investimentos imobiliários, perfazendo um total de 221 milhões de euros, segundo dados da CBRE. Este notável crescimento posiciona a Comunidade Valenciana como o terceiro destino para o capital imobiliário em Espanha, juntamente com as Ilhas Canárias, que também detêm 10% do investimento e que partilham esta posição. Os dois primeiros lugares são ocupados por Madrid e Barcelona, com 49% do investimento total.

    O aumento do investimento na comunidade deve-se, em parte, à escalada de preços em mercados tradicionais como Madrid e Barcelona, tal como afirma José Ángel Sospedra, diretor sénior para a zona leste de Espanha na CBRE, numa entrevista ao Valencia Plaza. Estas praças alcançaram níveis de preços muito elevados, o que motivou os investidores a procurarem alternativas mais rentáveis e com maior potencial de crescimento. Cidades como Valência e Alicante surgiram como opções atrativas devido ao seu crescimento económico, à melhoria das infraestruturas e ao aumento da procura de espaços residenciais e comerciais. Este argumento está alinhado com a preferência dos investidores por mercados com preços mais acessíveis, onde possam obter retornos sólidos e diversificar o seu portefólio em setores emergentes como o coliving e o flex living.

    Setores chave: residencial, logística, retalho e hotelaria

    A BNP Paribas Real Estate também aponta na mesma direção, referindo que “Valência está no foco de atenção de todos os investidores“, conforme sublinha Francisco López, diretor da consultora em Valência. Áreas como a logística estão a atrair uma parcela significativa do capital, mas também estão em expansão setores como o residencial, que abrange diversos tipos de ativos habitacionais e incorpora novas modalidades como o coliving e o senior living. É o caso do Grupo Gimeno, que decidiu investir 100 milhões de euros em diferentes projetos de senior living ao longo do arco mediterrâneo até 2026, em resposta à crescente procura por opções habitacionais adaptadas às necessidades dos idosos. O grupo identificou a Comunidade Valenciana como a região mais procurada por estrangeiros em busca de alternativas à habitação convencional para desfrutar de uma nova fase nas suas vidas.

    Por outro lado, a posição estratégica da Comunidade Valenciana no corredor mediterrânico, juntamente com a presença do porto de Valência, um dos mais importantes de Espanha, converteram esta zona num ponto de referência para as atividades logísticas, conforme sublinha Javier Muñoz, diretor industrial e logístico da Zona Leste da CBRE, numa entrevista ao diário Las Provincias. Este desenvolvimento tem sido favorecido pelo aumento da procura por espaços industriais e logísticos, especialmente devido ao crescimento do comércio eletrónico. À medida que as empresas procuram otimizar as suas operações, a região posiciona-se como um destino preferencial para o estabelecimento de centros de distribuição, o que, por sua vez, gerou uma considerável procura de armazéns industriais na zona.

    O setor do retalho, por sua vez, tem sido historicamente um dos mais fortes na Comunidade Valenciana. Em Valência, a rotatividade dos operadores e a chegada constante de novas marcas refletem o dinamismo deste setor, conforme indicam os dados da CBRE. A construção, entre outros projetos, do centro comercial Infinity, com um investimento de 350 milhões de euros, é um bom exemplo. A inauguração do centro está prevista para 2026 e espera-se que crie milhares de empregos na região, impulsionando assim a economia local.

    O turismo é também um motor económico-chave na Comunidade Valenciana, que continua a atrair numerosos turistas e a registar um elevado nível de investimento hoteleiro, consolidando-se como um dos principais destinos de investimento no setor da hotelaria em 2023, com um volume de 197 milhões de euros. A província de Alicante, e especialmente a Costa Blanca, destaca-se pelo crescente interesse dos investidores, especialmente devido ao seu clima ameno, às suas ligações internacionais e ao potencial para novos desenvolvimentos hoteleiros. Projetos de renome estão em andamento, como o Gran Delfin em Benidorm, e cadeias internacionais iniciaram planos de expansão na região.

    Sucesso do crowdfunding imobiliário na Comunidade Valenciana

    Na Urbanitae também temos contribuído para impulsionar o investimento na Comunidade Valenciana através da nossa plataforma de financiamento participativo. Assim, participámos com sucesso em numerosos projetos, principalmente localizados em Alicante e Valência. Promotores como Viviz, Libra Gestión de Proyectos, Conforthogar, White Investing, Inmobiliaria Espacio e Quadratia realizaram operações de crowdfunding imobiliário de destaque juntamente connosco, nas quais participaram pequenos e médios investidores.

  • Onde há risco de bolha imobiliária?

    Onde há risco de bolha imobiliária?

    El riesgo de burbuja inmobiliaria es una preocupación recurrente en el mercado global, especialmente en ciudades donde ha habido un crecimiento de precios notorio. El Global Real Estate Bubble Index 2024, que elabora el banco UBS, proporciona una visión clara de las ciudades más expuestas a una crisis inmobiliaria, evaluando factores como el precio de la vivienda en relación con los ingresos, el coste de los alquileres, la evolución de las hipotecas y el ritmo de construcción.

    ¿Qué es una burbuja inmobiliaria?

    Una burbuja inmobiliaria ocurre cuando los precios de los inmuebles aumentan de manera rápida, impulsados por la especulación y la demanda, alejándose de su valor real. Este aumento suele estar alimentado por factores como el fácil acceso al crédito o la expectativa de que los precios seguirán subiendo. Sin embargo, cuando el mercado se satura o las condiciones cambian –suben los tipos de interés, por ejemplo–, la demanda cae y los precios pueden desplomarse rápidamente, causando pérdidas significativas para propietarios e inversores. 

    Ciudades con mayor riesgo de burbuja inmobiliaria en 2024

    El índice que elabora anualmente UBS realiza un análisis de los mercados inmobiliarios de 25 grandes ciudades de todo el mundo. En primer lugar, cabe destacar que los riesgos de burbuja inmobiliaria han disminuido ligeramente por segundo año consecutivo. Sin embargo, hay algunas ciudades que sobresalen con una probabilidad un poco más alta que el resto.

    Miami lidera el índice de riesgo de burbuja con 1,79 puntos –por encima de 1,5 se considera riesgo alto–. El fuerte aumento de los precios de la vivienda, impulsado por una alta demanda interna y la afluencia de inversores extranjeros, ha puesto a esta ciudad en una posición de vulnerabilidad. Por otro lado, Tokio se encuentra también en el podio de ciudades en riesgo, con una puntuación de 1,67. En este caso, los precios de las propiedades han seguido aumentando, impulsados por la demanda internacional y la expansión del crédito, a pesar del aumento de las tasas de interés. Zúrich es la tercera ciudad con más riesgo de burbuja, con un índice de 1,51, ya que a pesar del encarecimiento de las hipotecas, los precios inmobiliarios se han mantenido altos, impulsados por una oferta limitada y una fuerte demanda de viviendas.

    Respecto a Madrid, aunque la vivienda se ha caracterizado por un crecimiento moderado de los precios en el último año, se encuentra en el puesto 16 en este estudio con un índice de 0,56. Sin embargo, a pesar de que el mercado todavía refleja algo más de estabilidad que en las ciudades mencionadas anteriormente, la capital española muestra un aumento de los precios de alquiler y compra de viviendas que se ha visto impulsado por la alta demanda de compradores extranjeros y un aumento del turismo que ha provocado un creciente interés por adquirir inmuebles como inversión.

    Factores que aumentan el riesgo de burbuja

    Las burbujas inmobiliarias no ocurren de la noche a la mañana, sino que son el resultado de varios factores económicos y sociales que impulsan un crecimiento descontrolado de los precios de las propiedades. Estos son algunos de los factores que favorecen la formación de una burbuja inmobiliaria:

    1. Altos tipos de interés y asequibilidad limitada

    En un contexto de tasas de interés elevadas, el acceso al crédito se encarece y por lo tanto, las hipotecas son más caras y la barrera para comprar viviendas es mayor. Esto podría provocar un freno en el crecimiento de los precios, sin embargo, en muchos mercados, la demanda es tan alta o la oferta es tan escasa, que los precios siguen subiendo a pesar de estas tasas, y en consecuencia el mercado se vuelve insostenible e inaccesible para la mayoría. Esta es la explicación de lo que ha ocurrido en ciudades como Zúrich o Tokio donde los precios se han mantenido altos a costa de la fuerte demanda.

    2. Demanda especulativa

    Este es uno de los factores más peligrosos que impulsan una burbuja inmobiliaria. Los inversores, en busca de rendimientos rápidos, compran propiedades con la intención de venderlas a corto plazo, esperando que los precios sigan subiendo en un futuro cercano y en un mercado seguro. Este tipo de demanda puede inflar los precios de manera significativa, especialmente en ciudades donde la oferta de vivienda es limitada. Cuando los compradores internacionales ingresan en un mercado, al final compiten con los locales elevando los precios de las viviendas más allá de lo que esa misma población con un contexto económico diferente puede permitirse y crea una desconexión de los precios de las propiedades y los ingresos locales. En este caso, ciudades como Miami y Hong Kong, son atractivas para este tipo de inversiones, por lo tanto este interés sobrevalora los inmuebles.

    3. Escasez de oferta de viviendas

    En muchas ciudades las restricciones en el desarrollo urbano, la falta de terrenos disponibles o la burocracia limitan la construcción de nuevas viviendas. Cuando la oferta no puede seguir el ritmo de la demanda, los precios de las propiedades aumentan rápidamente. Además, este desequilibrio entre oferta y demanda suele ser atractivo para los inversores, lo que provoca una subida mayor. La oferta limitada de ciudades como Zúrich o Múnich en este caso sigue presionando el alza de los precios.

    En definitiva, una burbuja inmobiliaria es impulsada por una combinación de factores, en los que se incluyen el acceso fácil al crédito, la demanda especulativa, la escasez de oferta y la desconexión entre los precios y los fundamentos económicos de cada país. Aunque las burbujas pueden inflar los precios rápidamente, suelen ser insostenibles y, cuando estallan, pueden tener consecuencias graves tanto para los propietarios como para la economía en general.

  • O investidor nacional domina o mercado imobiliário, com 57% dos investimentos

    O investidor nacional domina o mercado imobiliário, com 57% dos investimentos

    O setor imobiliário na Espanha continua a se fortalecer, com indicadores que refletem um crescimento sustentado e novas oportunidades para os investidores. Nesse sentido, a demanda permanece ativa em segmentos-chave, como o residencial e o terciário, impulsionada pela estabilidade do mercado e pelo interesse tanto de investidores nacionais quanto internacionais. Um ambiente favorável que pode se prolongar, especialmente com projeções de crescimento moderado ao longo do ano. Diante dessas perspectivas, o negócio imobiliário espanhol se consolida como um destino atraente para o investimento.
    Segundo dados da consultoria CBRE, no primeiro semestre de 2024, o investimento imobiliário na Espanha alcançou 5,5 bilhões de euros, registrando um leve aumento em relação aos 5,3 bilhões acumulados no ano anterior. Esse desempenho está em linha com a média da última década, e espera-se que a segunda metade do ano registre maior atividade de investimento. Para o final de 2024, projeta-se um aumento progressivo, estimado entre 5% e 10%, motivado, entre outros fatores, pela recente redução das taxas de juros por parte do Banco Central Europeu e pelo aumento do apetite por investimentos.
    A análise da consultoria garante que os investidores nacionais dominam o mercado, acumulando 57% dos investimentos. Os investidores estrangeiros se destacam pelo grande interesse no setor residencial, enquanto os family offices preferem o setor terciário, especialmente o segmento de escritórios e comércios.

    O capital estrangeiro, impulso do residencial

    27% do investimento foi concentrado no setor residencial (living), impulsionado principalmente por capital estrangeiro. Esse tipo de ativo continua sendo uma aposta atraente devido à demanda por habitação nas principais cidades, como Madri e Barcelona. Apesar dos desafios regulatórios e de preços, esses mercados continuam oferecendo retornos interessantes, o que justifica o fluxo constante de capital internacional. Os investidores internacionais veem no residencial espanhol um refúgio seguro, especialmente europeus e norte-americanos, que lideram esse tipo de operações, conforme aponta a CBRE.
    Isso é confirmado pela Estatística Registral Imobiliária elaborada pelo Colégio de Registradores de Propriedade, que mostra o crescimento no número de estrangeiros que decidem comprar uma casa na Espanha. Nesse sentido, durante o segundo trimestre de 2024, a demanda por imóveis por parte de compradores estrangeiros teve um aumento de 0,63 pontos em comparação com os primeiros três meses do ano, atingindo 14,84% do total de transações de imóveis entre abril e junho. Os principais compradores de imóveis na Espanha foram britânicos, alemães e marroquinos.

    Family offices e o setor terciário

    Por outro lado, os family offices, fundamentalmente nacionais, estão mais focados no setor terciário (escritórios, varejo, logística, hotéis), segundo os dados da CBRE. Esse tipo de investidor evita amplamente o setor residencial devido à instabilidade dos preços e às mudanças regulatórias. Em vez disso, preferem ativos comerciais e de escritórios, que em muitos casos oferecem retornos mais estáveis e a longo prazo. Esse comportamento reforça a tendência de diversificação e gestão prudente do risco que caracteriza esses investidores no mercado.
    O setor terciário também inclui investimentos em hotéis (com 25% das operações) e no varejo (18%), que continuam sendo pilares importantes nos portfólios dos investidores nacionais.

    Madri e Barcelona, destinos favoritos para os investidores

    As duas principais cidades espanholas, Madri e Barcelona, continuam sendo os destinos favoritos para os investidores. De fato, ambas estão no top 10 das cidades europeias mais atraentes para investir, segundo o último relatório da European Investor Intentions Survey elaborado pela CBRE. Essas cidades concentram a maior parte das operações imobiliárias, sendo especialmente atraentes para os compradores internacionais. Além de sua sólida infraestrutura, tanto a capital quanto a Cidade Condal oferecem um mercado dinâmico com múltiplas oportunidades, tanto no setor residencial quanto no terciário.
    Madri se destaca por sua estabilidade e relevância como centro financeiro, enquanto Barcelona continua atraindo investimentos por seu apelo turístico e sua crescente influência tecnológica.
    Após meses de intensa atividade no setor imobiliário espanhol, marcado por flutuações nas compras e vendas e variações nas taxas de juros, espera-se que o mercado imobiliário espanhol ganhe impulso em 2025. Segundo as previsões da Solvia, em sua última análise do mercado residencial, a demanda crescerá no próximo ano entre 2% e 3%, após um ajuste de operações entre 4% e 5% interanual em 2024. O setor demonstra mais uma vez que continuará sendo dinâmico e capaz de se adaptar aos desafios econômicos globais.

  • Aumenta a procura por edifícios e habitações sustentáveis

    Aumenta a procura por edifícios e habitações sustentáveis

    A consciência sobre a sustentabilidade evoluiu significativamente nos últimos anos, impulsionando uma maior procura por edifícios sustentáveis e energeticamente eficientes. Como veremos, esta tendência não se deve apenas às preocupações ambientais, mas também é sustentada por uma série de benefícios económicos e fiscais, bem como pelo avanço das tecnologias na construção sustentável.

    O que é um edifício sustentável?

    Um edifício sustentável é aquele projetado e construído para minimizar o seu impacto ambiental ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a seleção de materiais até ao seu uso e eventual demolição. A sustentabilidade na construção implica a utilização de recursos renováveis, a otimização do consumo energético, a gestão eficiente da água e a redução de resíduos.

    Os edifícios ecológicos costumam ter certificações de sustentabilidade, que garantem que são cumpridos determinados padrões de sustentabilidade. Estas certificações, como a Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), Breeam (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) ou, em Espanha, Verde (Valorização de Eficiência de Referência de Edifícios), asseguram que o edifício cumpre critérios de eficiência energética, qualidade ambiental interior e utilização responsável dos recursos.

    A crescente preocupação com as alterações climáticas e a escassez de recursos levou à implementação de regulamentos mais rigorosos na Europa. A nova Diretiva (UE) 2024/1275 relativa à eficiência energética dos edifícios (EPBD) estabelece prazos para que os edifícios que não cumprem determinados padrões de eficiência energética sejam renovados, o que aumenta a necessidade de construir e reabilitar edifícios sustentáveis em Espanha e em toda a União Europeia.

    A nova diretiva europeia, em vigor desde 28 de maio de 2024, contribui para acelerar o ritmo de reabilitação de edifícios na UE, especialmente dos menos eficientes em cada país. Além disso, apoia uma melhor qualidade do ar, a digitalização dos sistemas de energia dos edifícios e a implementação de infraestruturas de mobilidade sustentável. Em essência, a norma visa reduzir até 2030 as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) no setor da construção em pelo menos 60% em comparação com os níveis de 2015 e alcançar um parque edificado descarbonizado e com zero emissões até 2050.

    Benefícios fiscais para edifícios sustentáveis

    Em Espanha, a boa notícia é que 78% dos compradores de habitação pagariam mais por uma casa mais sustentável. De acordo com o I Observatório sobre Habitação e Sustentabilidade da UCI, o esforço adicional seria de 7,25%, o que representaria um custo adicional de 12.682 euros para uma habitação média de 100 metros quadrados, tomando como referência o valor de avaliação da habitação livre no quarto trimestre de 2022, publicado pelo Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana (Mitma).

    O investimento em construção sustentável não só traz benefícios ambientais, como também oferece incentivos económicos. Em Espanha, existem várias deduções fiscais e subsídios para quem opta por construir ou reabilitar edifícios sustentáveis.

    Uma das principais vantagens é a possibilidade de aceder a deduções no IRS até 60% dos custos de reabilitação energética. Este incentivo é particularmente interessante para proprietários que desejam realizar melhorias nas suas habitações, como a instalação de painéis solares ou sistemas de isolamento térmico.

    Além disso, os Fundos Next Generation EU abriram portas a financiamentos específicos para a reabilitação energética, proporcionando recursos para projetos que visem melhorar a eficiência dos edifícios existentes. No entanto, apesar da disponibilidade destes apoios, a falta de conhecimento sobre a sua existência é um obstáculo significativo. Segundo o Observatório da UCI, 90,7% dos proprietários desconhecem estas deduções fiscais.

    Tecnologias utilizadas na construção de edifícios sustentáveis

    A evolução tecnológica tem desempenhado um papel crucial na criação de edifícios sustentáveis. As inovações em materiais e técnicas de construção permitiram que arquitetos e promotores criassem espaços que não só são eficientes, como também oferecem um ambiente de vida saudável e confortável. Algumas das tecnologias mais relevantes incluem:

    1. Painéis solares: A geração de energia renovável é um pilar fundamental na construção sustentável. Os painéis solares permitem que os edifícios gerem a sua própria energia, reduzindo a dependência de fontes não renováveis e diminuindo a pegada de carbono.

    2. Sistemas de isolamento avançados: Os sistemas de isolamento térmico exterior (ETICS) melhoram a eficiência energética ao manter a temperatura interna constante e reduzir o consumo de aquecimento e arrefecimento.

    3. Tecnologia domótica: A automatização de edifícios através de sistemas de domótica permite um controlo mais eficiente da energia. Estes sistemas podem regular a iluminação, a climatização e outros recursos, otimizando a sua utilização e melhorando a eficiência.

    4. Materiais reciclados e de baixo impacto: A escolha dos materiais de construção é fundamental para a sustentabilidade. O uso de materiais reciclados e aqueles com menor impacto ambiental contribui para a redução de resíduos e emissões durante o processo de construção.

    5. Tecnologias de gestão da água: Sistemas que recolhem e reutilizam águas pluviais, bem como a instalação de dispositivos de poupança de água, são essenciais para a sustentabilidade dos edifícios.

    Sustentabilidade e Urbanitae

    Na Urbanitae, acreditamos que a construção de novas obras pode impulsionar decisivamente a transformação sustentável do parque habitacional. As novas construções tendem a melhorar consideravelmente o desempenho ambiental dos edifícios mais antigos. Em cada vez mais casos, a sustentabilidade tem um papel central no design e na própria construção dos projetos imobiliários.

    É o caso do nosso projeto Marjolin, em Paris. O edifício de escritórios que protagoniza o projeto foi renovado integralmente em 2014 e certificado com o rótulo BBC Effinergie rénovation pela sua eficiência energética, o que garante não só uma poupança energética, mas também uma vantagem competitiva para a sua futura venda. Destacam-se também os projetos de Allonbay Village, o primeiro projeto certificado com o esquema Breeam Urbanismo em Espanha pela sua sustentabilidade.

    Em resumo, o aumento da procura por edifícios sustentáveis e energeticamente eficientes reflete uma transformação na forma como a construção e o investimento imobiliário são percecionados. À medida que as regulamentações se tornam mais rigorosas e os benefícios fiscais se expandem, a construção sustentável apresenta-se como uma solução viável e atraente tanto para proprietários como para investidores.

    A adoção de tecnologias avançadas e a sensibilização para a sustentabilidade são fatores que contribuirão para um futuro mais ecológico e eficiente no setor imobiliário. Com a crescente pressão para descarbonizar e a necessidade de adaptação às novas regulamentações, os edifícios ecológicos estão destinados a ser a norma em vez da exceção nos próximos anos, posicionando-se como um investimento inteligente e responsável no mercado atual.

  • Madrid, no top 5 dos grandes patrimónios

    Madrid, no top 5 dos grandes patrimónios

    Nos últimos anos, Madrid consolidou a sua posição como um dos destinos mais atrativos para o investimento imobiliário a nível global. A capital espanhola encontra-se hoje entre as cinco principais cidades do mundo no que diz respeito aos grandes patrimónios imobiliários, partilhando o pódio com Paris, Berlim, Barcelona e Viena. Mas que fatores impulsionaram Madrid para esta posição de destaque? Neste artigo, analisaremos as chaves que fazem da capital espanhola um íman para investidores nacionais e internacionais.

    Madrid: um mercado imobiliário em expansão

    O mercado imobiliário madrileno tem vindo a registar um crescimento notável nos últimos anos, impulsionado por fatores económicos e sociais. Segundo o “European Lifestyle Report – 2024”, os inquiridos pela consultora Knight Frank destacam a alta qualidade de vida da capital espanhola devido ao clima ameno, ao estilo de vida ao ar livre e aos espaços verdes, que, juntamente com o fácil acesso à educação, fazem dela um ambiente familiar ideal.

    De acordo com este estudo, a cidade também oferece um contexto económico em crescimento, o que atrai profissionais e empresários. Além disso, a sua posição estratégica e conectividade com outras cidades europeias são pontos fortes adicionais que tornam Madrid um dos melhores lugares para se viver.

    Aumento do investimento estrangeiro

    Um dos principais motores que colocou Madrid no top 5 dos grandes patrimónios imobiliários é o interesse dos investidores estrangeiros. Fundos de investimento, grandes fortunas e empresas multinacionais veem na capital espanhola uma oportunidade única para diversificar os seus portefólios. Além da qualidade de vida, o atrativo de Madrid reside nos preços competitivos em comparação com outras grandes cidades europeias, como Paris ou Londres.

    Os compradores de habitações de luxo em Madrid estão interessados em propriedades exclusivas e na valorização dos bairros. Um exemplo recente é o bairro de Salamanca, conhecido pela sua exclusividade e propriedades de alto valor, que tem visto investidores internacionais adquirirem edifícios inteiros para os transformar em residências de luxo ou projetos de escritórios, aumentando o valor da área.

    Seguindo este critério, a cidade tem investido em projetos de urbanização e modernização com iniciativas como a remodelação do distrito financeiro de Castellana Norte ou o desenvolvimento da área Madrid Nuevo Norte, que oferecerão novos espaços de escritórios, residências e áreas comerciais, atraindo mais empresas e profissionais.

    Além dos critérios já mencionados, um fator fundamental para a tomada de decisão de investimento é a segurança, e não há dúvida de que a Espanha se tornou um refúgio seguro para grandes patrimónios. Em tempos de incerteza global, o mercado espanhol combina um sistema legal robusto e um ambiente empresarial atrativo, tornando-se uma excelente alternativa para investir em imóveis de gama alta.

    Perspetivas para Madrid

    As perspetivas para o mercado imobiliário em Madrid continuam otimistas. Os imóveis nas áreas mais exclusivas de Madrid, como Chamberí, Salamanca e El Viso, mantiveram o seu valor mesmo em tempos de crise, oferecendo rendimentos estáveis e segurança para grandes capitais. Além disso, o atrativo do mercado de arrendamento de luxo permitiu aos investidores obter rendimentos passivos enquanto o seu investimento se valoriza ao longo do tempo. Isto, aliado às iniciativas do governo local de renovação urbana e sustentabilidade, posiciona Madrid como uma cidade atrativa para grandes patrimónios.

    Paralelamente, outras cidades que registaram um crescimento semelhante como focos de investimento rentável são Estocolmo – como a capital que mais se destaca em termos de crescimento anual de preços no segundo trimestre do ano (3,4%) – e Lisboa (3%). Por outro lado, Los Angeles é a cidade onde os preços mais subiram nos Estados Unidos e o Dubai, onde o preço da habitação de luxo mais abrandou, com uma queda de -0,3% entre março e julho de 2024.

    Em conclusão, Madrid conseguiu posicionar-se entre as cinco principais cidades do mundo no que toca a grandes patrimónios imobiliários, graças à combinação de vários fatores-chave: uma economia estável, preços competitivos, uma qualidade de vida atrativa e um aumento do investimento estrangeiro com uma rentabilidade reconhecida.

    Para começar a investir no mercado imobiliário de Madrid minimizando o risco, a Urbanitae oferece a oportunidade de participar em projetos de investimento que aproveitam o crescimento do setor, ajustando-se às necessidades de cada um e com o objetivo de otimizar a rentabilidade.

  • O investimento imobiliário recupera no primeiro semestre

    O investimento imobiliário recupera no primeiro semestre

    O primeiro semestre de 2024 foi um período crucial para o setor imobiliário em Espanha, caracterizado por uma recuperação notável após os desafios económicos dos anos anteriores. À medida que o país se adapta a um novo contexto, com um crescimento do PIB de 2,9% em termos homólogos no segundo trimestre, o mercado imobiliário apresenta sinais de crescimento, embora enfrente também desafios importantes.

    Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as transações de habitação caíram 4,5% em termos anuais entre janeiro e junho de 2024. Os números estão alinhados com os de 2023 e são até positivos, considerando a situação das taxas de juro que só começaram a descer em junho de 2024. Neste artigo, desagregamos os principais fatores que marcaram esta primeira metade do ano.

    Aumento de preços e rendas

    Este aumento da procura levou a um aumento dos preços das habitações. Em cidades como Madrid, Barcelona e Málaga, os preços subiram entre 5% e 7%, atingindo níveis recorde em algumas zonas centrais. Atualmente, o preço da habitação em Espanha é de aproximadamente 1.900 euros por metro quadrado.

    Nesse sentido, os preços das rendas seguiram uma tendência semelhante, com um aumento de 7,3% em toda a Espanha, sendo novamente as grandes cidades as mais afetadas, embora esta tendência tenha começado a estender-se a cidades de médio porte e localidades mais pequenas.

    Investimentos no setor

    Durante o primeiro semestre de 2024, o investimento no setor imobiliário manteve um ritmo positivo. Este interesse concentrou-se principalmente em ativos logísticos e residenciais, com um ênfase crescente em projetos de reabilitação e sustentabilidade.

    Em Espanha, segundo dados da consultora internacional Savills, até junho foram ultrapassados os 5,5 mil milhões de euros em investimento direto em ativos imobiliários, face a 4,8 mil milhões no mesmo período do ano anterior. Este crescimento foi liderado por investidores institucionais, que representam 46% do volume total e 25% das transações. A CG Capital Europe prevê um segundo semestre “muito dinâmico, após um aumento de 13% registado por este banco de investimento no primeiro semestre, graças ao impulso do setor hoteleiro.

    Este número inclui tanto investimentos em setores tradicionais como habitação e escritórios, como em ativos alternativos que estão a ganhar protagonismo, como residências de estudantes, centros logísticos e o build to rent (BTR). Este último, em particular, tem atraído a atenção de grandes fundos internacionais que vêem na renda residencial uma solução para a crescente procura e uma oportunidade para diversificar o seu portfólio.

    Perspetivas do futuro do mercado imobiliário

    As perspetivas para o resto do ano são otimistas. Por um lado, os analistas preveem que o mercado imobiliário mantenha o seu dinamismo, embora com algumas nuances. Embora os preços das habitações e das rendas continuem a subir, alguns especialistas sugerem que estes aumentos poderão começar a moderar-se devido a vários fatores, entre os quais as políticas governamentais que procuram controlar a inflação das rendas e a esperada estabilização das taxas de juro.

    Por outro lado, em termos de tendências no setor, um ponto em comum é a presença da digitalização no setor imobiliário. A utilização da tecnologia para melhorar a experiência do cliente e otimizar processos tem sido fundamental para os avanços dos últimos meses. Desde a pesquisa de propriedades até ao fechamento de transações, as ferramentas digitais estão a facilitar transações mais rápidas e eficientes. Assim, as propriedades que cumprem com os padrões de eficiência energética estão a ganhar popularidade entre os investidores, refletindo uma mudança para opções mais sustentáveis.

    Além disso, as plataformas de crowdfunding imobiliário, como a Urbanitae, permitem que pequenos investidores participem em projetos que antes estavam reservados a grandes capitais. Esta democratização do acesso ao investimento imobiliário está a mudar a forma como podemos investir em imóveis, ao mesmo tempo que diversificamos o nosso portfólio.

    Em suma, o primeiro semestre de 2024 foi um período de ajuste e transformação para o setor imobiliário em Espanha. Com uma estabilização dos preços, um aumento das rendas e um foco crescente na sustentabilidade e na digitalização, o mercado parece continuar a adaptar-se às mudanças. Os intervenientes do setor que souberem adaptar-se a estas novas dinâmicas e antecipar as tendências emergentes terão a chave para navegar com sucesso neste ambiente em evolução.

  • Lojas comerciais, o ativo mais rentável em Barcelona

    Lojas comerciais, o ativo mais rentável em Barcelona

    Barcelona consolidou-se como um dos principais focos de investimento imobiliário em Espanha. Neste contexto, as lojas comerciais emergiram como o ativo mais rentável e a opção mais interessante tanto para investidores nacionais como internacionais, superando outras alternativas de investimento.

    Com o seu dinamismo económico, o constante afluxo de turistas e o crescimento populacional, a capital catalã assistiu, nos últimos anos, a uma notável expansão na procura deste tipo de imóveis, especialmente em zonas centrais e áreas com grande atividade turística.

    De acordo com os dados mais recentes fornecidos pelo portal imobiliário Idealista sobre a rentabilidade de aluguer dos principais produtos imobiliários nas capitais espanholas, a rentabilidade média das lojas comerciais em Barcelona atingiu 8,4% em 2023, situando-se acima de outros ativos como as habitações (que oferecem uma rentabilidade média de 5,9%), os escritórios (que rondam os 7,9%) e as garagens (6,3%). Esta diferença significativa deve-se, em grande parte, à crescente procura de espaços para comércio e serviços, impulsionada tanto pelo turismo como pela reativação da economia local após a pandemia.

    Zonas com maior rentabilidade

    Como destaca a análise da Idealista, alguns distritos sobressaem pela sua atividade económica e pela procura sustentada, oferecendo assim as melhores rentabilidades para este tipo de ativos:

    • Gràcia. Este bairro, conhecido pelo seu ambiente boémio e pelo seu carácter residencial, registou um aumento na procura de lojas comerciais, especialmente para lojas de nicho e cafés. A rentabilidade média aqui ronda os 7,5%.
    • Eixample. Este distrito central é um dos mais procurados tanto por negócios locais como por grandes marcas internacionais. A sua alta densidade populacional, combinada com um fluxo constante de turistas, fez com que os preços de aluguer se mantivessem elevados, gerando uma rentabilidade média de 8,5%.
    • Ciutat Vella (Bairro Gótico e El Raval). Esta é uma das zonas mais turísticas de Barcelona, onde se encontram algumas das ruas comerciais mais movimentadas da cidade. Aqui, as lojas comerciais oferecem uma rentabilidade média que varia entre 7,8% e 8,4%.
    • Poblenou. Conhecido como o distrito tecnológico de Barcelona, atrai várias startups e empresas tecnológicas. Esta transformação criou uma alta procura por lojas comerciais voltadas para serviços e restauração, com uma rentabilidade média de 8%.

    As maiores rentabilidades em lojas comerciais encontram-se precisamente nestes distritos, onde os preços de aluguer são mais elevados e o risco é baixo. Passeig de Gràcia, em particular, consolida-se como a rua comercial com os alugueres mais elevados de Espanha, com um preço prime que atinge os 3.000 euros por metro quadrado ao ano, segundo dados do relatório global “Main Streets Across the World”, elaborado pela consultora imobiliária Cushman & Wakefield.

    Por que razão as lojas são tão rentáveis na capital catalã?

    Há muitas razões que explicam a alta rentabilidade das lojas comerciais em Barcelona. A sua localização estratégica é uma delas. Barcelona é uma cidade com um fluxo constante de residentes, turistas e profissionais, o que a torna um local privilegiado para o comércio.

    O turismo constante na cidade é também um dos fatores-chave que impulsiona a procura de lojas comerciais. Barcelona recebe mais de 15 milhões de turistas por ano, o que gera uma procura contínua por lojas, restaurantes e cafés, especialmente nas zonas centrais e turísticas.

    Barcelona é também um importante hub empresarial, tecnológico e educativo, pelo que a presença de multinacionais, startups e universidades criou uma procura adicional por lojas.

    A reativação do comércio a retalho após a pandemia aumentou ao mesmo tempo a procura por espaços comerciais. Atualmente, é a capital europeia com mais lojas por quilómetro quadrado, à frente de grandes capitais como Paris, Lisboa, Londres, Milão ou Munique.

    O mercado de lojas comerciais em Barcelona mostra assim claros sinais de recuperação, criando novas oportunidades de investimento neste tipo de propriedades. O impulso atual do mercado coincide também com uma mudança no panorama regulatório, após a aprovação da Lei da Habitação em Espanha, que marcou o fim de um período de incerteza para os investidores e reativou o interesse por este tipo de imóveis. A partir de agora, como aponta a agência de mediação imobiliária Vivendex, transformar lojas em habitação para as rentabilizar pode também ser uma opção muito vantajosa, e não apenas em Barcelona.

  • Portugal: transparência e tecnologia impulsionam o setor imobiliário

    Portugal: transparência e tecnologia impulsionam o setor imobiliário

    Portugal avançou significativamente no Índice Global de Transparência Imobiliária (GRETI) 2024, posicionando-se na 25.ª posição a nível mundial. Este ranking, elaborado pela JLL e LaSalle, avalia a transparência no setor imobiliário através de 256 indicadores em 89 países, oferecendo um guia essencial para investidores e promotores. Embora Portugal ainda tenha margem para melhorias, o seu desempenho em áreas-chave como o processo de transações posiciona-o como um mercado em crescimento na Europa.

    Pontos fortes de Portugal: processo de transações

    Um dos aspetos mais destacados de Portugal no relatório GRETI 2024 é a sua posição no subíndice “Processo de Transações”, onde ocupa o 12.º lugar a nível mundial. Este indicador avalia a eficiência e transparência na realização de transações imobiliárias, desde a qualidade da informação disponível até à regulamentação sobre licitações e a proteção contra o branqueamento de capitais. A melhoria neste âmbito tornou Portugal um ambiente mais seguro e previsível para investidores nacionais e internacionais.

    A clareza nos processos de transação também foi reforçada pela digitalização do setor. O acesso a informação padronizada e a implementação de tecnologias de open data facilitaram a tomada de decisões de investimento, reduzindo a incerteza e promovendo a confiança no mercado português.

    Desafios e oportunidades para a transparência

    Apesar dos avanços, Portugal ainda enfrenta desafios em termos de governação e transparência no desempenho dos ativos. A falta de maior padronização na medição da rentabilidade dos ativos e na qualidade dos dados do mercado imobiliário limita, em alguns casos, a capacidade dos investidores de avaliar corretamente as oportunidades. No entanto, as reformas regulatórias em curso e a crescente adoção de tecnologia abrem um horizonte promissor para o setor.

    Sustentabilidade e tecnologia: Chaves para o futuro

    Tal como noutros mercados europeus, a sustentabilidade tornou-se um tema central para o setor imobiliário em Portugal. A pressão para cumprir os objetivos de redução de emissões e eficiência energética está a impulsionar a procura por edifícios mais sustentáveis. Neste sentido, a melhoria na transparência relacionada com a sustentabilidade tem sido um dos principais fatores que contribuem para a evolução do mercado português.

    O relatório GRETI também destaca o papel crescente da tecnologia na transparência do setor imobiliário. Em Portugal, a adoção de soluções tecnológicas, desde plataformas de análise de dados até à inteligência artificial, está a começar a transformar a forma como os investidores e promotores acedem à informação e tomam decisões.

    Perspetivas para 2024

    Com um desempenho forte no processo de transações e um foco crescente na sustentabilidade e na tecnologia, Portugal está bem posicionado para continuar a melhorar nas próximas edições do índice GRETI. O mercado português oferece oportunidades tanto no setor residencial como no comercial, e o seu avanço rumo a uma maior transparência será fundamental para atrair mais investimento estrangeiro nos próximos anos.